Contra a eliminada Inglaterra, Costa Rica tenta garantir liderança do Grupo da Morte
Foto: Giuseppe Cacace/AFP

Nesta terça-feira (23), no Mineirão, em Belo Horizonte, a Costa Rica buscará manter a fama de "exterminadora de campeãs" adquirida durante a Copa do Mundo no Brasil. Depois de vencer o bicampeão Uruguai e a tetracampeã Itália (por 3 a 1 e 1 a 0, respectivamente) e obter a classificação à fase de mata-mata de forma antecipada, a seleção centro-americana terá pela frente a eliminada Inglaterra, equipe que também figura na galeria dos campeões mundiais - conquistou o almejado caneco do Mundial uma vez. E os Ticos já possuem um objetivo: obter a liderança da chave. Um empate já é o bastante para a meta traçada ser cumprida.

Se em um lado a alegria toma conta, no outro o sentimento é de melancolia. Um dos mais cotados para a classificação às oitavas, o selecionado inglês vem de duas derrotas (ambas por 2 a 1, para Itália e Uruguai) e amargou a eliminação de forma precoce. Assim como no outro Mundial realizado em solo brasileiro, em 1950, o English Team cai ainda na primeira fase. Muito pouco para quem planejava voltar a fazer boa campanha numa Copa - o último desempenho relevante foi o quarto lugar na edição de 1990, jogada na Itália.

Surpresa do Mundial, Costa Rica deve dar oportunidade a outros jogadores

O técnico Jorge Luis Pinto e o assistente técnico Paulo César Wanchope garantiram que alguns jogadores devem ganhar uma chance no confronto com os europeus. Ex-jogador da seleção e ídolo nacional, Wanchope declarou que, no momento, a comissão técnica planeja dar oportunidade aos reservas para ver como eles se comportam dentro da filosofia de jogo da equipe.

"É importante dar oportunidade aos que não têm entrado constantemente em campo para ver como eles funcionam dentro do esquema", explicou o assistente.

Ainda para "Chope", é importante que a Sele saiba controlar as emoções diante da Inglaterra e mantenha intacto o esquema desempenhado nos embates contra Uruguai e Itália. Nas partidas, todos os setores da equipe se destacaram, notadamente pelo trabalho defensivo seguro, pela regularidade na posse de bola e pela criação de jogadas eficientes no campo de ataque.

Por sua vez, o defensor Christian Gamboa afirma que a preocupação de momento é obter um bom resultado contra os britânicos. Segundo ele, cada passo deve ser superado para que os tricolores sigam fazendo história. O jogador do Rosenborg, da Noruega, recordou a Copa do Mundo de 1990 - na sua primeira participação em Mundiais, a Costa Rica chegou às oitavas de final - e revelou que acredita que aquela campanha pode ser superada.

"Nós viemos aqui para fazer história e mudar esse 'fantasma de 90'. Já se passaram 24 anos e nós agora queremos escrever uma nova história, queremos nos superar e sei que este grupo pode fazer muito mais", destacou o jogador.

Pinto não confirmou as mudanças que eventualmente fará na escalação, mas classificou como boas as chances de o atacante Marco Ureña estar presente no plantel titular. O zagueiro Roy Miller e o avançado Randall Brenes também podem figurar entre os 11 iniciais.

Por ora, a hipotética formação é a seguinte: Navas; Gamboa, Umaña (Miller), Duarte, Díaz; González, Ruiz, Borges, Tejeda, Bolaños (Brenes); Campbell (Ureña).

O adversário dos Ticos nas oitavas sairá do Grupo C. Nesta chave, apenas a Colômbia já tem a vaga na próxima fase assegurada. Costa do Marfim, Japão e Grécia lutam pelo segundo lugar. Caso fiquem na liderança de sua chave, os costarriquenhos enfrentarão o vice-líder do Grupo C na Arena Pernambuco, em Recife, local do triunfo contra a Itália, no próximo domingo (29). Se terminarem a fase de grupos na segunda colocação, jogarão contra o "campeão" da outra chave no Maracanã, no Rio de Janeiro, no sábado (28).

Inglaterra procura "juntar os cacos" e se despedir da Copa com dignidade

Contra a Costa Rica, ingleses fecharão sua decepcionante participação na Copa de 2014 (Foto: Getty Images)

O duelo com os centro-americanos servirá apenas para os ingleses cumprirem tabela. Os Three Lions colecionaram mais um fiasco em Copas - não eram eliminados na primeira fase desde 1958 - e agora planejam sair da competição com honra. Após o revés para o Uruguai, o assunto que veio à tona nas mesas redondas do país foi o destino do técnico Roy Hodgson.

Hodgson se pronunciou sobre sua situação: "Eu não tenho nenhuma intenção de renunciar ao cargo. Eu tenho sido muito feliz com a forma como os jogadores têm respondido ao trabalho que tentei fazer. Estou muito desapontado, é claro, mas não sinto que é preciso eu me demitir. Por outro lado, se a FA achar que eu não sou o homem certo para fazer o trabalho, a decisão que vai prevalecer é a dela, e não a minha".

Foi aí que Greg Dyke, presidente da FA, garantiu que o treinador comandará o English Team até a Eurocopa de 2016.

"Nós somos favoráveis à permanência de Roy Hodgson", justificou o presidente.

Passados os rumores nos bastidores, Hodgson agora se preocupa com a formação da seleção nas quatro linhas. Já confirmou duas mudanças: as entradas de Frank Lampard e Luke Shaw nos lugares de Steven Gerrard e Leighton Baines, respectivamente. A primeira, no setor de meio-campo, é uma opção do técnico e a segunda, na lateral-esquerda, é em decorrência da contusão de Baines. Lampard será o capitão do selecionado britânico na peleja a ser disputada na capital mineira.

O comandante também confirmou que Alex Oxlade-Chamberlain continuará desfalcando o plantel. O meia ainda não se recuperou da lesão no joelho sofrida durante o empate em 2 a 2 contra o Equador, em amistoso preparatório para a Copa do Mundo.

"Alex voltou a sentir problemas no joelho e ficará fora. A lesão no tendão de Leighton Baines também o deixará ausente", informou o treinador.

As entradas do goleiro Ben Foster, do zagueiro Chris Smalling, dos meias Jack Wilshere, James Milner e Adam Lallana e do atacante Ross Barkley nos 11 iniciais são outras novidades dos europeus.

Para Jamie Carragher, ex-zagueiro do Liverpool e da seleção inglesa, é importante que Hodgson dê oportunidades aos jogadores mais jovens no último compromisso dos Leões no Mundial.

"Há espaço para eles. Roy pode mesclar a equipe com jogadores mais experientes e mais jovens, mas os mais jovens são os mais importantes", opinou o ex-zagueiro, em sua coluna na Sky Sports.

A Inglaterra deve ir a campo com: Foster; Jones, Cahill, Smalling, Shaw; Wilshere, Lampard, Milner, Lallana; Barkley e Sturridge.

Costarriquenhos e ingleses entram em campo às 13h, horário de Brasília. No mesmo horário, Itália e Uruguai decidem a segunda vaga do Grupo D para as oitavas de final na Arena das Dunas, em Natal.

VAVEL Logo