DFL-Supercup: campeão, Bayern recebeu Guardiola sem perder a própria identidade

Soberano nos últimos dois anos na Alemanha, o Bayern de Munique entra à campo nesta quarta-feira (13) com os dois títulos que representam a Supercopa, ambos sendo vencidos sobre o seu rival aurinegro. Mesmo tendo perdido a mesma taça para o Borussia Dortmund na última temporada, a equipe de Guardiola se mostrou imbatível em seu país e só perdeu na 33ª rodada da última Bundesliga, onde já se sagrava campeão da competição. O time da Baviera chega mais uma vez como favorito aos títulos disputados na Alemanha e se torna mais forte a cada temporada.

Quebrando recordes na Bundesliga e destruindo seus rivais, a equipe de Munique marcou seus jogadores na história da competição e representaram a maior campanha de uma equipe no mais tradicional campeonato de seu país. Invicto e com média de 4 gols por jogo, a equipe passeou pela Copa da Alemanha e conquistou o título de forma polêmica diante do Borussia Dortmund. Sem um grande craque para comandar a equipe, o Bayern se caracterizou pelo equilíbrio em seus setores e desta maneira se tornou um dos melhores times do mundo.

Bom momento dos jogadores contribuiu com as escolhas de Guardiola

Chegando ao time que havia conquistado a Tríplice Coroa na última temporada, Guardiola tinha um time montado à sua frente, porém, não com suas características. A contratação de Mário Götze e o bom momento de Thomas Müller auxiliaram o treinador à montar a equipe da maneira como se tornou multicampeão no Barcelona. Mesmo com grandes jogadores na equipe titular, o espanhol fez alterações e iniciou sua jornada nos bávaros. Seu estilo de jogo não parecia se enquadrar na equipe que tinha se consolidado de forma diferente nos últimos anos, e Guardiola contou com o bom momento de certos jogadores para gerar resultados positivos no começo da temporada e chegar à equipe ideal.

Nos primeiros jogos frente à equipe, Pep mantinha apenas seus cinco homens da defesa como titulares fixos, alternando todo o seu meio de campo e ataque a cada jogo, experimentando novas opções para o time. Com boas atuações de Robben, Shaqiri e Müller, o espanhol liderou os bávaros que anotaram 26 pontos em 30 disputados, largando na frente dos adversários na disputa da Bundesliga. Além de contar com seus três jogadores ofensivos, o treinador deixou seu famoso esquema com o ‘falso 9’ de lado e apostou nos gols e no bom momento de Mário Mandzukic.

O camisa 9 do Bayern foi responsável por 25 gols do time na temporada, um gol a menos que o artilheiro da equipe, Thomas Müller. A chegada de Guardiola e o perfil dos jogadores da equipe ameaçaram a titularidade do atacante e antes de Mário Gomez ser negociado, o croata teve seu nome cogitado como um dos jogadores que sairiam do time de Munique. Com 18 gols marcados na Bundesliga, Mandzukic ficou há dois gols de se igualar ao artilheiro da competição, Robert Lewandowski, que substituiu o croata na nova temporada. Ganhando a confiança de Guardiola e mostrando regularidade na temporada, Mandzukic esteve presente em 44 jogos de 61 possíveis, número que passa por cima dos padrões do treinador espanhol.

Camisa 9 marcou 25 gols na temporada (Foto: Reprodução / TZ Sports)

Novo posicionamento moldou meio de campo do Bayern

Mesmo com craques em todos os setores de sua equipe, tanto titulares como reservas, o Bayern de Munique sofreu alterações em algumas funções de seu esquema, e a versatilidade de seus jogadores tornou a equipe inovadora no cenário mundial. A lesão de Thiago Alcantara na terceira rodada da Bundesliga obrigou Guardiola a mudar seu jogador de confiança na ligação entre defesa e ataque, que mesmo sendo questionado nas primeiras partidas, promoveu Phillip Lahm ao posto de primeiro volante da equipe, dando lugar ao brasileiro Rafinha na lateral direita.

O novo posicionamento de Lahm gerou mais estabilidade para a equipe bávara e o capitão esteve entre os líderes em assistências da temporada. Elogiado por Guardiola e sendo avaliado pelo treinador como o jogador mais inteligente com quem trabalhou, Lahm liderou a versatilidade do time e era peça fundamental no meio de campo do Bayern. Ao lado do capitão, quem também precisou sair de sua zona de conforto para estar entre os onze titulares foi Toni Kroos, que utilizado como um segundo volante da equipe proporcionou mais passes e aumentou o poderio ofensivo da equipe.

Disputando posição ao lado do trio Müller, Robben e Ribery, Kroos começou a ser utilizado mais recuado pelo treinador, e a função de um meia que interligava com passes rápidos o meio do campo até os quatro jogadores mais ofensivos, fez o camisa 39 ganhar a titularidade, que pertencia à Schweinsteiger, e se tornar titular absoluto da equipe. Se seu novo posicionamento tirou sua participação efetiva no ataque bávaro, seus passes beneficiaram a equipe e os artilheiros, que conseguiram mais destaque com o recuo de Kroos.

Lahm e Kroos trabalharam juntos com novos posicionamentos (Foto: Reprodução / Action Pictures)

Müller e Götze se tornaram os famosos 'falso 9' do treinador

Se o sucesso de Pep Guardiola veio ao famoso estilo de posse de bola e com Messi se tornando o melhor do mundo por quatro anos consecutivos executando a função de ‘falso 9’, no Bayern de Munique dois jogadores estiveram à disposição do espanhol para atuar em seu esquema. A contratação de Mario Götze pode ser explicada pelo perfil do jogador, apreciado pelo treinador para a função do jogador centralizado que se posta entre as duas linhas defensivas. Além do jogador que chegou do Borussia Dortmund, o artilheiro Thomas Müller se encaixou perfeitamente na alternância de Guardiola em seu sistema, e esteve efetivamente presente nas duas posições em que atuou.

Mais utilizado como falso 9, Götze esteve presente em 42 jogos da equipe, marcando 14 gols em sua primeira temporada em Munique. Sua versatilidade contribuiu com a equipe de Guardiola e sem Mandzukic, o alemão cumpriu seu papel e poderá desempenhar a função quando for acionado. Mesmo não sendo tão presente como Müller, o camisa 19 consolidou a filosofia de Guardiola ao lado do artilheiro da equipe.

Em meio à um elenco movido por estrelas de estilos ofensivos, e tendo ao seu lado um dos três candidatos à melhor do mundo (Ribery), Thomas Müller foi o destaque da temporada de estreia do treinador espanhol. Titular absoluto e sendo o jogador que mais atuou na temporada, ao lado de Neuer, com 48 jogos, Müller foi o artilheiro da equipe e o responsável pela maioria dos gols nas duas competições em que a equipe bávara saiu campeã, marcando na final da Copa da Alemanha contra o Borussia Dortmund. Müller ganhou a confiança do treinador e consolidou sua titularidade no time, em qualquer uma das funções da qual é acionado.

Campeão com sete rodadas de antecedência e 19 pontos à frente do segundo colocado, o Bayern de Munique se mostrou soberano diante dos rivais de seu país, perdendo apenas dois jogos e empatando três, um ponto atrás do seu próprio recorde, na temporada anterior. A média de quatro gols por jogo na conquista da Copa da Alemanha deixou claro que o ataque da equipe é um dos mais objetivos do Mundo, e as conquistas de Guardiola mesclaram no estilo de toque de bola do treinador, e da objetividade da equipe quando foi treinada por Jupp Heynckes.

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