Lendas da Copa do Mundo: Gordon Banks

Lendas da Copa do Mundo: Gordon Banks

Goleiro e destaque do único título inglês em Copas do Mundo, Gordon Banks é considerado um dos melhores da posição na história do futebol

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Bruno Bezerra

O futebol para sempre recordará Gordon Banks por seus reflexos impressionantes e sua elasticidade notável, sobretudo após a "defesa do século" realizada após cabeça de Pelé na Copa do Mundo de 1970. Um dos melhores goleiros da história do futebol mundial, Banks tem seu nome para sempre marcado na história do futebol e das Copas do Mundo. 

Infância complicada e os primeiros passos

Nascido em Sheffield, no ano de 1937, Banks se mudou para Catcliffe ainda na infância e viu sua vida mudar após seu pai abrir uma casa de apostas que custou a vida de seu irmão, morto após uma discussão no local. A tragédia revoltou o jovem, que deixou a escola em 1952 e passou a trabalhar, entre outras coisas, como ajudante de pedreiro. Paralelo à vida recheada de vigas, concreto e tijolos, que contribuíram em uma boa estrutura óssea e muscular, Banks jogava com os colegas na equipe amadora de Millspaugh. 

Apenas em 1956, já com quase 19 anos, que Banks conseguiu a grande chance de sua carreira ao ganhar a confiança de Teddy Davison, que o levou ao Chesterfield para ganhar apenas três libras por semana. Com uma política destinada em jovens talentos, Banks começou a se destacar na equipe de juniores que foi vice-campeã da Copa Inglesa na temporada 1955/56, perdendo a final para os Busby Babes do Manchester United, que tinham jogadores como Bobby Charlton, que viria a ser companheiro de Banks nos Three Lions, anos depois.

O auge no Leicester City

Com um salário um pouco maior, de 13 libras por semana, o goleiro de 1,85m viu no Leicester a oportunidade para provar seu valor para todo o futebol inglês. O começo, no entanto, foi complicado, pois os Foxes tinham cinco goleiros no elenco, incluindo Banks. Aos poucos,o goleiro ganhou a confiança da torcida e do técnico, passando a treinar mais as saídas em cruzamentos e treinando além do tempo para se aprimorar rapidamente. O esforço deu resultado e o goleiro assumiu de vez a camisa número um, sendo um dos responsáveis por levar a equipe a final da FA Cup de 1960/61. Na decisão, porém, Banks e seus companheiros não resistiram à força do Tottenham Hotspurs e perderam por 2 a 0.

Em uma partida diante do Manchester United, Banks precisou usar seu talento debaixo das traves para pegar um cachorro que invadiu o campo. (Foto: Chris Morpet/Getty Images)
Em uma partida diante do Manchester United, Banks precisou usar seu talento debaixo das traves para pegar um cachorro que invadiu o campo. (Foto: Chris Morpet/Getty Images)

Em 1963, o Leicester voltou a disputar uma final de Copa, mas novamente foi derrotado, pelo Manchester United de Bill Foulkes, Denis Law e Bobby Charlton. Na temporada 1962/63 os Foxes ficaram na quarta posição do Campeonato Inglês e co a segunda melhor defesa do torneio, 53 gols em 42 jogos.Apenas na temporada seguinte, Banks levantaria seu primeiro trofeu: a Copa da Liga Inglesa, conquistada após um empate em 1 a 1 e uma vitória por 3 a 2 sobre o Stoke City. No mesmo ano, recebeu sua primeira convocação para o English Team, comandado por Alf Ramsey, conquistando a confiança do treinador após falhas do então titular Ron Springett.

Campeão do Mundo e mudança para o Stoke City

A Inglaterra teria um grande desafio: sediar a Copa do Mundo em 1966. O ótimo time que contava com Bobby Moore, Ray Wilson, Nobby Stiles, Bobby Charlton, Roger Hunt e Goeff Hurst teve Banks como destaque, mantendo a meta inglesa intacta nas primeiras quatro partidas do time no Mundial (0 a 0 com o Uruguai, 2 a 0 no México, 2 a 0 na França e 1 a 0 na Argentina). O camisa 1 só foi superado no final da partida contra Portugal, na semifinal, quando Eusébio, de pênalti, descontou para os portugueses na vitória inglesa por 2 a 1.

Na decisão, os donos da casa tiveram pela frente a excelente perigosa Alemanha, comandada por Beckenbauer. Em um jogo polêmico com o famoso gol que não entrou dos ingleses, os Leões venceram por 4 a 2, na prorrogação, e faturaram seu primeiro e até agora único título mundial da história. Banks foi eleito o melhor goleiro da Copa e integrou a equipe dos melhores jogadores do torneio, além de ter sido eleito o melhor goleiro do mundo pela FIFA. 

Banks foi o grande destaque do mundial (Foto: Allsport UK/Getty Images)
Banks foi o grande destaque do mundial (Foto: Allsport UK/Getty Images)

Porém, depois de 293 jogos de liga disputados pelo Leicester City, Banks perdeu espaço na equipe em 1967, com a ascensão do jovem arqueiro Peter Shilton. Já com 29 anos, o goleiro foi demitido pela diretoria e logo não demorou muito para o goleiro encontrar um novo destino, o Stoke City. 

A defesa do século e o Mal de Montezuma

Banks continuou intacto como titular da Inglaterra e com a mesma base de 1966, os ingleses entraram em 1970 como favoritos para a Copa do Mundo, no México. Para azar da Inglaterra, a equipe teve logo na fase de grupos times bem difíceis pela frente: a Romênia, a Tchecoslováquia(vice-campeã do mundo em 1962) e o Brasil. Na estreia, o time inglês fez uma partida ruim, mas conseguiu derrotar os romenos por 1 a 0 com gol de Hurst. Na partida seguinte, foi a vez do Brasil. 

Seria no duelo mais aguardado daquele mundial que Banks conseguiria escrever para sempre seu nome na história graças a uma defesa impressionante e inesquecível. Era começo de jogo e o Brasil atacava a Inglaterra pela direita, com Jairzinho. O Furacão foi até a linha de fundo e cruzou a bola centímetros antes de ela ultrapassar a linha. A bola foi ao encontro do Rei, Pelé, que cabeceou forte, preciso e para o chão, o que deixaria a vida de Banks mais complicada, num lapso de segundo e em um lance de puro reflexo, o arqueiro saltou da esquerda de seu gol para a direita e deu um tapa na bola para o alto, mandando a bola para escanteio.  Banks tinha consciência do feito que tinha acabado de realizar e não escondeu o sorriso tempo depois de seu milagre. 

"Foi a defesa mais importante da minha vida. Eu estava na primeira trave e tive de pular o mais rápido possível. Ao mesmo tempo tive que pensar a que altura a bola subiria depois de tocar no chão. Quando estiquei a mão e toquei na bola, não sabia onde ela ia parar."

Mesmo sendo derrotado pelo Brasil, a Inglaterra venceu a Tchecoslováquia e garantiu classificação as quartas de final, para enfrentar a Alemanha Ocidental. Nas vésperas da partida decisiva contra os germânicos, Banks degustou de vários quitutes, pimentas e bebidas mexicanas, sofrendo no dia seguinte com uma severa e impiedosa crise intestinal. A lenda do “Mal de Montezuma”, foi uma suposta “vingança” do líder asteca Montezuma II, morto pelos espanhóis em 1520 e desde então, quase todos os gringos que visitam o país provam desse veneno. 

Sem condições de jogo, Banks teve de ser sacado do time inglês para a entrada de Peter Bonetti, do Chelsea. Sem a mesma experiência e talento do titular, Bonetti até viu seu time abrir 2 a 0, mas não conseguiu segurar o ímpeto dos alemães, sofreu três gols que decretaram o a virada alemã e a vingança de 1966.

Último título e aposentadoria forçada

Após a conquista da Copa da Liga Inglesa pelo Stoke City, seu primeiro e único título pelo clube, após vitória por 2 a 1 sobre o Chelsea na final, Banks foi eleito o melhor futebolista do ano na Inglaterra e mostrou que podia continuar por mais alguns anos jogando em alto nível. No entanto, em outubro de 1972, o goleiro sofreu um acidente que lhe obrigou a pendurar as luvas. Ao tentar fazer uma ultrapassagem em uma curva acentuada, seu carro deu de frente com outro e o goleiro só acordou no hospital com cerca de 200 pontos no rosto e diversos micropontos em seu olho direito, que não resistiu à gravidade dos ferimentos e não voltou ao normal. Sem a plena visão do lado direito, os movimentos de Banks no gol foram afetados completamente e seria impossível para ele continuar jogando pela seleção e por seu clube em alto nível. Com isso, já em 1973, o camisa 1 anunciou a aposentadoria aos 35 anos.

Porém, o goleiro ainda teria um retorno aos gramados. Em 1977, Banks aceitou o desafio de voltar a jogar por pouco tempo e vestiu a camisa do Fort Lauderdale Strikers, dos EUA, no período do boom do soccer graças à presença de várias estrelas mundiais como Pelé, Beckenbauer, Gerd Müller, entre outros. Banks fez grandes atuações mesmo com um só olho bom e ainda foi eleito o melhor na posição de todo o campeonato. 

Banks e Pelé. (Foto: Divulgação/NASL)
Banks e Pelé atuando pela NASL. (Foto: Divulgação/NASL)

Legado e nome escrito na história do futebol

Desde Banks, jamais a Inglaterra teve um goleiro tão bom, tão ágil e tão premiado. Ray Clemence, Peter Shilton, David Seaman, Joe Hart, nenhum desses chegou ao mesmo patamar de Banks. A IFFHS colocou Banks como o segundo melhor goleiro do século, superado apenas pelo lendário soviético Lev Yashin. 

Em 1980 Banks publicou sua primeira autobiografia, Banks of England. 22 anos depois, ele publicou uma autobiografia mais abrangente em 2002 chamada Banksy: My Autobiography. O autor irlandês, Don Mullan, publicou um livro de memórias de infância no ano de 2006 chamado Gordon Banks: Um herói que poderia voar, em que escreveu sobre a influência do goleiro da Inglaterra em sua vida. 

Foto: Clive Mason/Getty Images
Foto: Clive Mason/Getty Images

O senhor das defesas impossíveis. Um homem de sorriso sempre enorme e largo que se transformava debaixo das traves. Ele estava lá para defender, da maneira que fosse. Apesar de ter tido que remover um rim em virtude do câncer e ter sido novamente diagnósticado com a doença, o ex-goleiro de 79 anos não perde o bom humor: 

"Já parei Pelé. Posso superar o câncer, também!"

Banks esteve no sorteio dos grupos para a Copa do Mundo de 2018 e deve ter ficado satisfeito com o chaveamento do English Team. 

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