Platini é acusado por Blatter de iniciar crise na Fifa e afirma desvantagem em eleição

Após silêncio e alguns raros momentos de declarações apaziguadoras, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, disparou acusações e atingiu um alvo em especial. Em entrevista à agência de notícias TASS, da Rússia, o suíço direcionou suas palavras para Michel Platini, presidente da Uefa.

Ambos estão afastados do futebol por três meses, com a possibilidade de aumentar a punição por mais 45 dias, por causa do escândalo de corrupção na alta cúpula do esporte mais conhecido do planeta. O Comitê de Ética da Fifa retirou os dois de suas respectivas funções devido a um pagamento de 2 milhões de francos suíços (atualmente R$ 7,7 mi).

Segundo Blatter, toda a reviravolta administrativa na Fifa começou por conta de “inveja e ciúme” por parte de Platini. De acordo com o mandatário da entidade-mor há 16 anos, o escândalo desvendado, com a prisão de sete altos executivos no final de maio, e a sequência das investigações lideradas pelas autoridades suíças e FBI, começou com a atitude de Platini, que despertou o interesse da União Europeia, que se movimentou para tirá-lo do poder.

“Eu me tornei o alvo principal do ataque porque já há três anos, e especialmente depois da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a Uefa não me queria mais como presidente. Foi um ataque orquestrado sobre o presidente da Fifa. Mas as outras confederações, elas estavam comigo. Apenas a Uefa tentou me derrubar. Eles não conseguiram. Mesmo com esse tsunami, eu fui reeleito presidente”, disse Blatter.

O homem-forte do futebol, hoje com 78 anos de idade, afirmou que Platini iniciou o ataque, que recebeu apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos por causa da escolha de Rússia e Qatar como sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. Joseph Blatter também foi questionado sobre os motivos de um dos maiores jogadores de futebol da França não gostar dele.

“No começo era apenas um ataque pessoal. Era Platini contra eu. Ele começou, mas então se tornou político. E quando é político, não é mais apenas Platini contra eu. Mas você não pode destruir a Fifa. A Fifa não é um banco suíço. A Fifa não é uma companhia comercial. Vocês terão de perguntar a ele, e nós saberemos. Porque ele queria ser presidente da Fifa. Mas ele não teve a coragem para chegar a presidente. E agora nós estamos nesta posição do futebol”, continuou.

Blatter também voltou a dizer que o órgão regulador do futebol mundial não está em crise e que seu afastamento das atividades relacionadas ao esporte foi causado por pressão midiática. Segundo ele, os procedimentos normais a serem adotados não foram tomados e o Comitê de Ética foi forçado a tomar essa decisão.

“A Fifa está trabalhando bem, organizando competições e todos os programas de desenvolvimento. A Fifa é tão bem organizada que até mesmo grandes rivais na Alemanha têm de dizer que a Fifa está melhor organizada que o futebol alemão. Desde que me tornei presidente da Fifa, nós tornamos a Fifa uma grande companhia comercial. E isso provoca inveja e ciúme. O futebol nunca esteve tão bom como agora. É realmente bom futebol em todo lugar. A Fifa não está em crise. A governança da Fifa está em crise. Seria crise se você matar no mesmo dia o presidente, o secretário-geral e o vice-presidente da maior confederação”, concluiu o suíço.

Michel Platini também se pronunciou. Não precisamente sobre as declarações do presidente da Fifa, mas sobre as eleições para seu sucessor. Segundo o francês, os outros candidatos estão ligeiramente à frente na disputa por causa do seu afastamento. Dessa forma, não há como Platini fazer campanha aberta e chegou a cogitar uma espécie de complô contra sua candidatura, em entrevista concedida ao jornal Le Matin, da França.

“Essa suspensão me impede de fazer campanha e lutar com as mesmas armas dos meus concorrentes. Querem me impedir de me candidatar porque sabem que eu tenho grandes chances de ganhar. Construí essa trajetória com honestidade e, modéstia à parte, sou o mais preparado para dirigir o futebol mundial. Me vejo como um cavaleiro na Idade Média diante de uma fortaleza. Tento entrar para trazer o futebol de volta e me recebem com óleo quente na cabeça. Sou o único que tem visão transversal do futebol. Fui jogador, técnico da seleção francesa, dirigente de clube, com o Nancy, organizador de uma Copa do Mundo e atualmente dirijo a mais poderosa das confederações”, afirmou.

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