Brasileiro marca no fim e Montreal Impact é campeão da Canadian Championship
Bernier e Di Vaio erguem a taça de campeão (Foto: Divulgação/Canada soccer)

No Stade Saputo, em Montreal, Canadá. Aconteceu nesta quarta-feira (4) o jogo de volta da final da Canadian Championship, a competição mais importante do país. Na final estavam dois times da Major League Soccer: Montreal Impact e Toronto FC. A partida acabou 1 a 0, com gol de Felipe Martins. Este foi o terceiro título da equipe na competição, que encostou no rival em número de troféus, os Reds tem quatro.

A competição reúne os times profissionais do Canadá, no formato de uma Copa. Edmonton e Ottawa da NASL. Whitecaps, Toronto e Impact da MLS. O formato atual  é o de eliminatória. Onde os times da NASL se enfrentam em um playoff, o vencedor entra na fase final junto com as equipes de maior expressão.

Nas partidas preliminares, o Edmonton venceu o Ottawa Fury por 3 a 1 no agregado, passando as semifinais. O TFC foi a final no sufoco, 3 a 3 no total contra o Whitecaps e vaga nos pênaltis, 5 a 3, Manneh desperdiçou para Vancouver. Os Bleus fizeram dois bons jogos com o Edmonton, 2 a 1 na ida para o time da NASL e 4 a 2 para o Impact na volta.

O primeiro jogo da finalíssima foi duro, Toronto jogou melhor, abriu o placar com Henry, mas Mapp empatou no segundo tempo, deixando a decisão para esta quarta-feira.

Di Vaio e Mapp eram a grande esperança de gols dos mandantes, Defoe e Moore formavam a dupla de ataque do Toronto, que tinha alguns desfalques importantes: Júlio César, Bradley e Jackson. Dois brasileiros estavam no banco, Gilberto, ex-Portuguesa pelo lado vermelho e Felipe no lado azul. Um entrou e não correspondeu as expectativas, o outro marcou simplesmente o gol do título. No fim, Mapp foi eleito o MVP (Most Valuable Player) da competição. McInerney foi o artilheiro do torneio com 3 gols.

Com o título, os Bleus estão na Champions League da CONCACAF, que dá ao vencedor o direito de disputar o Mundial de Clubes no fim do ano no Marrocos. O grupo já está decidido, o Impact está no Grupo 3 junto com o New York RB, companheiro de MLS e o FAS de El Salvador. Apenas um se classifica para a fase final.

Começo morno e domínio de Montreal

Com alguns segundos de jogo, Romero chegou muito forte para roubar a bola e Rey acabou sentindo o tornozelo, o jogador do Toronto acabou sendo atendido fora do campo. A primeira chance de perigo foi dos visitantes. Rey, já recuperado, cruzou para a marca do pênalti, a defesa não afastou e Defoe chutou em cima do zagueiro. Os ânimos estavam bastante exaltados, Moore arrancou pelo meio e Bernardello o derrubou por trás, o argentino recebeu cartão amarelo.

Os Reds ocupavam melhor os espaços, mas erravam o último passe, já o Montreal tentava trocar passes, sempre com a movimentação de Di Vaio e Mapp. Um lance curioso foi o choque entre o árbitro D. Gantar e Hall, o jogador de Toronto levou a pior e acabou no chão. A transição dos atuais campeões falhava muito, Bernier tentava arriscar alguns passes em profundidade, mas acaba interceptado. Restava ao Impact buscar a bola aérea. Em um escanteio, McInerney subiu livre e testou por cima do gol.

Romero disparou pela esquerda, deixou Moore na saudade, invadiu a área e na hora do cruzamento foi travado por Caldwell. Pouco depois Mapp levantou para a confusão, Rey não tirou, a bola sobrou para Di Vaio que de primeira chutou para ótima defesa de Bendik. A torcida azul continuava a empurrar o time, os jogadores responderam criando algumas boas chances. Di Vaio, era o mais acionado. Dominou já tirando do zagueiro na meia lua, chutou forte à direita da meta.

Aos 38 minutos, mais uma bola levantada, confusão na área e reclamação de pênalti. Segundo alguns jogadores a bola havia tocado no braço de Caldwell. Defoe e Moore estavam isolados no ataque. Parecia que o Toronto estava desentrosado, visivelmente sentia a falta de Bradley articulando as jogadas no meio. A melhor chance do primeiro tempo foi com Bernardello, o camisa 23 cobrou falta com categoria e Bendik fez uma excelente defesa. No lance seguinte, mais uma reclamação de pênalti, McInerney disputou com Henry e a bola resvalou na mão do zagueiro, o árbitro nada assinalou.

Brasileiro marca nos acréscimos, e Montreal Impact é campeão

Logo no primeiro minuto os donos da casa mandaram uma bola no travessão, o capitão Bernier foi à ponta e cruzou, redonda pegou um efeito e acabou indo na direção do gol. Toronto saiu mais para o jogo, seus laterais avançaram e Rey buscou mais o jogo. Entretanto, alguns lances precipitados acabaram por prejudicar a equipe. A torcida continuava a empurrar o Impact, sobre os gritos de “Allez, Allez,... Montreal” além dos sinalizadores em azul e branco.

O placar de 0 a 0 dava o título a Montreal, então Ryan Nelsen tirou Lovitz e colocou o brasileiro Gilberto. Felipe Martins entrou poucos minutos depois, na vaga de Mapp. Os reds já pareciam um pouco nervosos, tentando o gol a todo custo. Faltava aos Bleus aquele lance para matar o jogo. Defoe levou perigo do outro lado, encarou a marcação, puxou para a direita e chutou firme para a boa defesa do goleiro. Romero respondeu, dançou na frente de Bloom e chutou no cantinho, Bendik espalmou.

Di Vaio lançou Felipe em profundidade, o camisa 7 perdeu o tempo da bola e ele ficou fácil para os marcadores. Depois, um lance plástico. Bernardello cobrou falta para a área e Camara tentou uma puxeta, foi por pouco. Aos 37 da segunda etapa, o lance que quase matou os presentes no Stade Saputo do coração. A defesa falhou e a bola ficou para Osorio cara a cara com o goleiro, o canadense chutou na saída do arqueiro, a redonda foi na trave, na sobra Bernier conseguiu cortar.

As duas equipes erravam muito, principalmente o ataque dos mandantes, Di Vaio não jogava bem. O fator físico pesou no fim. Bernardello driblou três, chutou colocado perto do gol. O banco de reservas quase invadiu o campo. Bekker, meia do TFC, cobrou falta na barreira. O juiz deu quatro minutos de acréscimos, a torcida quase não falava, havia uma tensão sobre o campo. Mas, no foi no fim que veio a apoteose. Abalo sísmico em Montreal. O gol do título veio de um brasileiro. Felipe Martins foi o herói. Di Vaio puxou o contra ataque, o camisa 9 chutou uma bomba no travessão, a bola sobrou limpa para Felipe chutar por baixo do goleiro. Ao apito final, a festa. A torcida que antes do jogo veio com faixas de protesto, de cabeça para baixo, saiu do campo com mais um título da Canadian Championship.

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