Irã: filhos da diáspora são a esperança iraniana no seu quarto mundial

O Irã é um país de uma cultura repleta de história e de grandes acontecimentos. Desde o Império Persa tomado por Alexandre, o Grande em 331 A.C até a Revolução Islâmica em 1979, o país sempre foi o foco dos holofotes e dos veículos de comunicação de todas as partes do mundo.

Conhecido também como um polo nuclear e temido pelas grandes potências mundiais, o Irã também é visto como uma referência no futebol asiático, com direito a 100 mil pessoas no Estádio Azadi, em jogos da seleção local. Após a ausência do último mundial, o Team Melli volta a uma Copa do Mundo reforçada com alguns "forasteiros", mas num grupo onde é difícil esperar uma boa campanha. Os iranianos terão pela frente um bicampeão mundial, um time africano rodado e um estreante europeu com bons valores.

Estreia na Copa do Mundo, novo regime e diáspora

A primeira participação do Irã foi no mundial de 1978, na Argentina. Após duas derrotas para Holanda, por 3 a 0, e Peru, por 4 a 1, o debutante persa conseguiu um empate heroico em 1 a 1 contra a Escócia, mas foi eliminado ainda na primeira fase. No ano seguinte, houve a Revolução Iraniana, com o fim do regime do Xá Reza Pahlevi e a instauração da República Islâmica do Irã, com o poder passado aos líderes religiosos e comandado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.

O novo regime implantou uma série de proibições e de sanções aos que eram contrários às medidas. Com a repressão e a regressão econômica por conta do pensamento anti-ocidente, muitos iranianos saíram do país em busca de uma vida melhor e com mais liberdade. A diáspora iraniana se espalhou em diversos países europeus e também na América do Norte. O esporte também foi afetado devido à guerra com o Iraque, em 1980, que causou a desistência da seleção nas eliminatórias para as Copas de 1982 e 1986.

Geração de ouro em 1998, mas fracassos em 2006 e 2010

Após 20 anos ausente, o Irã disputou a edição de 1998, na França, e conseguiu a sua primeira - e única - vitória em Mundiais, ao bater os Estados Unidos por 2 a 1. Apesar da tensão política, os atletas responderam com a distribuição de flores e posaram abraçados na foto oficial. Considerado o melhor time iraniano de todos os tempos, o grupo contava com notáveis jogadores, como os meias Bagheri e Mahdavikia, além do atacante Azizi, autor do gol da classificação e do ídolo Ali Daei, recordista de gols marcados pela seleção persa (109 gols em 149 partidas).

Voltou a disputar a Copa de 2006, mas sem o mesmo brilho, foi eliminada na primeira fase, com derrotas para Portugal, 2 a 0, e México, 3 a 1, e um empate com a seleção de Angola em 1 a 1.

Ídolo nacional, Ali Daei foi o encarregado em levar a equipe para o mundial na África do Sul. Até chegou à fase final da eliminatória, mas ficou de fora ao empatar em 1 a 1 com a Coreia do Sul, em Seul. Para o seu lugar, foi contratado o experiente treinador Carlos Queiroz. O português iniciou um trabalho inovador. Foi daí que os "novos" iranianos chegaram para defender os Guepardos.

Renovação e a chegada dos filhos da diáspora

O trabalho do português em trazer os iranianos da diáspora à seleção não foi visto com bons olhos por boa parte da população, pois o governo investe muito alto com os iranianos da diáspora do que com os nascidos no país. Um caso em especial foi o do meia brasileiro Edinho, de 31 anos. Ídolo no Mes Kerman, o capixaba até conseguiu a sua naturalização, mas ficou de fora da lista final de convocados.

Nas eliminatórias, o Team Melli não teve muito trabalho na fase preliminar, quando bateu a frágil seleção das Maldivas. Na terceira fase, passou em primeiro lugar no Grupo E, com Catar, Bahrein e Indonésia. Na fase final, o Irã garantiu a vaga na última rodada, com um gol do atacante Ghoochannejhad, contra a Coreia do Sul, fora de casa. Liderados pelo experiente meia Javad Nekounam, os iranianos mostraram um futebol seguro no sistema defensivo e com ótimas peças no setor de meio campo e de ataque. Destes, alguns nasceram em outras nações, mas preferiram defender o país dos seus antepassados.

Começando com o goleiro Daniel Davari, que nasceu na Alemanha e defende o Eintracht Braunschweig, equipe que foi rebaixada na Bundesliga. Apesar da má campanha, o jogador se destacou e deve deixar o clube que o revelou. Filho de mãe alemã e pai iraniano, o arqueiro de 26 anos foi convocado sete vezes, sendo titular em quatro oportunidades.

Daniel Davari

Data de Nascimento: 6/1/88

Local: Gießen (Alemanha)

Altura: 1,92m

Peso: 85kg

Convocações: 7

26/03/13: Kuwait 1x1 Irã

15/10/13: Irã 2x1 Tailândia

15/11/13: Tailândia 0x3 Irã

19/11/13: Líbano 1x4 Irã

05/03/14: Irã 1x2 Guiné

26/05/14: Montenegro 0x0 Irã

30/05/14: Irã 1x1 Angola

Na defesa, o seguro lateral-direito Steven Beitashour é americano da Califórnia, e por muito pouco não defendeu o país de nascimento. Filho de iranianos, o jogador optou em defender a nação dos seus pais e joga a MLS pelo Vancouver Whitecaps. Na seleção, adotou o nome do meio: Mehdrad. Desde 2013, o jogador atuou em sete partidas.

Steven Mehdrad Beitashour

Data de Nascimento: 1/2/87

Local: San Jose, Califórnia (Estados Unidos)

Altura: 1,78m

Peso: 74kg

Convocações: 7

15/10/13: Irã 2x1 Tailândia

15/11/13: Tailândia 0x3 Irã

19/11/14: Líbano 1x4 Irã

05/03/13: Irã 1x2 Guiné

18/05/13: Irã 0x0 Bielorrússia

26/05/14: Montenegro 0x0 Irã

30/05/14: Irã 1x1 Angola

O meio campo do Irã não ficou enfraquecido após a ausência do experiente Ali Karimi na pré-lista. Iraniano de nascimento, Ashkan Dejagah foi viver na Alemanha com 1 ano de idade, e chegou a defender o país que o acolheu nos times de base, e até era pretendido a reforçar a seleção principal, treinada por Joachim Löw. O meia teve uma brilante passagem no Wolfsburg, e atualmente atua no Fulham, da Inglaterra. Meia agudo e exímio cobrador de faltas, é uma das esperanças da equipe de Carlos Queiroz. ​Defende a seleção desde 2012.

Ashkan Dejagah

Data de Nascimento: 5/7/86

Local de Nascimento: Teerã

Altura: 1,81m

Peso: 74kg

Convocações: 14

Gols: 4

29/02/12: Irã 2x2 Catar (marcou os dois gols)

03/06/12: Uzbequistão 0x1 Irã

12/06/12: Irã 0x0 Catar

15/08/12: Tunísia 2x2 Irã

16/10/12: Irã 1x0 Coreia do Sul

14/11/12: Irã 0x1 Uzbequistão

06/02/12: Irã 5x0 Líbano

26/03/13: Kuwait 1x1 Irã

15/10/13: Irã 2x1 Tailândia

15/11/13: Tailândia 0x3 Irã (marcou um gol)

19/11/13: Líbano 1x4 Irã (marcou um gol)

05/03/14: Irã 1x2 Guiné

26/05/14: Montenegro 0x0 Irã

30/05/14: Irã 1x1 Angola

Fechando com o ataque, a esperança de gols está no heroi da classificação do time ao mundial. Conhecido como "Gucci", o atacante Ghoochannejhad fez sua carreira na Holanda, onde viveu desde os oito anos de idade. Habilidoso e veloz, o jogador passou pelas equipes de base da Laranja Mecânica, mas durante a boa fase, sofreu uma grave lesão no joelho, que custou dois anos de inatividade. Durante esse tempo, ele cursou Direito e aprendeu a tocar violino, hobby que pratica até hoje. Após o retorno aos gramados, Gucci foi para o futebol belga, onde passou pelo modesto Sint-Truiden, até chegar ao Standard Liége, quando foi descoberto pelo comandante Carlos Queiroz. Aceitou o convite de imediato. Está desde 2012 defendendo o seu país natal, e joga atualmente no Charlton Atlhetic, da segunda divisão inglesa.

Reza "Gucci" Ghoochennejhad Nournia

Data de Nascimento: 20/9/87

Local de Nascimento: Mashhad, Irã.

Altura: 1,80m

Peso: 81kg

Convocações: 14

Gols: 9

16/10/12: Irã 1x0 Coreia do Sul

14/11/12: Irã 0x1 Uzbequistão

06/02/12: Irã 5x0 Líbano (marcou dois gols)

26/03/13: Kuwait 1x1 Irã

04/06/13: Catar 0x1 Irã (marcou um gol)

11/06/13: Irã 4x0 Líbano (marcou um gol)

18/06/13 Coreia do Sul 0x1 Irã (gol da classificação à Copa do Mundo)

15/10/13: Irã 2x1 Tailândia (marcou um gol)

15/11/13: Tailândia 0x3 Irã (marcou um gol)

19/11/13: Líbano 1x4 Irã (marcou um gol)

05/03/14: Irã 1x2 Guiné (marcou um gol)

18/05/13: Irã 0x0 Bielorrússia

26/05/14: Montenegro 0x0 Irã

30/05/14: Irã 1x1 Angola

Os 23 jogadores já foram definidos pelo treinador português, mas com uma grande dúvida no sistema defensivo. Após sentir uma contusão no amistoso contra a Bielorrússia, o zagueiro Hashem Beikzadeh pode ser cortado caso se não se recuperar antes do jogo de estreia, contra a Nigéria no dia 16, em Curitiba. Já de sobreaviso, Reza Khanzadeh poderá substituir o jogador.

Confira a lista dos convocados:

Goleiros: Daniel Davari (Grasshopper-SUI), Alireza Haghighi (Sporting Covilhã-POR) e Rahman Ahmadi (Sepahan-IRA)

Defensores: Khosro Heydari (Esteghlal-IRA), Hossein Mahini (Persepolis-IRA), Steven Beitashour (Vancouver Whitecaps-CAN), Pejman Montazeri (Umm Salal-CAT), Jalal Hosseini (Persepolis-IRA), Amir Hossein Sadeghi (Esteghlal-IRA), Ahmad Alenemeh (Naft-IRA), Hashem Beikzadeh* (Esteghlal-IRA), Ehsan Hajsafi (Sepahan-IRA) e Mehrdad Pooladi (Persepolis-IRA)

Meias: Javad Nekounam (Al-Kuwait-KUW), Andranik Teymourian (Esteghlal-IRA), Reza Haghighi (Persepolis-IRA), Ghasem Haddadifar (Zob Ahan Isfahan-IRA) e Bakhtiar Rahmani (Foolad Khuzestan-IRA)

Atacantes: Ashkan Dejagah (Fulham-ING), Masoud Shojaei (Las Palmas-ESP), Alireza Jahanbakhsh (NEC Nijmegen-HOL), Reza Ghoochannejhad (Charlton Atheltic-ING) e Karim Ansarifard (Tractor Sazi-IRA)

*- Pode ser cortado. Para o seu lugar, o zagueiro Mohammad Reza Khanzadeh (Persépolis-IRA) pode ser chamado.

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