Dérbi de Manchester: estratégias de Van Gaal para retomar a liderança da Premier League

Mais uma vez o comandante Louis Van Gaal colocará à prova sua filosofia de jogo neste domingo (25), quando Manchester United e City fazem o dérbi municipal em partida válida pela 10ª rodada da temporada 2015/16 da Premier League. Inúmeras vezes criticado pelo seu confuso sistema de rodízio, o treinador holandês precisará investir em seus principais talentos para retomar a liderança do campeonato inglês.

Indiscutivelmente, o elenco do United é um dos melhores da Premier League. O ponto fraco do plantel pode ser visto apenas no setor defensivo, com poucas peças e com algumas improvisações que o comandante holandês realiza durante as partidas. Desde o início da temporada, LVG vinha colocando Daley Blind de zagueiro ao lado de Smalling, mas com a volta de Phil Jones, o holandês acabou perdendo sua vaga. É impossível saber e prever o time titular para o jogo de domingo, mas o setor mais criticado dos Red Devils vêm tendo boas atuações.

Equilíbrio defensivo

A improvisação de Blind na zaga levou medo aos torcedores do United, tanto pela surpresa quanto pelo fato de o holandês ter feito uma temporada 2014/15 magistral na lateral esquerda, substituindo o lesionado Luke Shaw. Com a lesão de Jones, a dupla seria Smalling e Blind. Surpreendentemente, ambos encontraram a boa forma e vêm ajudando o United a conquistar os resultados positivos: oito gols sofridos nos nove jogos da Premier League. A média chega a quase um gol por jogo, porém a equipe detém a segunda melhor defesa na temporada, ao lado do próprio City, adversário da rodada.

Uma das principais contratações para o ano, o lateral direito Matteo Darmian vem excedendo as expectativas e sendo um dos destaques do United já em seu ano de estreia. O italiano tem uma média de 3.2 tackles (desarmes) e quase duas interceptações por partida, números que demonstram seu diferenciado QI defensivo. Ofensivamente, auxilia o forte meio campo com um entrosamento já visto com Ander Herrera e principalmente Juan Mata.

A lesão de Luke Shaw levou mais dúvidas ao pensamento de Van Gaal. De início, o holandês improvisou Valencia na lateral direita e puxou Darmian para a esquerda. O equatoriano não aproveitou a oportunidade e Marcos Rojo assumiu a ala esquerda, retomando o italiano à sua posição de origem.

Com a volta de Phil Jones, o esperado era colocar o holandês onde atuou com excelência na última temporada e formar o quarteto defensivo com Darmian, Jones, Smalling e Blind. Porém, Van Gaal decidiu barrar o seu conterrâneo e manter Rojo na esquerda, e o argentino correspondeu. Não vem comprometendo e auxilia tanto defensivamente quanto ofensivamente, demonstrando uma perceptível melhora em seu futebol.

Porém, o bom desempenho defensivo da equipe não é de responsabilidade total do quarteto e sim, de uma forte proteção que vem do meio campo, que será de exímia importância para parar o forte poderio ofensivo do City comandado por Kevin de Bruyne.

Darmian, Smalling, Jones e Blind deverão formar o quarteto defensivo titular para o restante da temporada (Foto: Getty Images)

Compactação e ligação defesa-ataque

O setor central do United é um dos melhores da Inglaterra. O meio-campo já excelente da última temporada formado por Ander Herrera e Juan Mata ganharam ainda mais força com as excelentes chegadas do francês Morgan Schneiderlin e do multicampeão alemão Bastian Schweinsteiger. O anúncio das contratações durante a janela de transferências levaram esperança para os adeptos ao clube de Manchester: Schneiderlin, exímio volante de contenção que havia feito uma temporada excelente no Southampton e Schweinsteiger, alemão com currículo de dar inveja em qualquer um.

Obviamente a contratação mais baladada foi de Bastian, mas é o francês quem vem demonstrando seu talento de todas as formas possíveis quando surgem as oportunidades. Claro, o campeão do mundo com a Alemanha na última Copa do Mundo é um dos melhores meias da atualidade, mas devido às necessidades do United, a presença do francês é mais perceptível.

Na Premier League, Schneiderlin é o líder da equipe defensivamente: média de mais de três desarmes por jogo, além de 2.8 interceptações por partida. Ofensivamente, Morgan já marcou um gol, na vitória diante do Everton na última rodada. A vulnerabilidade da defesa do United é visível quando o francês está ausente, como na impressionante derrota para o Arsenal.

Van Gaal escalou Michael Carrick e Schweinsteiger, deixando Morgan no banco. Resultado: dois gols dos Gunners em menos de vinte minutos. A idade de Carrick vai pesando e o volante não é o mesmo que foi na última temporada, e Bastian não é o homem ideal para ocupar a posição de primeiro volante. Portanto, Schneiderlin é necessário nessa equipe, fazendo função similar ao de Sergio Busquets no Barcelona.

Ao lado de Morgan, o alemão se sente seguro para demonstrar seu excelente futebol, e contribui diretamente no poderio ofensivo da equipe. Schweinsteiger conta com uma ótima visão de jogo e enorme capacidade de se livrar da pressão adversária com facilidade. A ligação defesa-ataque passa pelos pés do alemão e do francês, e ambos são necessários na equipe titular tanto para a partida contra o City quanto para a sequência da temporada.

A noção ofensiva do United passa por pés espanhois. Ander Herrera e Juan Mata melhoram ainda mais a qualidade do setor central da equipe, e seus talentos não podem ser desperdiçados, como feito por Van Gaal em algumas partidas, onde o holandês chegou a nem colocar o camisa 21 para jogar em certas oportunidades.

É visível a necessidade de Herrera para a organização no meio campo. O espanhol é responsável pela transição entre os volantes - Morgan e Bastian - e Juan Mata, sendo utilizado algumas vezes ao lado do camisa 8. Ander já tem dois gols e uma assistência na atual Premier League, além também de uma média de quase dois key passes (passes-chaves) por jogo. Defensivamente, mais de um desarme por jogo, provando que sua versatilidade é uma de suas melhores qualidades.

O entrosamento de Ander com Juan Mata é visível. O camisa 8 vem em ascenção desde sua excelente última temporada, e a tendência é evoluir ainda mais com as presenças de Morgan, Bastian e Herrera a sua volta no setor central. Mata tem três gols e três assistências só na Premier League, com uma média de quase dois key passes por confronto. O espanhol divide a responsabilidade de ser o 'camisa 10' da equipe junto com Herrera, e ambos vem correspondendo a altura e transformando o meio campo do United em um dos melhores do mundo.

Excelência do meio campo passa pelos pés de Schneiderlin e Ander Herrera (Foto: Getty Images)

Variação e continuidade

Mais uma vez Van Gaal vem surpreendendo a todos com suas escolhas para compor o ataque do United. Seu conterrâneo Depay, uma das principais contratações ainda no início da janela da Europa, não vem rendendo o esperado e tem ficado no banco de reservas. Rooney vem tendo uma de suas piores temporadas e a braçadeira de capitão e história na equipe pesam para LVG não o barrar em algumas oportunidades.

Andreas Pereira e Ashley Young seguem como coadjuvantes e vão aproveitando as oportunidades que surgem: o brasileiro atuou bem na Capital One Cup diante do Ipswich Town e ainda deixou sua marca com um golaço de falta, já o inglês também demonstra sua importância de forma direta e indireta quando possível.

Surpreendentemente, o principal nome do ataque no momento foi a última contratação para a temporada: Anthony Martial. Transferido junto ao Monaco-FRA por uma bagatela de mais de 200 milhões de reais, o francês chegou com o peso do valor investido em si e a pressão que cerca um dos maiores clubes do mundo. Nada que o impedisse de demonstrar seu talento logo em sua estreia na equipe diante do Liverpool. Martial fez um golaço na vitória por 3 a 1 diante dos Reds, e desde então vem rendendo o esperado.

O valor é o de menos. A inflação no mercado - principalmente no europeu - é visível. Claro, a transferência foi altíssima mas uma constante não muda: se o jogador rende, o preço é deixado de lado. Como James Rodríguez por exemplo. O jovem colombiano chegou ao Real Madrid após uma excelente Copa do Mundo por 80 milhões de euros (240 milhões de reais). James rendeu o esperado e hoje em dia o valor não é citado como antes.

O mesmo com o meia Kevin de Bruyne, contratado pelo Manchester City por cerca de 277 milhões de reais. O belga vem tendo atuações sensacionais pelo clube rival do United e é um dos principais jogadores que podem ser responsáveis pela derrota dos Red Devils na rodada.

Voltando ao Martial após a 'aula' de finanças, o francês já tem três gols e uma assistência na Premier League, além de um gol na Uefa Champions League. O jovem, mesmo com apenas 19 anos, é dotado de uma inteligência tática e força física diferenciada, característica demonstrada nos confrontos mano-a-mano com os defensores, onde Martial quase nunca perde a posse e consegue dar sequência à jogada.

A vitória no dérbi pode passar pelos pés do francês. Na verdade, todos os 11 poderão e irão fazer a diferença para o United durante o clássico. Resta a Van Gaal escolher - sabiamente -, se utilizará o velho conhecido 4-4-2, variando entre 4-2-2-2 (Herrera e Mata na linha de frente a Morgan e Bastian) e 4-2-1-1 (Mata atuando como camisa 10 e Herrera realizando a ligação defesa-ataque), ou também um possível 4-3-3 com o retorno de Memphis ao time titular.

Torcedores comemoram gol de Martial na estreia diante do Liverpool; cena pode se repetir se francês marcar diante do rival Manchester City (Foto: Getty Images)

A questão é saber o que Van Gaal pode fazer, visto que o treinador é um dos profissionais mais imprevisíveis do futebol mundial. Seja qual for o time titular, o clássico servirá para saber o quão alto esse United pode chegar na temporada. Nada melhor do que um dérbi municipal contra o líder e melhor time inglês na temporada para saber a reposta. City e United se enfrentam neste domingo (25), ao 12h05, horário brasileiro de verão.

(Foto: Getty Images)
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