Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 2010
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Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 2010

Com um nível técnico "baixo", Mundial de 2010 deixou a desejar em qualidade, mas não em emoção e surpresas

gerinhalobo
Gêra Lobo

Pode-se dizer que, das Copas do Mundo realizadas neste século, a da África do Sul, em 2010, foi a mais "sem graça", pelo menos futebolisticamente falando. Claro que, como sempre, muita festa foi feita, ainda mais por ser a primeira vez que o maior torneio de futebol do planeta chegou na África, mas em relação aos jogos, a Copa deixou bastante a desejar.

O fato destacável foi o fato de ela sagrar um campeão inédito e de quase ver um país africano alcançar as semifinais pela primeira vez na sua história. Mesmo assim, as festas feitas tanto dentro, como fora do estádio, e a empolgação de um povo deslumbrado com a oportunidade de "comandar" um torneio dessa magnitude fizeram com que a Copa do Mundo de 2010 fosse especial e histórica.

País-sede: a Copa chega à África

A Copa do Mundo finalmente chegou ao território africano. Para alcançar esse feito, a África do Sul bateu outros quatro países africanos: MarrocosEgito e uma conjuntura entre Líbia Tunísia. Vale lembrar que essa foi a primeira copa com "rotação continental", processo de alternar o país ou países onde se realiza a prova entre membros de cada confederação.

Nove cidades foram sedes da Copa do Mundo: Joanesburgo (dois estádios),  Bloemfontein, Cidade do Cabo, Durban, Nelspruit, Polokwane, Porto Elizabeth, Pretória, e Rustemburgo. Foram construídos cinco estádios para a Copa, algo histórico, já que a região nunca teve estádios dedicados ao futebol exatamente, só com o enfoque em Rugby e Críquete, os dois esportes mais tradicionais do país.

Foto: Getty Images
Muita alegria nos estádios | Foto: Getty Images

Mesmo com uma tradição bem "pobre" em relação ao futebol, a alegria, empolgação e êxtase do torcedor sul-africano foi algo contagiante. Pode-se dizer que foi uma das copas mas carismáticas da história, pela alegria de um povo que viu aquilo como uma oportunidade de mostrar ao mundo que sabe sim fazer uma festa.

Fase de grupos: anfitriã faz "história" e dois gigantes ficam pelo caminho

Suárez contra a África do Sul | Foto: Ivan Martinez/AP
Suárez contra a África do Sul | Foto: Ivan Martinez/AP

A empolgação da sua torcida parece não ter servido muito para os jogadores da África do Sul. Anfitriã, os sul-africanos até tentaram, mas foram a primeira seleção sede a ser eliminada na primeira fase da Copa do Mundo, em um grupo bem "chato", por assim dizer, com UruguaiMéxico França. O último país citado que foi vice-campeão em 2006, na última copa de Zinédine Zidane, mas foi uma completa tragédia em 2010, ficando em último no grupo, conseguindo apenas um pontinho e perdendo para a África do Sul.

Atual campeã naquela época, a Itália foi uma decepção ainda maior naquela Copa do Mundo. Em um grupo com ParaguaiEslováquia Nova Zelândia, esperava-se que os atuais campeões passassem o carro, certo? Bom, não foi bem assim. A Azzurra terminou na última colocação do grupo com míseros dois pontos, não conseguindo vencer um jogo. O pior: caso empatasse, de novo, na última rodada contra os eslovacos, a Itália passava, mas a derrota por 3 a 2 selou uma campanha completamente vexatória.

Vexame histórico da atual campeã | Foto: Ivan Martinez/AP
Vexame histórico da atual campeã | Foto: Ivan Martinez/AP

Por outro lado, os outros favoritos não decepcionaram. Holanda Argentina foram impecáveis na primeira fase, vencendo os três jogos. Mesmo sem vencer as três, BrasilEspanha Alemanha não tiveram tantos problemas assim. Quem quase caiu fora foram os ingleses, que passaram em segundo no Grupo C com cinco pontos, mesma pontuação do líder Estados Unidos e apenas um a mais que a terceira Eslovênia. Não era uma Copa fácil.

Oitavas: Poucas surpresas e continente africano bem representado

Apenas um país africano se classificou para a segunda fase: Gana. E a seleção que apresentava um futebol intenso e muito bom de se ver, encarou um Estados Unidos pronto para surpreender. Em uma partida emocionante do início ao fim, com direito a prorrogação, Asamoah Gyan, um dos grandes nomes daquela Copa, classificou os africanos para às quartas, algo inédito.

Asamoah Gyan classificou Gana para as quartas | Foto: Kevork Djansezian/Getty Images
Asamoah Gyan classificou Gana para as quartas | Foto: Kevork Djansezian/Getty Images

De resto, nenhuma grande surpresa nos confrontos das oitavas de finais. Espanha e Holanda tiveram dificuldade para bater, respectivamente, Portugal e Eslováquia. Brasil uma alta superioridade e venceu com facilidade o Chile, enquanto a Alemanha enfiou um 4 a 1 na Inglaterra e os argentinos bateram o México por 3 a 1. Resumindo: nenhuma grande surpresa.

Quartas: Brasil dá adeus e Uruguai elimina Gana em um jogo histórico

Se as oitavas de finais não tiveram tanta coisa para se comentar, as quartas foram bem mais interessantes. Começando pelo confronto que nenhum brasileiro gosta de lembrar. Após abrir 1 a 0 com Robinho, o Brasil viu a Holanda e Wesley Sneijder entrarem em ação na segunda etapa, quando o camisa 10 marcou dois gols, em uma falha de Júlio Cesar e outro de cabeça, e classificou os holandeses para a semifinal. Uma verdadeira decepção canarinha em solos sul-africanos.

Júlio Cesar não foi bem na partia | Foto: Getty Images
Júlio Cesar não foi bem na partida | Foto: Getty Images

Mas a partida mais emocionante da Copa, provavelmente, aconteceu em Joanesburgo, no estádio da decisão, entre uruguaios e ganeses. Gana saiu da frente para delírio do Soccer City com Muntari no final do primeiro tempo. Porém, logo no início do segundo, Diego Forlan, eleito o craque daquela Copa, deixou tudo igual em cobrança de falta.

Após 90 minutos, tudo igual e a decisão foi para a prorrogação. Quando a partida se encaminhava para os pênaltis, em um lance na área uruguaia, Luis Suárez salvou o gol em cima da linha, só que com a mão: pênalti para Gana. Asamoah Gyan, grande estrela do time, cobrou e... mandou no travessão. Nas cobranças de pênaltis, Uruguai aproveitou a queda emocional dos ganeses e venceram. Um jogo que estará para sempre na história das copas.

Jogadores uruguaios foram ao êxtase | Foto: EFE
Jogadores uruguaios foram ao êxtase | Foto: EFE

Semifinais: Espanha "copeira" e Holanda elimina grande surpresa

Pode parecer estranho não termos citado tanto a Espanha, só que a Fúria fez uma Copa bem "silenciosa", por assim dizer, eliminando seus adversários por 1 a 0, sem demonstrar um futebol tão vistoso, mas eficiente. Nas semifinais, os espanhóis tiveram pela frente seu grande teste até ali: a sempre poderosa Alemanha.

Em uma partida extremamente limpa, com uma quantidade de faltas quase que zero, os espanhóis levaram a melhor com um gol de cabeça de Puyol. A "grande geração" espanhola conseguiu responder as expectativas e alcançou a decisão pela primeira vez.

Muita comemoração no gol de Puyol | Steve Haag/Getty Images
Muita comemoração no gol de Puyol | Foto: Steve Haag/Getty Images

Na outra semifinal, uma partida simplesmente espetacular. Apresentando, provavelmente, o melhor futebol da Copa, a Holanda teve muita dificuldade contra um Uruguai aguerrido. Porém, a técnica se sobressaiu contra a vontade e a Laranja Mecânica venceu por 3 a 2, garantindo, mais uma vez, uma vaga na decisão.

Final: campeão inédito

Todos os olhos estavam no dia 11 de julho de 2010, no Soccer City, em Joanesburgo, África do Sul. Espanha e Holanda decidiam a Copa do Mundo, alguém seria campeão inédito. Foi uma partida muito nervosa e, de certo modo, "feia". A Espanha seguiu o mesmo padrão dos outros jogos, marcando muito bem e tentando "arranjar" um gol.

Iniesta fez explodir milhões de espanhóis | Foto: Getty Images
Iniesta fez explodir milhões de espanhóis | Foto: Getty Images

Após flashes de lances emocionantes, como gol perdido por Arjen Robben cara a cara com Iker Casillas, em uma das defesas mais importantes e decisivas da história do futebol, a partida se encaminhou à prorrogação e foi aí que brilhou a estrela de Andrés Iniesta. Após assistência de Fàbregas, o camisa 6 marcou um bonito gol e garantiu o título inédito a uma seleção que já perseguia isso há um tempo.

O campeão

Espanha finalmente conquistou o mundo
Espanha finalmente conquistou o mundo | Foto: Getty Images

A expectativa em cima da seleção espanhola era gigante. Aquele geração experiente, com cara já aposentados como Puyol, Xabi Alonso Xavi Hernández, já havia conquistado a Eurocopa em 2008, mas necessitava de um título mundial para corar suas brilhantes carreiras, e foi o que aconteceu, mesmo que com certo sofrimento.

Não foi uma Copa brilhante da Espanha, mas sim incrivelmente eficiente, principalmente taticamente. Era uma equipe que seguia seu estilo, de muito toque de bola, mas que não se apegava apenas a isto. A base, que vinha jogando faz muito tempo sob o comando de Vicente Del Bosque, teve uma primeira fase meio complicada, perdendo logo na estreia para Suíça, mas vencendo Honduras Chile para conseguir a classificação.

Eficiência. Na segunda fase, a Espanha venceu todos os seus jogos pelo placar mínimo, sem exceção alguma. A consistência defensiva da Fúria era algo impressionante, além de contar com um ataque de respeito. Com méritos, a Espanha conquistou o mundo pela primeira vez, deixando aquela geração na história.

Os artilheiros

Villa foi um dos quatro artilheiros da Copa | Foto: Espinosa/AFP
Villa foi um dos quatro artilheiros da Copa | Foto: Espinosa/AFP

A artilharia da Copa do Mundo 2010 foi dividida por quatro jogadores, com todos chegando, pelo menos, na semifinal do torneio. David Villa (Espanha - campeã), Wesley Sneijder (Holanda - vice-campeã), Thomas Müller (Alemanha - terceiro lugar) e Diego Fórlan (Uruguai - quarto lugar) conquistaram, de forma compartilhada, o prêmio de artilheiro da competição, com cada um marcando cinco gols.

O mais destacável da lista é David Villa, que marcou cinco dos oito gols totais da sua seleção no torneio, sendo incrivelmente decisivo quando a Espanha mais necessitou. Vale destacar também que Diego Fórlan foi o artilheiro e melhor jogador da Copa.

Decepções

Atuais campeã e vice-campeã na época, Itália e França foram muito decepcionantes | Foto: Reprodução
Atuais campeã e vice-campeã na época, Itália e França foram muito decepcionantes | Foto: Reprodução

Já falamos lá em cima, mas é importante destacar o vexame que Itália e França passaram na África do Sul. Enquanto a Azzurra terminou em último no seu grupo, com dois pontos, os franceses, que quase não chegaram na Copa, foram ainda mais decepcionantes, conquistando um mísero ponto.

Vale lembrar que quase a França não à Copa do Mundo, e só foi por conta de um dos gols mais polêmicos da história, quando Thierry Henry marcou de mão e eliminou a Irlanda no jogo derradeiro. Pelo visto, a "mão amiga" não serviu muito. Seria algum tipo de carma pelo que aconteceu na repescagem?

A Itália tinha alguns pilares da geração campeã mundial quatro anos antes na Alemanha, mas sofreu bastante. O interessante é que os italianos não se classificaram apenas na última rodada, por conta de uma derrota para a Eslováquia por 3 a 2. Um empate classificava os azzurros.

Surpresas

Diego Fórlan comandou uma seleção empolgante | Foto: Getty Images
Diego Fórlan comandou uma seleção empolgante | Foto: Getty Images

Por fim, a grande surpresa do torneio. Chegando meio desacreditada, com uma seleção "velha", o Uruguai provou o contrário em 2010. Passando em primeiro no seu grupo, a seleção comandada por Diego Fórlan foi avançando, avançando e quase chegou na final, sendo eliminada em um grande embate contra a Holanda nas semifinais, sendo derrotados por 3 a 2.

Mesmo com um elenco envelhecido, as histórias foram contadas pelos uruguaios. Uma equipe guerreira, raçuda e talentosa, com um trio de respeito em Fórlan, Cavani Suárez. Ficando com a quarta colocação, mas sempre dando trabalho, a equipe celeste mostrou que foi a grande surpresa da Copa.

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