Pênalti perfeito, clima e cor da camisa: as teorias de Stephen Hawking com o futebol

Físico inglês, que faleceu nesta quarta-feira (14), despejou parte de sua genialidade para ajudar a seleção inglesa de futebol, com várias teorias sobre as características do jogo

Pênalti perfeito, clima e cor da camisa: as teorias de Stephen Hawking com o futebol
Stephen Hawking foi um dos maiores físicos da história da humanidade (Foto: Gary Gershoff/WireImage via Getty Images)

O mundo perdeu nesta quarta-feira (14) uma de suas grandes referências intelectuais. O físico britânico Stephen Hawking faleceu aos 76 anos na Inglaterra. Hawking estudou temas bastante complexos como a gravidade e a origem do universo, além de criar a teoria da singularidade do espaço-tempo. Ele também ficou famoso por ser portador da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença raríssima que afeta os neurônios motores, responsáveis pelos movimentos voluntários. Por isso, ele mal conseguia se movimentar e falava por meio de um sintetizador eletrônico que produzia uma voz computadorizada.

Mas as teorias de Hawking vão além da física. O britânico também tem ligação com o esporte, mais precisamente com estudos relacionados ao futebol.

A relação mais famosa é a da Teoria do Pênalti Perfeito. Hawking desenvolveu essa ideia para ajudar a Inglaterra na Copa do Mundo em 2014, no Brasil. Segundo ele, os jogadores que batem no alto, em qualquer canto, têm 84% de chance de acerto – porcentagem que pode aumentar se o pênalti for cobrado com a parte interna do pé. Além disso, não há diferença de aproveitamento entre canhotos e destros e, se o jogador der mais de três passos na corrida até acertar a bola, segundo Hawking, tem 87% de chance de acerto.

O estudo chegou até mesmo a uma conclusão que, segundo ele, “um dos grandes mistérios da ciência”: jogadores ruivos ou carecas tem chance maior de acerto do que os outros. O britânico também analisou os goleiros, e concluiu que aqueles que saltam antes da cobrança tem 18% a mais de chance de defender do que aqueles que esperam a batida.

A relação de Hawking com o futebol, entretanto, não para por aí. Analisando quase 50 jogos de Copas do Mundo desde 1966, o britânico cravou cinco fatores determinantes que poderiam aumentar as chances de título do seu país: ambiental, fisiológico, político, psicológico e tático. Questões como a altitude, o cansaço e a temperatura ambiente também poderiam interferir – para Hawking, por exemplo, o English Team reagia melhor nas partidas em locais com até 500m acima do nível do mar, à tarde e com temperatura mais baixa.

O uruguaio Luiz Suárez chegou a ser chamado de “bailarina” por Hawking (Foto: Chris Brunskill/Getty Images)
O uruguaio Luiz Suárez chegou a ser chamado de “bailarina” por Hawking (Foto: Chris Brunskill/Getty Images)

Além disso, ele acreditava que a Inglaterra deveria jogar com a sua segunda camisa – historicamente vermelha – para intimidar mais os adversários e utilizar em campo o esquema 4-3-3, mais eficiente do que o 4-5-1 ou o 4-4-2, por exemplo.

Nesses estudos ele acabou dando uma cutucada em Luís Suárez. Ao concluir que a Inglaterra tinha mais sucesso jogando em partidas comandadas por árbitros europeus, ele justificou afirmando que esses árbitros não costumam ser enganados por atitudes mais teatrais e citou o centroavante uruguaio do Barcelona. “Precisamos de um árbitro europeu. Eles são mais empáticos com o futebol inglês do que com bailarinas como Luis Suárez”, disse Hawking. Curiosamente, na época Suárez jogava no futebol inglês (era um dos grandes destaques do Liverpool) e, no Mundial de 2014, enfrentou a Inglaterra na fase de grupos e foi o destaque, fazendo os dois gols da vitória por 2 a 1 do Uruguai.

Formado em física na Universidade de Oxford em 1962, Hawking desenvolveu a relação com o esporte desde aquela época, ao praticar remo na instituição. Ademais, ele fez um discurso na cerimônia de abertura das Paralimpíadas de 2012 em Londres, incentivando o desenvolvimento da curiosidade das pessoas.

Hawking esteve presente – e discursando – na abertura das Paralimpíadas de Londres (Foto: Dan Kitwood/Getty Images)
Hawking esteve presente – e discursando – na abertura das Paralimpíadas de Londres (Foto: Dan Kitwood/Getty Images)