Robben x Messi: só um deles continuará na Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2014 já está na sua reta final. Emocionante dentro de campo, com jogos decididos nos mínimos detalhes e devidamente presentes nas páginas históricas da competição, e fora de campo, com as imensas mobilização e união promovidas por torcedores de todas as nações, o Mundial chega a sua penúltima etapa. Holanda x Argentina colocará frente a frente dois dos maiores jogadores de futebol da atualidade: Arjen Robben e Lionel Messi.

Atacantes com enorme faro de gol, Robben e Messi são referências em seus times e duelarão para ver quem manterá vivo o sonho de levantar a taça da maior competição de futebol da Terra. Quem sair derrotado permanecerá com um estigma que nenhum jogador gostaria de carregar, o de nunca ter conquistado uma Copa do Mundo. Chances não faltaram para ambos os lados, e eles terão mais uma oportunidade para mudar o quadro e fazer história. Pressão e apoio não vão faltar.

Robben quer espantar o "fantasma de 2010" e levar Holanda ao título inédito

Figura carimbada da seleção neerlandesa desde 2003, Arjen Robben sempre teve como principais características seu potente chute com a perna esquerda, sua velocidade e sua habilidade. Mesmo tendo uma carreira atrapalhada por lesões, conseguiu dar a volta por cima e justificar por que figura entre os melhores atletas dos dias atuais.

Mas as contusões não foram as únicas "maldições" que mancharam sua profissão: sua infelicidade em alguns jogos decisivos também lhe atrapalharam. Na África do Sul, na decisão da Copa de 2010 diante da Espanha, desperdiçou um gol quando esteve cara a cara com o goleiro Casillas e viu a Holanda ser derrotada na prorrogação com um gol de Iniesta. Dois anos depois, em plena Allianz Arena, na prorrogação da final da Uefa Champions League, desperdiçou um pênalti pelo Bayern de Munique, que àquela altura foi despachado pelo Chelsea por 4 a 3 na disputa de penalidades máximas.

No ano de 2013, em mais uma final continental, triunfou no lendário Estádio de Wembley ao marcar o gol do título dos bávaros contra o Borussia Dortmund no último minuto. Agora, em 2014, tem a chance de espantar o "fantasma" de quatro anos atrás e fazer os holandeses entoarem o grito de campeão mundial, que está entalado na garganta há muito tempo, tendo em vista que também saíram derrotados nas decisões de 1974 e 1978.

O Mundial disputado no Brasil é o terceiro com a presença do atacante, que também disputou a edição de 2006, na Alemanha. Àquela altura, a Holanda foi eliminada precocemente, ainda nas oitavas de final, para Portugal - perdeu por 1 a 0 - num jogo que entrou para a história das Copas por ter abrigado oito cartões amarelos e quatro vermelhos. Apesar da campanha longe de ser satisfatória, Robben foi um dos destaques individuais da Oranje: foi eleito o melhor jogador das partidas contra a Sérvia e Montenegro e contra a Costa do Marfim, vencidas pelos Países Baixos pelos placares de 1 a 0 e 2 a 1, respectivamente.

Em 2010, o avançado foi decisivo no mata-mata, balançando as redes contra a Eslováquia (2 a 1), nas oitavas, e o Uruguai (3 a 2), na semifinal. No mata-mata deste ano, também vem sendo peça importante: sofreu o pênalti que foi convertido por Huntelaar na virada de 2 a 1 frente ao México. Nas quartas, após o empate sem gols com a Costa Rica, converteu uma das cobranças da disputa de pênaltis, que terminou 4 a 3 para os neerlandeses. Na fase de grupos, marcou gol em duas partidas da Laranja Mecânica: dois na impiedosa goleada de 5 a 1 sobre a Holanda e um na suada vitória de 3 a 2 sobre a Austrália. No duelo com o Chile, deu a assistência para o gol de Depay, que decretou o triunfo por 2 a 0.

Arjen Robben tem se firmado como ídolo de uma dos selecionais mais tradicionais e respeitáveis da história do futebol e quer consolidar tal status com a tão sonhada taça do mundo. Ainda deverá ter idade para disputar mais uma ou até mesmo duas Copas, mas, para isso, terá que manter seu bom nível no futebol. Ainda assim, é evidente que ele não queira desperdiçar mais uma chance de tirar seu país da fila. Até o presente momento, são 26 gols em 80 jogos com a camisa laranja.

Acostumado com grandes feitos, Messi busca quebrar o jejum da Argentina

Segundo maior artilheiro da história da seleção argentina com 42 tentos em 91 partidas, Lionel Messi também está em sua terceira Copa do Mundo. Em 2006, época em que ainda era apontado como um jogador promissor, tornou-se o atleta mais jovem a defender a Argentina num Mundial ao entrar em campo contra a Sérvia e Montenegro no dia 16 de junho, quando ainda não tinha completado 19 anos. Naquele jogo, substituiu Maxi Rodriguez aos 29 minutos do segundo tempo, deu a assistência para o gol de Hernán Crespo e balançou as redes uma vez, fechando a goleada de 6 a 0 sobre os europeus. Foi o seu único gol naquela Copa. Também jogou no empate sem gols com a Holanda, na primeira fase, sendo titular, e nas oitavas, contra o México, entrando no final do tempo normal e jogando toda a prorrogação - os sul-americanos venceram por 2 a 1.

No Mundial de 2010, já havia deixado de ser apenas uma promessa e era o atual detentor do prêmio de Melhor Jogador do Mundo da Fifa. Os holofotes eram bem maiores. Todavia, o camisa 10 decepcionou em território sul-africano: dos 10 gols da Albiceleste no torneio, nenhum foi de autoria de Messi. E a despedida foi melancólica: goleada de 4 a 0 para a Alemanha. Quatro anos antes, os alemães também tinham sido os carrascos ao vencerem por 4 a 2 nos pênaltis, após o empate em um gol persistir por 120 minutos.

Tendo tais panoramas em vista, não é exagero dizer que a Copa do Mundo de 2014 é a melhor da carreira do argentino até então. Depois de se recuperar das lesões que o assombraram na última temporada do futebol europeu e de ter sua hegemonia na Bola de Ouro quebrada pelo português Cristiano Ronaldo - quatro das últimas cinco edições da premiação tiveram o capitão da Argentina como vencedor -, Lionel retornou à boa forma e voltou a ter as atuações que justificaram por que ele está entre os melhores do planeta.

Com quatro gols (um na vitória de 2 a 1 sobre a Bósnia-Herzegovina, um no triunfo pelo placar mínimo contra o Irã e dois na vitória de 3 a 2 frente à Nigéria), o avançado vem brigando pela artilharia do certame (tem dois gols a menos que o colombiano James Rodríguez) e foi eleito o melhor jogador de quatro das cinco partidas de sua seleção até o presente momento: as três da fase de grupos e a das oitavas de final - nela, deu a assistência para o gol de Di María, que confirmou o triunfo albiceleste diante da Suíça na prorrogação. Nas quartas, contra a Bélgica, parou no goleiro Courtois, um velho algoz seu.

Messi ainda terá que trabalhar muito para alcançar o topo da artilharia histórica do selecionado argentino (o ex-atacante Gabriel Batistuta, líder da lista, tem 56 gols), mas sua juventude (27 anos) e suas ótimas performances lhe dão totais condições de fazê-lo. A preocupação de momento é ajudar seu país a conquistar uma Copa do Mundo para se consolidar na galeria de ídolos nacionais. A Argentina não é campeã mundial desde o longínquo ano de 1986, no Mundial disputado no México, e não chegava numa semifinal há 24 anos, desde a edição de 1990, na Itália.

Defendendo as cores de sua nação desde 2005, Messi vem quebrando muitos recordes desde então. Além de ser o segundo maior artilheiro da história da equipe, é o sexto jogador com mais presenças. A quebra do jejum do selecionado sul-americano em Copas do Mundo seria mais um grande trunfo - o maior, melhor dizendo - na carreira de La Pulga Atómica, campeão olímpico com a sua pátria em 2008.

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