Suíça: diversidade dentro e fora de campo é o grande trunfo dos suíços

Situada no centro da Europa, a Suíça se encontra ao meio de três países com culturas diferentes que deixaram um pouco de seus costumes no país. Atualmente, 20% da população suíça é composta por estrangeiros naturalizados. As primeiras aparições do país na história tem ligação com a tribo celta dos Helvécios, que após tomarem posse do território suíço visaram invadir o Sul da Europa mas foram travados pelo Império Romano, naquela que foi chamada batalha de Bibracte onde o imperador Júlio César criou soberania sobre as tribos celtas e controlou o território suíço criando cidades e fronteiras.

Após a queda do Império Romano, tribos germânicas invadiram a Suíça e dividiram a área para três tribos: Burgúndios, Alamanos e Lombardos, que, após assinarem um tratado com o imperador das tribos germânicas, Lotário I, tornaram o território independente e se integraram ao Sacro Império Romano-Germânico.

Com influências italianas e alemãs, a Suíça teve sua ligação com a França criada no século XVIII após a população suíça exigir a independência do país sobre a Confederação criada por Lotário I e se espelhar na Revolução Francesa liderada por Napoleão Bonaparte e contar com tropas napoleônicas que foram fundamentais na queda da Antiga Confederação Suíça.

Do ferrolho suíço ao estilo de jogo ofensivo

A seleção suíça obtém o recorde de minutos consecutivos sem tomar gols em Copas do Mundo, estabelecido após a seleção não sofrer gol algum na Copa de 2006, se tornar a primeira seleção da história a ser eliminada sem ser vazada, após eliminação nos pênaltis contra a Ucrânia, e continuar sem ter suas redes balançadas até a segunda rodada da Copa de 2010 quando o Chile marcou um gol aos 29 minutos do segundo tempo, estabelecendo assim o recorde.

Após a contratação do técnico Ottmar Hitzfeld em 2008, a expectativa em relação aos projetos da seleção suíça era que a retranca continuaria com o novo técnico, que é conhecido por ser um especialista em montar sistemas defensivos. O alemão, porém, implantou uma nova filosofia de jogo para os suíços que aperfeiçoaram seu poderio ofensivo com ótimos jovens das seleções de base que atuam em grandes ligas da Europa. Bons jogadores ofensivos foram se firmando e elevando o patamar da Suíça, é o caso de Granit Xhaqa, do Borussia Mönchengladbach, e Haris Seferovic da Real Sociedad que levaram a Suíça a ser campeã mundial sub-17 em 2009 e dois anos mais tarde ser vice-campeã europeia sub-21 com uma equipe liderada por Xherdan Shaqiri do Bayern de Munique.

O futebol suíço já obteve seus tempos de glória, liderados pelos irmãos André e Max Abegglen, ambos atacantes, a Suíça se manteve durante quatorze anos entre as potencias mundiais de futebol. Em 1924, Max esteve à frente da Seleção que conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris e marcou sete gols durante a campanha da seleção, sendo que três destes gols saíram na goleada imposta em cima da Lituânia por 9 a 0 durante a primeira fase da competição. A Suíça acabou perdendo a medalha de Ouro após uma grande atuação da Seleção Uruguaia. Dez anos mais tarde foi a vez dos dois irmãos atuarem juntos na Copa do Mundo sediada na Itália, onde a Suíça chegou até as quartas de final, quando foi eliminada pela Tchecoslováquia. O irmão mais novo dos Abegglen, André, ainda participou da Copa do Mundo de 1938 na França onde também atingiu as quartas de final e foi eliminada pela Hungria.

Max Abegglen era ao lado de Kubilay Türkyilmaz – atacante que atuou pela seleção entre 1998 e 2001 – o maior artilheiro da história da seleção, com 34 gols marcados por cada atacante. O recorde durou até 2008, quando Alexander Frei, ídolo do Basel e considerados por muitos o maior jogador de todos os tempos da Suíça, marcou seu 35º gol pela seleção e se tornou isolado o maior artilheiro do país, marcando ainda mais sete gols até a sua aposentadoria deixando assim a marca de 42 gols marcados pela Seleção Suíça.

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A forte equipe quem vem ao Brasil

Ottmar Hitzfeld foi o resposável por montar a seleção suíça que brilhou nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Em um grupo com seleções medianas, a Suíça se consolidou e não sofreu nenhuma derrota - venceu sete jogos e empatou três, conseguindo a vaga direta para o Mundial. O único adversário que exigiu muito da Suíça foi a jovem seleção da Islândia, com quem o time de Hitzfeld empatou em casa por 4 a 4 e conseguiu uma difícil vitória por 2 a 0 quando foi visitante. Fora a Islândia, a equipe suíça passou facilmente por seus jogos contra Eslovênia, Noruega, Albânia e Chipre.

O técnico alemão convocou um elenco que mescla a experiência de líderes da seleção com a juventude dos novos talentos. O goleiro é Diego Benaglio, titular absoluto da posição desde a Euro 2008 e que se mantém muito seguro entre as traves. Benaglio é um dos ídolos da seleção suíça e participou, ao lado de Lichtsteiner e Inler, da histórica vitória sobre a favorita Espanha na estreia da Copa de 2010, onde o sistema defensivo foi absoluto e sendo considerada a melhor partida do goleiro pela Suíça.

Mesmo não estando entre os titulares de Hitzfeld, Philippe Senderos ainda passa uma grande liderança para os companheiros de equipe, junto à dupla de zaga titular da Suíça com os sólidos Johan Djourou e Steve von Bergen. Dupla que não decepcionou e fez um grande trabalho pelas Eliminatórias. O sistema defensivo da Suíça ainda tem dois grandes laterais que sobem muito bem e estão entre os melhores laterais de suas respectivas ligas, Stephan Lichtsteiner, da Juventus (ITA) e Ricardo Rodriguez do Wolfsburg (ALE) são titulares indiscutíveis e fazem da Suíça uma seleção muito forte pelas laterais.

Inler e Behrami formam a dupla de volantes e a liderança dentro de campo passada por eles é o que torna o setor seguro para todo o time. Ambos tem ampla bagagem pela Suíça e atuam juntos no Napoli, da Itália, trazendo uma ótima saída de bola e a forte marcação vinda do futebol italiano. O jovem Granit Xhaka, destaque nas seleções de base, é uma ótima opção para Hitzfeld e com características diferentes dos titulares pode criar situações diferentes em campo.

O sistema ofensivo da Suíça é marcado por jovens com muita qualidade técnica e que brilharam nas seleçõs de base do país. Stocker, do Basel, e Shaqiri, do Bayern de Munique, são titulares indiscutíveis e juntos comandam o meio campo com estilos diferentes e ao lado de Barnetta fecham o sistema ofensivo que serve o ataque suíço.

Ottmar Hitzfeld ainda não decidiu seu atacante titular para a Copa do Mundo. O setor é disputado entre os jovens Haris Seferovic e Josip Drmic. Ambos foram testados e revezaram a posição durante as Eliminatórias com uma certa preferência em Seferovic, porém a temporada do atacante pela Real Sociedad não foi tão produtiva e o jogador esteve no banco de reservas na maior parte da temporada pelo clube espanhol.

Ao contrário de Seferovic, a temporada de Drmic foi a melhor de sua carreira e o jogador foi o artilheiro do Nürnberg pelo Campeonato Alemão, mesmo não evitando a queda do time para a segunda divisão. Os gols e o desempenho de Drmic despertaram o interesses de outros clubes da Bundesliga e o jogador foi negociado com o Bayer Leverkusen, time que atuará após a Copa do Mundo.

O favoritismo no Grupo E reflete ao trabalho de alternativas da Suíça

O fato de ser cabeça de chave em um grupo que contém a campeã de 1998, França, mostra que o trabalho realizado por Hitzfeld trouxe bons frutos ao futebol na Suíça. A equipe se mostrou muito diversificada, sabendo mudar seu estilo de jogo à medida das substituições em partidas das Eliminatórias e se encontra entre as 8 melhores do ranking da FIFA, a frente de seleções tradicionais e fortes, como Itália, Inglaterra e Holanda.

Ottmar Hitzfeld deixa bem claro que a equipe jogará no Brasil da mesma forma que se consolidou entre as melhores na Europa e que atuou tranquilamente pelas Eliminatórias. A seleção virá mais forte do que nunca e pretende ir longe na competição com seu estilo de jogo que se adequa ao adversário e com a solidez de seus jogadores em todos os setores.

A equipe se mostra mais preparada que seus adversários que estão em um nível bem abaixo do rival, é o caso de Equador e Honduras, equipes que vem de bons resultados mas contra adversários mais fortes não tiveram atuações que empolgassem. A disputa entre o primeiro lugar do Grupo E contra a França será muito equilibrada, visto que o estilo de ambas é parecido e a seleção francesa vem com novas energias após quase ficar de fora da Copa do Mundo, mas a Suíça carrega um leve favoritismo sobre os tradicionais franceses, uma pequena amostra da qualidade do seu futebol atual.

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