Klopp lamenta 'gols estranhos' sofridos na final: "Você precisa de sorte em um jogo de futebol"

Chateado com a amarga derrota por 3 a 1 contra o Real Madrid, treinador do Liverpool comentou sobre a partida analisando a queda da equipe após a lesão de Salah, as falhas do goleiro Karius e a importância decisiva de Bale para os merengues

Klopp lamenta 'gols estranhos' sofridos na final: "Você precisa de sorte em um jogo de futebol"
Foto: Divulgação/Liverpool FC

Após a derrota para o Real Madrid na final da UEFA Champions League, no Estádio Olímpico de Kiev, neste sábado (26), Jürgen Klopp apareceu na coletiva de imprensa do pós jogo com semblante triste para comentar sobre as suas análises da partida e falar especificamente da atuação do Liverpool.

Ao ser perguntado se o momento chave de declínio dos Reds foi a lesão de Mohamed Salah, Klopp admitiu o impacto negativo que a lesão de seu artilheiro teve sobre o time.

“Parabéns ao Real Madrid, não é para esquecer que eles ganharam a Liga dos Campeões hoje à noite. Claro que foi um grande momento no jogo. Eu sei que se você disser algo assim depois de um jogo que você perdeu, parece que você é um pouco perdedor, mas foi, para mim, uma espécie de desafio duro; é como lutar um pouco e é um azar então que Salah caiu sob o seu ombro. É uma contusão grave; pior, uma lesão realmente séria. O choque entre os jogadores era óbvio, nós caímos um pouco e o Real tentou usá-lo para um momento positivo, até que nos acomodamos um pouco. Foi muito difícil, mas 0 a 0 ao intervalo, poderíamos ajustar algumas coisas - defender a intermediária, o que fizemos bem antes, e depois jogar mais futebol. E então os outros momentos decisivos foram os gols; eles foram muito estranhos. Nós todos sabemos que o resultado foi 3 a 1 para o Real Madrid e é por isso que não estamos no melhor humor, obviamente.”

O treinador também admitiu o quão importante e decisivo foi Gareth Bale depois que entrou na partida aos 61 minutos e fez o segundo gol dos blancos logo na sequência, além de ter marcado um golaço aos 81’, definindo o placar da partida.

“Eu adoraria dizer não, mas ele [Bale] foi muito decisivo, especialmente com o chute de bicicleta - foi um gol fantástico, um gol inacreditável. Eles também acertaram o travessão e tiveram um ou dois grandes contra-ataques, mas nós acertamos a trave e nossas jogadas de bola parada estavam absolutamente ok. A diferença é que você precisa de um pouco de sorte em um jogo de futebol, especialmente uma final, e nós não só não tivemos sorte - não tivemos nenhuma sorte somada a uma má sorte. Esse é o problema. Na vida, você sempre tem que aceitar que fazemos isso e continuaremos. Mas no momento em que vemos todas as situações e pensamos: 'Uau, como tudo isso aconteceu hoje à noite?' Mas o jogo acabou e independente do que eu possa dizer, o resultado não vai mudar.”

Novamente tocaram sobre a saída de Salah, saindo contundido e sendo substituído aos 30, perguntando para Klopp qual foi o impacto disso na equipe.

“É muito ruim para o Salah, muito ruim para nós e muito ruim para o Egito. Isso faz parte do esporte. Eu não gosto dessa parte do esporte, mas faz parte do esporte e coisas assim podem acontecer. Eu não sei o que teria acontecido se Salah pudesse ter jogado, nunca saberemos disso. Mas todo mundo viu no primeiro tempo que éramos o adversário que todos provavelmente esperariam; jogamos um bom futebol, mudamos de lado, mantivemos a bola, tivemos a direção, criamos chances, pressionamos os jogadores em bons momentos com bom timing, todas as coisas. Mas perdemos por 3 a 1. Eu não acho que daqui a 10 anos alguém falará sobre como perdemos. Foi o que aconteceu esta noite.”

Ao pedirem um posicionamento sobre as diferenças entre as equipes, Klopp falou das realidades de cada time e citou novamente a dificuldades que tiveram na partida.

“Foi um jogo de futebol. Compramos jogadores, vendemos jogadores, fazemos exatamente o mesmo que o Real Madrid, apenas oportunidades um pouco diferentes, mas estou bem com as nossas oportunidades. Eu realmente acho - e isso não é um problema porque ninguém fala mais sobre isso - mas se as coisas não tivessem sido tão ruins para nós hoje à noite poderíamos ter vencido o jogo. Estivemos presentes, fizemos as coisas em que somos bons e, se todos ficarem em campo, não cometeríamos estes erros, então poderíamos ganhar o jogo. Mas agora, as coisas foram como foram e nós temos que aceitar isso.”

Questionaram se havia conversado com o goleiro Loris Karius sobre as falhas cometidas na final, o técnico respondeu que não e falou sobre os erros. “Eu tenho apenas muito, muito poucas palavras depois do jogo, mas não é nada para falar. Eu realmente sinto por ele, ninguém quer isso, mas essa é a situação. Os erros eram óbvios, não temos que falar sobre isso, está tudo claro; ele sabe disso, eu sei disso, todos sabem disso. Agora, ele tem que lidar com isso, temos que lidar com isso, vamos fazer isso - é claro que estaremos com ele, não há dúvida sobre isso. Não era a noite dele, obviamente", admitiu.

Para finalizar a entrevista coletiva fizeram então a pergunta mais dolorosa para Klopp, a fim de saber quais eram os sentimentos do treinador depois do jogo.

“Eu não estou bem, estou o oposto de tudo bem, mas eu tento ser profissional. Eu disse isso algumas vezes, estou fazendo 51 anos no próximo mês, eu perdi jogos na minha vida antes, ganhei jogos na minha vida antes - eu sei como lidar com isso. O que você não pode evitar é a sensação que você tem na noite após o jogo. Todos nós nos sentimos muito, muito mal, e o caminho para casa não será a melhor viagem que já tivemos em nossas vidas, mas temos que aceitar isso agora. Nós queríamos tudo e não ganhamos nada, menos a lesão de Salah. Ele não jogou a final, perdemos um jogador muito importante como provavelmente o Egito perdeu um jogador muito importante. Eu ainda espero que não seja assim, eu não tenho ideia do que é exatamente, mas todo o departamento médico, o que eles disseram até agora, não parece muito bom. No final, é um jogo de futebol, tentamos de tudo para ganhar, é por isso que eu não mudaria nada nos meus preparativos. Eu fiz o melhor que pude e não foi bom o suficiente e tenho que aceitar isso, é isso", disse.