Perda ofensiva: sem Kane, Inglaterra encontra dificuldades para atacar e marcar gols
Kane marcou metade dos gols da Inglaterra em 2017 (Foto: Adriann Denis/AFP)

Harry Kane tem sido, nos últimos anos, um dos principais jogadores do futebol mundial. Em 2017, o inglês chegou ao auge e marcou 56 gols, sendo o maior artilheiro do mundo nos 12 meses em questão – superando ninguém menos que Lionel Messi, com 54. Com todos esses números excelentes, é de se imaginar que o artilheiro das duas últimas edições da Premier League pelo Tottenham seja essencial também para a sua seleção.

Porém, no começo de março, Kane sofreu uma lesão no ligamento lateral do joelho direito na vitória dos Spurs por 4 a 1 sobre o Bournemouth pela PL. O fato preocupou a todos, pensando em um possível comprometimento à sua participação na Copa do Mundo da Rússia, em junho. Mas o Tottenham logo confirmou que a lesão não era tão grave e que o outrora capitão da esquadra nacional ficaria disponível já em abril.

Com isso, ele perdeu os dois primeiros jogos da Inglaterra em 2018, ambos na última semana: vitória por 1 a 0 sobre a Holanda e empate em 1 a 1 com a Itália. E o desempenho do ataque inglês nessa partida evidenciou a confirmação da teoria: o English Team tem produções ofensivas bem distintas com e sem o seu camisa 9.

Lesão recente preocupou, mas Kane estará na Copa (Foto: Divulgação/Tottenham Hotspur)
Lesão recente preocupou, mas Kane estará na Copa (Foto: Divulgação/Tottenham Hotspur)

Basta comparar os desempenhos ofensivos dos campeões mundiais de 1966 em todos os seus jogos desde 2017. Nesse período, a Inglaterra fez 12 partidas e, curiosamente, seis foram com Kane e seis sem ele – ausências graças a duas lesões sofridas pelo artilheiro, uma no ligamento do tornozelo direito em março e outra no joelho em novembro. O número semelhante de partidas facilita a comparação e torna ainda mais clara a dependência do camisa 9 na seleção.

Por conta das lesões citadas, o artilheiro não esteve em campo em seis das últimas 12 partidas da Inglaterra. Em três delas, o English Team não marcou gols. Foram na derrota por 1x0 para a Alemanha e nos empates em 0x0 contra a mesma Alemanha e contra o Brasil, todos amistosos em 2017. Nas duas igualdades, inclusive, a Inglaterra conseguiu igualar uma marca não muito desejável: foi a primeira vez desde 1998 que eles empataram dois jogos seguidos em casa por 0x0.

Além disso, nesses jogos, os Three Lions foram extremamente limitados nas finalizações. Foram 11 na derrota para a Alemanha, nove no empate seguinte contra os alemães e quatro contra o Brasil. Na primeira partida, o time deu apenas dois chutes na direção do gol, assim como no jogo contra o Brasil. Já no segundo confronto contra os atuais campeões mundiais, pior ainda: apenas um chute na direção da meta em 90 minutos.

Além desses jogos, mais um foi realizado sem Kane no ano passado: a vitória por 2 a 0 sobre a Lituânia, já pelas Eliminatórias da Copa. Foi o melhor desempenho ofensivo da Inglaterra no último ano sem seu atacante titular: 21 chutes a gol, quatro no alvo e dois gols.

Vardy tem sido o principal substituto de Kane na seleção (Foto: Claudio Villa/ Getty Images)
Vardy tem sido o principal substituto de Kane na seleção (Foto: Claudio Villa/ Getty Images)

Em 2018, os dois primeiros jogos do English Team foram sem Kane (os últimos amistosos contra Holanda e Itália). Na vitória de 1x0 sobre os holandeses, os ingleses deram 11 chutes, três na direção do gol. Já no empate em 1x1 contra os italianos, 12 chutes, seis no alvo – um desempenho proporcionalmente melhor em relação às outras partidas.

Porém, é só Kane entrar em campo que esse desempenho muda radicalmente. Das 12 partidas desse recorte, ele participou de seis, todas em 2017. Dessas, a Inglaterra venceu quatro, com o atacante marcando gols em todas. Além disso, nos únicos tropeços, o camisa 9 também marcou: dois na derrota por 3 a 2 para a França em amistoso, e o salvador nos acréscimos do empate em 2 a 2 contra a Escócia, pelas Eliminatórias da Copa. Os quatro triunfos do período também foram durante as Eliminatórias – vitórias por 4 a 0 sobre Malta, 2 a 0 sobre a Eslováquia e 1 a 0 contra Eslovênia e Lituânia.

A Inglaterra também chutou muito mais a gol: foram 102 finalizações em seis jogos com Kane, contra 68 nas partidas sem ele. Contra a Eslovênia, por exemplo, sua equipe chegou a tentar 23 finalizações. Além disso, com o 10 do Tottenham, o English Team mandou 39 bolas no alvo, enquanto sem ele foram apenas 18 tentativas – menos da metade de situações. Com isso, nesse período com a presença do atacante, em nenhum jogo a Inglaterra saiu sem marcar gols, balançando as redes duas vezes em três partidas (sem ele, fez isso em apenas uma oportunidade) e quatro vezes em um jogo, na vitória por 4x0 sobre Malta. Em 2017, por exemplo, dos 14 gols ingleses, sete (50%) foram marcados pelo centroavante.

TABELA: Estatísticas do ataque da Inglaterra desde 2017 (12 jogos)

A dependência de Kane vai além dos números e dos gols. Sem seu principal jogador, o técnico Gareth Southgate também precisa se virar com o que pode para extrair o melhor desempenho ofensivo possível de seus comandados. Nos seis jogos sem o camisa 9, a Inglaterra não conseguiu repetir seu esquema entre os avançados. Nas duas primeiras partidas, contra Alemanha e Lituânia, Jamie Vardy e Jermain Defoe, respectivamente, jogaram sozinhos no comando do ataque, tendo dois mais atrás para alimentação de jogadas no primeiro duelo (Adam Lallana e Dele Alli) e três no segundo (Lallana, Alli e Raheem Sterling).

Já nos últimos quatro jogos sem Harry Kane, contra Alemanha, Brasil, Holanda e Itália, os Three Lions foram para campo com dois atacantes no time. Vardy jogou ao lado de Tammy Abraham contra os alemães e de Marcus Rashford contra os brasileiros. Rashford esteve ao lado de Sterling contra os holandeses, e contra os italianos Vardy voltou aos titulares com o mesmo Sterling.

Com o capitão em campo, entretanto, a tendência é a manutenção do esquema. Em cinco dos seis jogos que esteve presente (Escócia, França, Malta, Eslováquia e Lituânia), ele jogou como único atacante do time nos esquemas 4-2-3-1 ou 3-4-2-1. Atrás dele, de forma mais ofensiva, apoiavam Rashford, Alli, Lallana, Sterling e Alex Oxlade-Chamberlain. Apenas contra a Eslovênia o time entrou com dois atacantes, e Kane jogou ao lado de Rashford.

Kane tem 12 gols na carreira pela Inglaterra (Foto: Mike Egerton/PA Images via Getty Images)
Kane tem 12 gols na carreira pela Inglaterra (Foto: Mike Egerton/PA Images via Getty Images)

Tudo isso escancara de forma evidente a importância que Harry Kane tem hoje para a seleção da Inglaterra. Caso a sua recuperação corra da maneira esperada, ele volta a campo para as rodadas finais da Premier League e a tempo da semifinal da FA Cup contra o Manchester United, em 21 de abril. A Inglaterra ainda fará dois amistosos no começo de junho, contra Nigéria e Costa Rica, antes de entrar em campo pela Copa do Mundo. Os ingleses estão no grupo G, ao lado de Bélgica, Tunísia e Panamá.

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