México: geração campeã na base é um dos trunfos da Tricolor

De todas as etapas das categorias de base, o atual elenco mexicano vivenciou todas. Uma renovação forçada fez com que o futebol local sofresse uma transição brusca após o fracasso na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e agora o México colhe bons frutos. No Brasil, geração que venceu os principais torneios de base e conquistou ouro olímpico tenta algo mais.

A atual seleção mexicana, de fato, não conta com apenas uma geração da base, e sim a mescla de pelo menos as últimas três grandes levas de jogadores surgidos no país. Ao mesmo tempo, o Campeonato Mexicano cresce, os jovens ganham espaço, e daí se constitui o cenário perfeito para a consolidação dos garotos.

Com um time que é resultado do bom trabalho na base, talvez o México não seja sequer dos mais fortes candidatos a se classificar para as oitavas dentre os integrantes do Grupo A, mas pode fazer da energia dos garotos o combustível pra incomodar.

Eliminando Holanda e Brasil, México é campeão do Mundial sub-17 de 2005

Com Giovani dos Santos e Héctor Moreno, dois dos que estavam naquela conquista e estarão na Copa do Mundo de 2014, a seleção conquistou uma grande marca nas eliminatórias para o Mundial sub-17 de 2005, realizado no Peru: conquistou a vaga com 100% de aproveitamento.

Chegando na competição, a seleção pegou de cara um grupo complicado: Turquia, Austrália e Uruguai eram os adversários. Seriam três jogos, e dois apenas se classificavam. O time base era: Sergio Arias, Patricio Araujo, Efraín Juárez, Christian Sanchez, Héctor Moreno; Omar Esparza, Jorge Hernández, Giovani dos Santos, Carlos Vela; Ever Guzmán e Mario Gallegos.

Na fase de grupos, o México passou sufoco. Na primeira partida, vitória difícil contra a ótima seleção do Uruguai por 2 a 0. Depois, vitória por 3 a 0 diante da Austrália, a adversária mais fraca do grupo. Só que, na última rodada, derrota para a Turquia por 2 a 1. No entanto, os concorrentes não alcançaram os "bigodudos", que avançaram à próxima fase com 6 pontos.

Giovani dos Santos e Héctor Moreno: os campeões que estarão no Mundial 2014

Mesmo com o resultado negativo da última rodada da fase de grupos, a seleção mexicana chegou confiante para as quartas-de-final diante da Costa Rica. No entanto, nenhum dos jogadores, com certeza, estavam preparados para tamanho sofrimento. O jogo, por ser eliminatório, foi bastante tenso. Após muita marcação e sem criatividade, Juarez abriu o placar aos 23 minutos da segunda etapa, aumentando o drama do México. A partir daí o time do então craque Giovani dos Santos foi pra cima e, o outro Juarez, o mexicano, empatou faltando dois minutos para o final, levando a partida para a prorrogação. Os 30 minutos extras foram os finais, não alogando para os pênaltis a decisão da vaga, já que Guzman e Vela fizeram, com bastante sofrimento, dois gols, levando sua seleção para a semifinal.

Já que o sofrimento havia sido grande nas quartas – e também havia perdido a partida na última rodada da fase de grupos – o normal e esperado era que o México sofresse para ir à final. Apesar de ter enfrentado um ótimo adversário, a Holanda, os mexicanos passaram por cima, vencendo tranquilamente por 4 a 0, com gols de Villaluz duas vezes, Moreno e Guzman. Com isso, o adversário na grande decisão seria o Brasil.

Na grande decisão, um Brasil com um time considerado melhor pela frente. Diante de 40 mil pessoas, Vela e Esparza, em dois minutos (aos 31 e 33), fizeram os gols para praticamente selar o título mexicano. A seleção Brasileira pressionou o segundo tempo inteiro, mas, no contra-ataque, Guzman matou o jogo. Era a consagração de uma grande seleção de garotos.

Apesar da boa campanha, dois gols em quatro minutos tiram México do Mundial sub-20 de 2011

Foto: AFP

Os anos continuavam passando e o México fazendo talentos. O Mundial sub-17 de 2005 serviu para revelar dois talentos incríveis: Giovani dos Santos e Héctor Moreno, que já frequentavam a seleção principal. Quando chegou a edição do Mundial sub-20, na Colômbia, então, as expectativas eram grandes em relação aos jovens talentos.

A equipe mexicana na primeira fase jogou no grupo F, o mais difícil da competição, ao lado de Inglaterra, Argentina e Coreia do Norte. Seria difícil, claro, mas os “bigodudos” não imaginavam tamanho sofrimento.

Na estreia da competição, diante da Argentina, derrota. Jogo duro, difícil, truncado. Restando vinte minutos para o final, Lamela faz o gol da vitória da alviceleste. Para a sorte do México, no outro jogo do grupo a Inglaterra ficou apenas no empate com a Coreia do Norte. Depois, contra a mesma Coreia, o México venceu com tranquilidade por 3 a 0. Já na última rodada, o empate com a Inglaterra por 0 a 0 colocou os mexicanos na próxima fase.

Diego Reyes foi o destaque e estará na Copa do Mundo 2014

O sub-20 de 2011 não era considerado a mesma coisa do sub-17 de 2005. A Seleção não jogava um bom futebol. Nas oitavas-de-final o adversário foi a seleção de Camarões. E a emoção foi grande. Faltando onze minutos para o final da partida, Ohandza abriu o placar para os camaroneses. Poderia ser o gol da eliminaçáo Mexicana. No entanto, dois minutos depois, Orrantía empatou a partida, levando para a prorrogação, onde não aconteceu absolutamente nada. Nas penalidades máximas, Torres, D'Ávila e Pinon fizeram, levando o México para as quartas-de-final.

Nas quartas, o adversário foi a Colômbia, com um grupo promissor. Apesar da forte adversária, o México não tomou conhecimento e partiu pra cima. Torres, aos 38, abriu o placar. Na segunda etapa, Rivera empatou, mas, pouco tempo depois, Rivera marcou duas vezes e fechou o placar em 3 a 1, vitória que deu a vaga para as semifinais, diante do poderoso Brasil.

Aí na semifinal, o melhor time estava pela frente, o Brasil. O jogo foi duro, como era esperado. A primeira etapa se passou e nada de gols. A segunda também, porém até aos 35. Henrique abriu o placar, deixando o México um pouco mais longe da final. Quatro minutos após, Henrique, mais uma vez, tirou dos garotos mexicanos o sonho de ser campeão. A equipe ficou com o terceiro lugar, vencendo a França por 3 a 1.

Em casa, México é medalha de ouro nos jogos Pan-Americanos de 2011

Os jogos Pan-Americanos não valem muito para várias instituições, mas para o México sim, tanto que tem quatro medalhas de ouro da competição. Na edição de 2011, que foi disputada em sua casa, outra campanha memorável. Eram apenas 8 seleções dividas em dois grupos. No grupo A, o México teve como companheiros o Uruguai, Trinidad e Tobago e Equador.

O primeiro jogo foi com vitória diante do Equador por 2 a 1. Na segundo confronto, empate ruim diante de Trinidad e Tobago, deixando sua torcida preocupada. Porém, a vitóra por 5 a 2 frente ao Uruguai levou o México para a próxima fase como o grande favorito a vencer o torneio.

Oribe Peralta: herói no Pan-Americano estará no Brasil

Na semifinal, diante da Costa Rica, vitória tranquila. Peralta, grande jogador, deu show. No primeiro tempo, dois gols, que deixou o México bem perto da final. No segundo, um gol no começo para carimbar a vaga para a grande final frente a favorita Argentina. Era o momento de consagrar a grande geração.

A torcida estava toda com os garotos, claro. Mas o bom futebol não. A Argentina, considerada melhor seleção, foi melhor. No primeiro tempo nada saiu. Já nos 45 minutos finais, aos 30, Amione fez o gol que deu a medalha de ouro para a sua equipe. México, mais uma vez, mostrava a força de sua base.

Toulon 2012: mais um título na conta da base do México

Foto: Getty Images

O torneio de Toulon, que neste 2014 teve o Brasil como campeão, em sua última edição contou com os mexicanos erguendo a taça. Em 2012, a competição foi formada por dois grupos de 4 equipes cada. O México estava no grupo B ao lado de França, Marrocos e Bielorrússia. Grupo não muito complicado.

Logo na primeira partida, o craque Marco Fabián mostrou seu grande futebol. Com uma atuação mais que memorável, ele marcou três gols na dura vitória por 4 a 3. Diante da França, o time não foi bem. Derrota por 3 a 1 e classificação ameaçada. Porém, no terceiro jogo, 2 a 1 na Bielorrúsia e vaga garantida.

Na semifinal, adversário forte, a Holanda. E uma grande vitória. Com mais um de Fabián, além dos gols de Herrera, Ramirez e Jimenez, uma gigante vitória por 4 a 2. Era hora de enfrentar a Turquia na final. Ramírez, Mier e Pulido trataram de fazer os gols que deram mais um grande conquista para o México.

Vitória sobre o Brasil de Neymar deu a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2012 para o México

As Olimpíadas de 2012 ficará na história para o México. A seleção estava no grupo B, junto com Coréia do Sul, Gabão e Suiça, um grupo técnicamente fraco e tranquilo para o México.

No entanto, na primeira partida, um empate lento e chato diante da Coréia, por 0 a 0. Já contra o Gabão, um 2 a 0 com gois gols de Giovani dos Santos e três pontos garantidos. Depois, na última rodada, um 1 a 0 frente a Suiça, gol de Peralta.

As quartas-de-final vieram e com ela um imenso sofrimento. Jogando contra Senegal, ninguém esperava tamanha dificuldade. Começou tranquilo, com Enríquez abrindo o placar e Aquino ampliando. Porém, após dois vacilos, Konaté e Baldé fizeram os dois gols de empates. O jogo foi para a prorrogação, e Giovani dos Santos fez 3 a 2, deixando muito mais perto a vaga. Depois, Herrera fechou o placar.

Na semifinal, Japão pela frente e, por incrível que pareça, foi um jogo tranquilo. Fabián, Peralta e Cortês fizeram os gols da vitória por 3 a 1. Na final, mais uma vez, estaria o Brasil pela frente, assim como no Mundial sub-17 de 2005.

Neymar, Hulk, Oscar e tantos outros craques. Era muito difícil imaginar que o México venceria o Brasil na disputa pela medalha de ouro. No entanto, com um minuto de jogo tudo isso começou a mudar. Peralta abriu o placar. A medida que o tempo ia passando tudo mudava e o México virou o grande favorito, claro. Aos 30 minutos, Peralta, de novo, fez outro gol e viu a medalha de ouro no pescoço de cada um de seus companheiros. Nos acréscimos, Hulk ainda diminuiu. México medalha de ouro das Olimpíadas.

Rafa Márquez, Corona e outros experientes têm papel importante na Copa

A equipe mexicana da Copa do Mundo não é só formada por jovens jogadores. Tem também Rafa Márquez (o mais experiente entre eles), Corona, Salcido e vários outros. Com isso, os jogadores têm papel importantissímo na Copa do Mundo.

Os mais jovens, como Jiménez, Pulido, Herrera e outros têm como os mais velhos um ponto de confiança. Espera-se deles, claro, conselhos, que passem tranqulidade, que conversem com os novatos. Para chegar longe na competição, a experiência deve estar intimamente ligada com a juventude.

Conquista do Mundial sub-17 de 2011 põe mais brilho no futuro mexicano

Foto: Getty Images

A equipe de 2011 sub-17 do México foi uma das melhores da história. No grupo A da competição, ao lado de Congo, Coreia do Norte e Holanda, o time passou com nove pontos. Nas oitavas-de-final, outra classificação sem esforços: 2 a 0 para cima do Panamá.

O caminho sem agravantes e livre de maiores dificuldades mudou quando a França apareceu. Um jogo sofrido selou a classificação do México às semifinais, onde a Alemanha seria a adversária; em jogo mais aberto, triunfo por 3 a 2 e vaga na final. Em um jogo que tinha tudo pra ser complicado, o inverso aconteceu, e o México bateu o Uruguai por 2 a 0 para se sagrar campeão mundial sub-17.

Agora, a garotada joga a Copa do Mundo para, quem sabe, coroar toda esta campanha dos últimos anos. O fato é que a base do México há anos vem forte, e, caso consiga algo mais na Copa, não será por acaso. E se não for agora, pode ser na próxima, pois sem pressa, os mexicanos trabalham de olho no futuro.

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