Desastre de Munique, título de 1966 e idolatria: Bobby Charlton e sua trajetória em Copas do Mundo

Desastre de Munique, título de 1966 e idolatria: Bobby Charlton e sua trajetória em Copas do Mundo

Sobrevivente do acidente aéreo que matou oito companheiros de Manchester United, Bobby Charlton confirmou as expectativas ainda quando jovem e se tornou um dos melhores jogadores de futebol do mundo

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Pedro Henrique Guimarães

Marcada nas últimas Copas do Mundo por desempenhos aquém do esperado, a Seleção Inglesa já viveu seus tempos de glória no Mundial. O único vencido pelo English Team, em 1966, teve como um dos destaques Bobby Charlton, atualmente condecorado com o título de Sir, na época com 29 anos.

Neste especial, a VAVEL Brasil relembra a trajetória do atacante na Inglaterra, onde é um dos principais ídolos não apenas no English Team, mas também no Manchester United, conquistando oito títulos entre 1954 e 1973.

Antes de chegar a Seleção Inglesa, Charlton fazia parte de uma juventude que chamava atenção pelo seu talento dentro de campo. No United, era um dos Busby Babes, carinhoso apelido dado ao elenco dos Red Devils, comandado à época pelo treinador escocês Matt Busby, que tinha média de idade de apenas 22 anos.

Dois meses antes de sua estreia pelo English Team - em abril de 1958, sobreviveu ao desastre aéreo de Munique, quando 23 pessoas entre jornalistas, jogadores e comissão técnica do United morreram após a queda do avião em que estavam, voltando para a Inglaterra depois de um jogo contra o Estrela Vermelha, da Ioguslávia, pela Liga dos Campeões.

Em seu primeiro jogo, participou da goleada sobre a Escócia por 4 a 0, em confronto válido pelo Campeonato Britânico de Nações. Em sua segunda partida pela Seleção, marcou os dois gols na vitória por 2 a 1 sobre Portugal em um amistoso no Wembley; retornando a Belgrado – cidade que o United jogou antes do desastre aéreo, Charlton teve péssima atuação, potencializada pelo trauma do acidente e a Inglaterra acabou perdendo por 5 a 0 para a Seleção Ioguslava.

Bobby estreou pelo English Team em 1958 | Foto: PA Images via Getty
Bobby estreou pelo English Team em 1958 | Foto: PA Images via Getty

No elenco da Copa de 1958, Charlton não atuou por nenhum minuto; quatro anos depois, começou a brilhar com a camisa da Seleção

No mesmo ano, seu desempenho prévio o qualificou para o elenco que disputaria a Copa do Mundo na Suécia. Durante a competição, no entanto, não atuou em nenhum minuto em um dos piores retrospectos ingleses em Mundial – foram quatro jogos, três empates e uma derrota, sendo eliminado na primeira fase.

Já em 1962, na Copa do Chile, Bobby teve papel importante: com apenas 24 anos, marcou na vitória por 3 a 1 sobre a Argentina, ainda na fase de grupos. O gol foi seu 25 pela Seleção em apenas 38 jogos. No entanto, a Inglaterra acabou eliminada nas quartas de final pelo Brasil, que viria a conquistar o bicampeonato mundial naquele ano.

Contra o Brasil, Charlton acabou não brilhando e a Seleção Inglesa foi eliminada pelos brasileiros | Foto: Propper Foto/Getty
Contra o Brasil, Charlton acabou não brilhando e a Seleção Inglesa foi eliminada pelos brasileiros | Foto: Popper Foto/Getty

Charlton se torna um dos melhores jogadores do mundo e conquista Copa de 1966

Após o desempenho na Copa do Mundo de 1962, Chalrton passou a desenvolver um papel em campo diferente do que vinha fazendo. Transformou-se no que hoje em dia é chamado de meia-atacante. Em 64, marcou um gol na vitória por 10 a 0 sobre os Estados Unidos em um amistoso, seu 33 na Seleção Inglesa.

Apesar do papel mais recuado – Jimmy Greaves assumiu a função de centro-avante, Charlton seguia marcando gols e participando das principais criações de jogadas do English Team. Nos meses anteriores ao Mundial de 66, que seria disputada na Inglaterra, a expectativa era que Bobby, já considerado um dos melhores jogadores do mundo à época, se tornasse um dos principais nomes que poderiam, enfim, levar o título da Copa do Mundo para o país britânico.

E não deu outra. A campanha do título começou com um empate em 0 a 0 contra o Uruguai. Na segunda partida, Bobby marcou o primeiro gol na vitória por 2 a 0 sobre o México. Pelo mesmo placar, o English Team venceu a França, avançando às quartas-de-final.

Diante da Argentina, vitória por 1 a 0 e vaga garantida para semifinal diante de Portugal, partida que Bobby teria papel fundamental. Com dois gols, o ídolo inglês liderou sua Seleção para o triunfo por 2 a 1 diante do time lusitano – Eusébio diminuiu para os portugueses. O resultado garantiu o English Team na final diante da Alemanha Ocidental.

Na decisão, Charlton acabou sendo anulado pelo jovem zagueiro Beckenbauer | Foto: Rollspress/Popper Foto via Getty
Na decisão, Charlton acabou sendo anulado pelo jovem zagueiro Beckenbauer | Foto: Rollspress/Popper Foto via Getty

Na decisão, Bobby não teve atuação de destaque como diante de Portugal – muito pelo fato do jovem zagueiro Franz Beckenbauer, com apenas 21 anos, ter anulado o atacante português. No entanto, o zagueiro alemão não conseguiu anular Geoff Hurst, que marcou um hat-trick na decisão.

A partida começou equilibrada, mas aos 12 minutos, Helmut Haller abriu o placar para os alemães. Hurst, de cabeça, empatou sete minutos depois. Já na etapa complementar, aos 77 minutos, Martin Peters virou para os ingleses e as mais de 90 mil pessoas no Wembley pareciam já comemorar o título. No entanto, já no fim do segundo tempo, Wolfgang Weber empatou para a Seleção Alemã, forçando a prorrogação.

Coube a estrela de Hurst brilhar no tempo extra para garantir o título inédito do English Team, marcando os dois gols na vitória por 4 a 2 – Bobby chegou a acertar o travessão ainda com o placar em 2 a 2.

O primeiro gol de Hurst na prorrogação – seu segundo no jogo, é discutido até hoje, com estudos científicos comprovando que o gol não deveria ser validado. O atacante ex-West Ham completou cruzamento de Alan Ball, finalizando com precisão; a bola bateu no travessão, quicou e saiu de dentro do gol.

Coube ao árbitro Gottfried Dienst, incerto se a bola entrou ou não, decidir a validade do tento. Antes de definir, Dienst consultou o bandeirinha, que confirmou o gol sob muita confusão entre ingleses e alemães dentro de campo.

Alemães e ingleses discutem se chute de Hurst entrou ou não; arbitragem validou o gol | Foto: Popper Foto/Getty
Alemães e ingleses discutem se chute de Hurst entrou ou não; arbitragem validou o gol; Charlton (dir.) foi um dos mais sucintos na reclamação | Foto: Popper Foto/Getty

Este gol polêmico serviu de plano de fundo para uma situação ligeiramente contrária na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, quando a Inglaterra marcou um gol contra a Inglaterra, mas a arbitragem não validou dizendo que a bola não entrou; no entanto, o esférico avançou cerca de 33 cm depois da linha.

No último minuto, Hurst novamente marcou e a torcida inglesa invadiu o campo para comemorar o título inédito; o jogador se tornou o primeiro a marcar três vezes numa final de Copa do Mundo.

Jogadores ingleses comemoram gol validado pela arbitragem; lance foi alvo de estudos científicos, que comprovaram que a bola não entrou | Foto: Getty Images
Jogadores ingleses comemoram gol validado pela arbitragem; lance foi alvo de estudos científicos, que comprovaram que a bola não entrou | Foto: Getty Images

Aos 33 anos, Bobby participa de sua última Copa do Mundo

Já aos 33 anos, Charlton foi chamado para a Copa do Mundo de 1970, mas não balançou as redes. A Inglaterra chegou às quartas de final, onde perdeu por 3 a 2 para a Alemanha Ocidental.

O confronto diante dos alemães foi o último de Bobby com a camisa da Seleção Inglesa. No total, atuou 106 vezes pelo English Team, marcando 49 gols - o segundo maior artilheiro, atrás apenas de Wayne Rooney.

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