Real Madrid 2017/18: seguir empilhando taças com um futebol inteligente e eficiente
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Atual campeão do Campeonato Espanhol, bi campeão da Supercopa Europeia e bi campeão da Liga dos Campeões. Esse é o Real Madrid de Zinedine Zidane que conquistou seis dos últimos oito títulos disputados sob o comando do francês. Com a venda de reservas "de luxo", contratos renovados e canteranos, o elenco principal não mudou e Florentino Pérez, presidente do clube, trouxe o futuro ao Santiago Bernabéu com nomes como Vallejo, Ceballos e Theo.

A missão agora é repetir as façanhas, vencer o Mundial de Clubes em dezembro, lutar por um tri europeu, um bi no Campeonato Espanhol e conquistar o troféu que ainda falta: a Copa do Rei. Seria o ano de pensar no famoso triplete? Tudo depende da continuidade um trabalho que já começou a temporada com um título, a da Supercopa da Europa.

A pré-temporada com pé esquerdo: três derrotas em quatro jogos

Zidane levou os garotos da base para a pré-temporada nos EUA (Foto: Reprodução/Getty Imagens)
Zidane levou os garotos da base para a pré-temporada nos EUA (Foto: Reprodução/Getty Imagens)

A pré-temporada teve foco na parte física, era o que pediu Zidane e o que foi fundamental para a temporada 2016/17. Sob supervisão do treinador, muitos jogadores da base do clube, os chamados canteranos, viajaram com o elenco para os EUA.  O foco era recuperar a forma dos titulares e reservas do time principal e evitar lesões. Ninguém jogou 90 minutos completos, por isso a participação dos garotos foi fundamental. 

Importante citar que o principal nome do conjunto blanco, Cristiano Ronaldo, não pisou na América. Como disputou a Copa das Confederações com Portugal, o jogador teve as férias adiadas.  O português só se apresentaria no dia 5 de agosto, em Madri, dias antes da Supercopa da Europa. 

Os resultados na International Champions Cup não foram positivos - três derrotas em três jogos. Empatou na estréia com o Manchester United e perdeu nos pênaltis, foi goleado pelo Manchester City por 4 a 1 e derrotado pelo Barcelona por 3 a 2 no El Clásico de Miami, o primeiro em anos disputado fora da Espanha. A única vitória foi nos pênaltis contra os astros da Major Soccer League, liga de futebol dos EUA.

Mas quando a coisa era para valer: título na Supercopa da Europa

Ao vencer o United, Real Madrid conquistou o bi campeonato da Supercopa da UEFA (Foto: Reprodução/Getty Imagens)
Ao vencer o United, Real Madrid conquistou o bi campeonato da Supercopa da UEFA (Foto: Reprodução/Getty Imagens)

As derrotas na pré-temporada não refletiram no Real Madrid que foi a campo na Macedônia para ficar com a taça da Supercopa da Europa. Vitória sobre o Manchester United de José Mourinho por 2 a 1, numa atuação impecável de Casemiro e Isco - autores dos gols, para começar a nova temporada levantando taça. As principais peças do bi campeão da Europa estavam ali: Toni Kroos, Luka Modric, Marcelo, Sergio Ramos, Asensio, Isco, Vázquez, Carvajal, Varane, Benzema, a volta de Bale - que teve boas oportunidades de marcar, e Keylor Navas se agigantando quando necessário. 

O título veio sem Cristiano Ronaldo em campo, o português jogou apenas os últimos minutos entrando no lugar de Benzema - mais para agradar a torcida do que para fazer alguma diferença em campo. A conquista consolidou um estilo Zidane de comandar o time que para ele não se divide em reservas e titulares, é um elenco que funciona sob conjunto e com peças que não deixam o time dependente de um ou dois jogadores. 

Zidane reviveu o madridismo no vestiário: confiança, união e um pouco de fé 

Zidane conquistou 6 dos 8 títulos que disputou como técnico da equipe principal do Real Madrid (Foto: Reprodução/Getty Imagens)
Zidane conquistou 6 dos 8 títulos que disputou como técnico da equipe principal do Real Madrid (Foto: Reprodução/Getty Imagens)

Zidane entregou ao Real Madrid mais do que o esperado, sem precisar de discursos com "tempo de adaptação" ou "está só começando". Tomou conta do vestiário, estudou "as peças" e viu mais do que tinham consigo enxergar, usou e abusou do que a equipe merengue tinha de melhor - essa afirmação inclui comissão técnica que ele montou e instalações esportivas com recursos invejaveis. Zizou não pensou em 11, pensou em 23 jogadores, o que deve e muito ter colaborado para o que  já foi dito por Lucas Vázquez, Sergio Ramos, Isco e tantos outros: "somos uma familia". 

Pode-se atribuir os resultados conquistados nos últimos meses a uma séries de fatores que incluem ter jogadores como Cristiano Ronaldo, Toni Kroos, Luka Modric, Casemiro, Asensio, Isco,  Marcelo, Carvajal e o ano espetacular "mítico" de Sergio Ramos e seus gols salvadores. Mas nada disso levou sozinho o Real Madrid ao topo da Europa pela segunda vez consecutiva.

A rotatividade do elenco, preparação física invejavel que fez CR7 e tantos outros jogadores chegarem muito bem fisicamente no fim da temporada, a coletivdade de se pensar primeiro na vitória e depois em conquistas individuais, são 65 jogos (oficiais) seguidos balançando as redes pelo menos uma vez - com 22 artilheiros diferentes, todos os jogadores de linha do elenco de 2016/17 marcaram gols. 

Era como se o Real Madrid sob o comando de Zidane tivesse percebido a sua capacidade, suas qualidades e entendido que pode a qualquer momento mudar o resultado do jogo. Pensamento que por muitas vezes fez o torcedor merengue sofrer e apresentou péssimos primeiros tempos ao clube da capital espanhola.

Não foram uma ou duas coletivas pós-jogo em que o discurso sobre "o time entrar mal na primeira etapa mas se encontrar no segundo tempo" foi repetido pelo treinador. Poucos foram os jogos na última temporada em que o merengues "decidiram" o resultado na primeira etapa. Muitos foram os resultados conquistados no último cruzamento, na última bola, nos últimos minutos, no acreditar e dar certo - e por fé ou sorte, sempre deu. 

Adeus aos reservas de luxo, um olá ao futuro 

Foi Florentino Pérez quem acostumou o mundo a ver os melhores jogadores se mudarem para Madri, dessa vez o roteiro foi um pouco diferente. Quando você já tem aqueles que considera os melhores do mundo, sua prioridade passa a ser mantê-los. Então foi o que a diretoria merengue planejou, para isso precisou abrir mão de alguns reservas de luxo para trazer o futuro ao Santiago Bernabéu. 

Dani Ceballos foi apresentado no Santiago Bernabéu no dia 20 de julho de 2017
Dani Ceballos foi apresentado no Santiago Bernabéu no dia 20 de julho de 2017

As mudanças começaram pelo o que era mais previsível. James Rodríguez, o maior nome do futebol colombiano na atualidade, foi emprestado ao Bayern de Munique de Carlo Ancelotti por duas temporadas por 10 milhões de euros - cerca de 37 milhões de reais, com opção de compra para os bávaros. A saída do meia era uma das mais esperadas, sem espaço como títular absoluto e com Isco e Asensio em seu melhor momento, o camisa 10 teve bons números na última temporada mas se despediu de Madri com a certeza de que dificilmente voltará. Para sua vaga, o Real Madrid comprou por 17 milhões de euros o jovem Dani Ceballos, do Real Betis, eleito melhor jogador do Mundial sub-21 de 2017. Foi a última contratação anunciada, mas sem dúvidas uma das mais aguardadas pelos torcedores - principalmente os espanhóis. 

Um trabalho reconhecido de um jogador que estava emprestado na Espanha foi o de Marco Llorente, o jovem volante que estava emprestado ao Deportivo Alavés fez ótima temporada no clube do País Basco e voltou ao Real Madrid a pedido do treinador merengue, ainda que no elenco Casemiro seja titular absoluto e Mateo Kovacic seja seu reserva. O croata no entanto, faz bem a parte defensiva mas é mais agil e capaz de driblar a marcação, caraterista um tanto difetente do brasileiro que tem aparecido com mais frequencia no ataque nos últimos jogos e passou a treinar finalizações com Cristano Ronaldo. 

Zidane chegou a conversar com Florentino Pérez e pedir para que ele não negociasse o brasileiro Danilo, para o treinador merengue o lateral era uma peça fundamental no elenco e importante para o grupo. Mas, foi um desejo do jogador sair e assim foi feito, vendido para o Manchester City de Guardiola por 30 milhões de euros. A vaga que ficou, reserva de Dani Carvajal, ainda não foi preenchida mas pode ter um dono em vista. Zidane tem observado e já subiu o garoto canterano Achraf Hakimi, 18 anos, para treinar com a equipe principal. Deve ser ele a opção momentânea para a posição. 

Acostumado a realizar as maiores transferências, a tradição continuou no Real Madrid, dessa vez vendendo um reserva por 80 milhões de euros. Álvaro Morata foi vendido para o Chelsea e se tornou a venda mais cara de um espanhol em toda a história. Mas ele não foi o único atacante de quem o Real Madrid se desfez, Mariano foi vendido para o Lyon por 8 milhões de euros. Ficaram no elenco, Karim Benzema - que segundo o presidente do clube é inegociável, e o jovem Borja Mayoral, que voltou do emprestimo ao Wolfsburg da Alemanha. Ainda especula-se que o Madrid esteja atrás de outro atacante para suprir a saída de Morata, o nome mais forte é o de Mbappé - que nas últimas semanas parece ter entrado também em negociação com o PSG e o Barcelona. 

Vallejo (esquerda) já pertencia ao Real Madrid, Theo (direita) foi comprado do rival Atlético de Madrid
Vallejo (esquerda) já pertencia ao Real Madrid, Theo (direita) foi comprado do rival Atlético de Madrid

Também deixaram o elenco, o português Fábio Coentrão que foi ao Sporting por empréstimo, e o zagueiro brasileiro Pepe, que não entrou em acordo com os valores e tempo de renovação oferecidos pelo Real Madrid e se transferiu, após o fim do contrato,  para o Besiktas da Turquia. Para os seus respectivos lugares, o Real Madrid trouxe de volta Jesús Vallejo, jovem zagueiro emprestado ao Eintracht Frankfurt da Alemanha, e comprou o lateral do Alavés, Theo Hernández - que pertência ao Atlético de Madrid, por 30 milhões de euros. 

Quanto ao gol merengue, no qual muito se especulou sobre uma vinda de David De Gea, nada mudou, pelo menos no primeiro e no segundo goleiro. Keylor Navas foi bancado por Zidane e pelo elenco, que pediram ao presidente que o goleiro não fosse vendido. Kiko Casilla também permaneceu no grupo e está à disposição de Zidane, sem intenção de mudar a cor de sua camiseta pelas próximas temporadas. Já o terceiro goleiro, Rubén Yáñez, pediu a direitoria merengue para ser negociado, quer mais minutos e deve ter um novo destino anunciado nas próximas semanas. Para a terceira vaga, Luca (filho de Zidane) foi promovido à equipe principal. 

Manter o presente e pensar no futuro: o objetivo é permanecer no topo 

Casemiro se tornou homem de confiança de Zidane (Foto: Reprodução/Getty Imagens)
Casemiro se tornou homem de confiança de Zidane (Foto: Reprodução/Getty Imagens)

Se hoje o clube merengue é o time a ser batido, isso é fruto de um trabalho bem feito por Zidane, jogadores, comissão técnica e completamente apoiado pelo presidente Florentino Pérez. O Real Madrid que pensava apenas no presente e vivia se cercando de astros balados para conquistas amanhã, se mostra safisteito com os jogadores que tem e muda a sua preocupação para o futuro.  Contratar pensando no que vem depois, porque o presente não poderia se apresentar melhor.  Uma mudança de pensamento que deixa claro os objetivos do clube: manter-se por muito tempo no topo do futebol europeu e mundial. 

Todos os títulos são possíveis para 2017/2018 do clube. Mas o objetivo é sempre aquele. É impensável para o Real Madrid deixar a Liga dos Campeões em segundo plano. Com o bi campeonato de 2016 e 2017, o clube merengue poderia encarar a disputa com menos pressão do que nos anos anteriores, mas quando o assunto é a competição, o objetivos dos "homens de branco" é fazer a fila de orelhudas aumentar no Santiago Bernabéu.

A obsessão pela competição europeia é umas das poucas coisas que não mudou e não vai mudar por ali. O tri pode ter ares de impensável, mas até pouco tempo imaginar que um tecnico sem experiência em um time profissional de primeira divisão conquistaria duas Liga dos Campeões seguidas também era falar em "devaneios". 

Um bi campeonato na Liga faria feliz todo madridista, foi na temporada passada um objetivo principal e deve ser cobrado de novo pela diretoria. Ganhar o Campeonato Espanhol não é fácil, ainda mais porque você o disputa com Barcelona e Atlético de Madrid. Mais uma vez se tem pela frente um desafio onde as rotações serão fundamentais para ficar com a liderança e o titulo. 

A cereja do bolo é a Copa do Rei, titulo que falta para Zinedine Zidane e que pode se tornar um objetivo para o time. Eliminações precoceses para o padrão Real Madrid nas últimas temporadas - a de 2015/16 sob o comando de Rafa Benitez - são uma motivação a mais para conquistar a copa do país. De novo serão necessarias as rotações de elenco. 

É poético e ilusório dizer que esse time pode conquistar tudo que quiser, estamos vivendo o começo de uma "Era Zidane" que ainda não se vê um fim. Até onde esse time "familia" pode ir, por mais quanto tempo vai sustentar o título de campeão da Europa, são cenas que vamos acompanhar nos próximos capitulos.

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