Por que a Copa do Mundo no Brasil é a Copa das Copas
Copa do Mundo de 2014 ficará eternamente marcada nas páginas do futebol (Foto: Bruno Domingos/Reuters)

A Copa do Mundo de 2014 terminou e já está deixando saudades. Resta iniciar a contagem regressiva para a próxima edição, a ser realizada na Rússia em 2018: faltam 1.429 dias. Problemas políticos e obras superfaturadas à parte, não é exagero afirmar que o Mundial no Brasil foi a "Copa das Copas" tanto dentro, com jogos memoráveis, quanto fora dos gramados, com torcedores de todas as nações reunidos para participar de uma festa capaz de parar um planeta inteiro.

A lista a seguir reúne 10 fatos os quais ressaltam a grande competição que todos nós acompanhamos e, o mais importante, vivemos.

1 - Alemanha tetracampeã mundial

Foto: Getty Images

Buscando reformular seu futebol com um exemplar trabalho nas categorias de base, a Alemanha, terceira colocada dos últimos dois Mundiais, já vinha colhendo o que estava plantando, mas neste domingo (13) teve o resultado mais esperado de sua safra: um título mundial. E não havia palco melhor para a redenção: o Estádio do Maracanã, local da vitória pelo placar mínimo sobre a Argentina com gol do meia Mario Götze aos oito minutos do segundo tempo da prorrogação.

A Nationalelf caiu no Grupo G e fez companhia a Estados Unidos, Portugal e Gana. Na estreia, goleou os portugueses por 4 a 0 em Salvador. Na segunda rodada, o primeiro (e único) tropeço na competição: empate em 2 a 2 com Gana em Fortaleza. A classificação ao mata-mata se confirmou na última jornada da primeira fase, com um triunfo pelo placar mínimo sobre os EUA no Recife.

Nas oitavas de final, mais uma seleção africana pelo caminho, e esta também deu muito trabalho: a Argélia segurou a Alemanha por 90 minutos, mas sucumbiu na prorrogação ao sofrer o revés por dois tentos a um em Porto Alegre. Nas quartas, outra vitória suada: 1 a 0 sobre a França, rival de outras épocas, no Rio de Janeiro, palco da decisão. Depois veio o jogo mais memorável da campanha: a goleada por 7 a 1 sobre o Brasil, seleção anfitriã e mais vezes campeã mundial, em Belo Horizonte. Na volta ao Rio, nenhum indício da facilidade encontrada em território mineiro, mas o título veio e deve ser muito festejado.

O topo da artilharia da Die Nationalmannschaft ficou com o meia-atacante Thomas Müller, com cinco gols. Atrás vêm André Schürrle (três gols), Mario Götze, Mats Hummels, Miroslav Klose, Toni Kroos (dois gols para cada um), Mesut Özil e Sami Khedira (um gol cada). Destes, apenas Hummels joga na defesa, como zagueiro.

2 - Klose, artilheiro máximo das Copas do Mundo

Foto: Getty Images

O atacante polonês naturalizado alemão Miroslav Klose, de 36 anos, chegou à sua quarta edição de Copa do Mundo com 14 gols marcados em toda a história do certame, mesmo número do ex-atacante alemão Gerd Müller, goleador em outras épocas, e somente um gol atrás do ex-atacante brasileiro Ronaldo. Bastavam dois tentos para ultrapassar o Fenômeno. E eles vieram: o primeiro contra Gana, confirmando o empate em 2 a 2, e o segundo na vitória por 7 a 1 contra o Brasil, no maior vexame da Seleção Canarinho em seus 100 anos de história. Emblemático.

Na mesma edição em que alcançou o topo da artilharia histórica do torneio, Klose também conquistou a taça do mundo. A provável despedida dos Mundiais veio em grande estilo e o atacante da Lazio, que também é o maior artilheiro do selecionado germânico com 71 gols, sairá com a sensação de dever cumprido.

3 - Costa Rica e Argélia, sensações do torneio

Foto: AFP via Getty Images

O futebol é um esporte conhecido por ser imprevisível e por ser palco de grandes surpresas. Na Copa de 2014, a história não foi diferente. Duas seleções longe da badalação das grandes equipes conquistaram o carinho do público e saíram com o status de maiores "zebras" da competição: Costa Rica e Argélia.

Líder do "Grupo da Morte", que também tinha três campeões mundiais (a tetracampeã Itália, o bicampeão Uruguai e a campeã Inglaterra), com sete pontos (venceu Uruguai e Itália por 3 a 1 e 1 a 0, respectivamente, e empatou sem gols com a Inglaterra), a Costa Rica eliminou a Grécia na disputa de pênaltis, após sofrer o empate nos acréscimos do segundo tempo regulamentar e segurar o resultado com um homem a menos na prorrogação, e caiu da mesma forma para a Holanda nas quartas, depois de o empate sem gols persistir por 120 minutos. A oitava colocação na classificação geral foi a melhor campanha dos Ticos na história dos Mundiais.

Os comandados do colombiano Jorge Luis Pinto se despediram da Copa invictos e com a melhor defesa do certame, com apenas dois gols sofridos. Os maiores destaques foram o goleiro Keylor Navas, o lateral Cristian Gamboa, o zagueiro Giancarlo Rodríguez, o meia Bryan Ruiz e o atacante Joel Campbell.

Foto: Jamie Squire/Getty Images

Integrante do Grupo H, o qual também contava com Bélgica, Rússia e Coreia do Sul, a Argélia também não era uma das seleções mais cotadas para se classificar à fase de mata-mata, mas superou as expectativas. Depois de vender caro a derrota de 2 a 1 para a Bélgica, venceu a Coreia do Sul com autoridade (4 a 2) e arrancou um precioso empate em 1 a 1 com a Rússia. Os quatro pontos foram suficientes para carimbar o passaporte às oitavas. Neste estágio, fez a Alemanha, líder do Grupo G, suar a camisa para eliminá-los. O confronto foi decidido somente na prorrogação, com a vitória dos futuros campeões mundiais por 2 a 1.

O selecionado comandado pelo bósnio Vahid Halilhodzic teve como principais jogadores o goleiro Raïs M'Bolhi, o lateral Faouzi Ghoulam, o zagueiro Rafik Halliche, o meia Sofiane Feghouli e o atacante Islam Slimani. Na classificação geral, ficou em 14º.

4 - Copa goleadora

Foto: AP via Getty Images

Com um total de 171 gols em 64 jogos, a Copa do Mundo de 2014 chegou à impressionante média de 2,67 gols por partida. Os números são exatamente iguais ao da edição de 1998, disputada na França. As partidas com mais gols foram Brasil 1x7 Alemanha, Suíça 2x5 França e Espanha 1x5 Holanda.

O maior goleador foi o meia colombiano James Rodríguez, com seis gols. O alemão Thomas Müller (cinco gols), o argentino Lionel Messi, o holandês Robin van Persie (foto) e o brasileiro Neymar (quatro tentos cada) vieram logo atrás. Destes nomes saiu o dono da Bola de Ouro da Copa: Messi, que também conquistou quatro prêmios de Man of the Match durante o torneio.

5 - A Copa dos goleiros

Foto: AFP/Getty Images

É possível uma das Copas mais goleadoras de todos os tempos também ter tido goleiros como principais destaques? Parece loucura, mas é possível sim, e a Copa do Mundo no Brasil provou isso. Das 64 partidas do Mundial, 12 tiveram um goleiro eleito como o melhor jogador do embate.

O costarriquenho Keylor Navas, goleiro menos vazado da Copa, foi agraciado com tal honraria três vezes, sendo seguido de perto pelo norte-americano Tim Howard e pelo mexicano Guillermo Ochoa, que tiveram dois prêmios cada. O brasileiro Júlio César, o argentino Sergio Romero, o argelino Raïs M'Bolhi, o italiano Gianluigi Buffon e o equatoriano Alexander Domínguez foram premiados uma vez cada.

Mesmo não tendo sido eleito o Man of the Match em uma partida sequer neste Mundial, o alemão Manuel Neuer (foto) foi o vencedor da Luva de Ouro, prêmio destinado ao jogador que é considerado o melhor goleiro da Copa do Mundo. Suas boas performances durante a campanha que levou a Alemanha ao tetracampeonato mundial lhe garantiram o troféu individual.

6 - Mondragón, o mais velho em campo

Foto: Getty Images

No dia 24 de junho, o goleiro colombiano Faryd Mondragón entrou para a história dos Mundiais ao substituir o titular David Ospina nos minutos finais da vitória por 4 a 1 sobre o Japão. Com 43 anos e três dias, batia o recorde do camaronês Roger Milla em 1994 (42 anos, um mês e oito dias) e tornava-se o jogador mais velho a entrar em campo numa Copa do Mundo.

Presente nas edições de 1994, como reserva, e 1998, como titular, Mondragón viu uma das gerações mais promissoras do futebol da Colômbia construir a melhor campanha do país na competição: quinto lugar, sendo eliminado pelo anfitrião Brasil nas quartas de final. Após a Copa, o arqueiro descendente de libaneses pendurou as chuteiras e as luvas.

7 - "Febre" latino-americana

Foto: Mario Tama/Getty Images

Das 32 seleções do Mundial, nove eram da América Latina: Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, Equador, Uruguai, Costa Rica, Honduras e México. A Copa viu um mar de latino-americanos tomar conta do território brasileiro. Não tão distante quanto a Europa, a África ou a Ásia, nosso país virou uma oportunidade para os latinos acompanharem a competição da forma que mais desejavam: de perto - ou, como muitos preferem falar, in loco.

A hospitalidade dos brasileiros ressaltou uma das maiores forças que a Copa do Mundo tem: a de unir nações. Europeus, africanos, asiáticos e oceânicos (a Austrália disputa as competições da Ásia, mas geograficamente é da Oceania) se deixaram levar pelo clima festivo da América Latina e ficaram encantados com tudo que viram. Aparentemente mais passionais, os latino-americanos foram os donos da festa.

Apesar de a seleção campeã ter sido uma europeia, pode-se dizer que a "febre" latino-americana ajudou suas seleções: das nove citadas, apenas duas caíram já na primeira fase (Equador e Honduras).

8 - Jogos de alto nível

Foto: Kevin Cox/Getty Images

Pessoas que acompanharam diversas edições de Copa do Mundo afirmam com propriedade que a edição de 2014 foi uma das melhores que viram, quiçá a melhor. E não é para menos: partidas emblemáticas e que valeram a pena acompanhar não faltaram. O estilo de jogo que mais predominou foi o ofensivo, fato o qual se refletiu na alta média de gols.

Na fase de grupos, a média quase alcançou a marca de três tentos por jogo. Diminuiu a partir das oitavas de final, é verdade, mas não foi por renúncia de ataques. Mais do que uma fase decisiva, o mata-mata é um estágio em que ataque e defesa devem estar bem conciliados - afinal, muitos dizem que "ataque ganha jogos, mas defesa ganha campeonatos" - e devem se destacar igualmente.

Se nas últimas três edições o nível dos jogos chegou a ser motivo de debates e até mesmo críticas, nesta o fato é indiscutível: o nível foi alto, um prêmio para um país que ficou conhecido por aperfeiçoar o futebol, o esporte mais apaixonante de todos. Não por acaso o selecionado agraciado com o título foi o que apresentou o futebol mais "coletivo" e conseguiu superar grandes perdas antes do pontapé inicial.

9 - Muitas prorrogações e disputas de pênaltis

Foto: Ryan Pierse/FIFA/Getty Images

Em termos de estatística, a Copa do Mundo de 2014 também igualou a de outra edição: o número de prorrogações do Mundial realizado na Itália em 1990. No total, foram oito as partidas com tempo extra: cinco das oitavas de final (Brasil x Chile, Costa Rica x Grécia, Alemanha x Argélia, Argentina x Suíça e Bélgica x Estados Unidos), uma das quartas de final (Holanda x Costa Rica), uma da semifinal (Holanda x Argentina) e a final (Alemanha x Argentina).

Metade destes jogos passou pelo último estágio de decisão, a disputa de pênaltis: Brasil x Chile, Costa Rica x Grécia, Holanda x Costa Rica e Holanda x Argentina. Como de praxe, goleiros adquiriram o posto de herói: o brasileiro Júlio César, o costarriquenho Keylor Navas, o holandês Tim Krul (este saiu do banco de reservas somente para atuar na disputa de pênaltis, um feito até então inédito em Copas) e o argentino Sergio Romero.

10 - Histórias inusitadas

Foram muitas as histórias inusitadas que se construíram por trás da realização do campeonato mundial de futebol no Brasil. A maioria veio à tona antes da competição começar. Uma delas foi a homenagem dos índios pataxós da Bahia a Klose no dia de seu aniversário (foto). Relembre outras histórias aqui.

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