Guia VAVEL da Copa do Mundo 2018: Argentina
Arte: Rodrigo Rodrigues / VAVEL.com

Guia VAVEL da Copa do Mundo 2018: Argentina

Após vice em 2014, Albiceleste quer acabar com jejum de 25 anos sem títulos

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Rodrigo Rodrigues

A Argentina disputará o Mundial da Rússia com um enorme peso nas costas. O país não vence um torneio da FIFA desde a Copa América de 1993. Para tentar acabar com jejum de 25 anos sem título, a seleção argentina conta com o talento de Lionel Messi, que não descartou aposentadoria da Albiceleste após a competição.

A Argentina está no Grupo D, junto com Croácia, Islândia e Nigéria.

Tri-vice, choro de Messi e sufoco nas Eliminatórias: a trajetória da Argentina até a Copa 

A vida da seleção argentina após o vice-campeonato da Copa do Mundo 2014 não foi fácil. A derrota para Alemanha, que na visão de muitos era a grande favorita ao título, pôs o futuro da Albiceleste em cheque. Entretanto, não havia muito tempo para lamentações, já que no ano seguinte aconteceriam as Eliminatórias para o Mundial da Rússia e também a Copa América.

Fora de campo, o técnico Alejandro Sabella optou por deixar a seleção após a Copa do Mundo 2014. Para o seu lugar, Gerardo 'Tata' Martino, de perfil semelhante ao seu antecessor, foi chamado às pressas. Assim, ele deu início à caminhada da Argentina rumo às Eliminatórias para o Mundial, que acontecera quatro anos mais tarde.

O início de Tata Martino nas Eliminatórias, entretanto, foi irregular. A derrota para o Equador na estreia e empates diante de Paraguai e Brasil ligaram o sinal de alerta. Todavia, o time conseguiu se reerguer ao vencer Colômbia, Chile e Bolívia nas rodadas seguintes. À frente da seleção argentina, o comandante conseguiu chegar às finais de duas Copas América, 2015 e 2016, perdendo ambas para o Chile na disputa por pênaltis. 

A derrota na decisão de 2016, contudo, deu início a uma crise na seleção argentina. Lionel Messi, pressionado por não conseguir ser o mesmo do Barcelona, sentiu o baque de mais um vice, o terceiro seguido. Diante daquele cenário, o craque chorou e surpreendeu a todos ao afirmar que, a partir dali, não vestiria mais a camisa da Albiceleste.

Messi desolado após mais um vice da Argentina (Foto: AP)
Messi desolado após mais um vice da Argentina (Foto: AP)

A situação do futebol argentino era péssima tanto dentro como fora de campo. A Associação de Futebol da Argentina (AFA) vivia uma grave crise, tanto política como financeira – fato que se alastra até hoje. Como consequência disso, o técnico Tata Martino entregou o cargo em julho de 2016, deixando também a seleção olímpica. Já Messi fez o inverso e voltou atrás de sua decisão. Fato que deu uma enorme sensação de alivio e esperança aos torcedores argentinos fora de campo, mas que em nada resolveria a crise já instalada dentro dele.

Assim, Edgardo Bauza, que na época treinava o São Paulo, foi o escolhido pela AFA para ser o substituto de Tata Martino no comando técnico da Argentina. Sua estadia por lá, entretanto, durou apenas oito jogos. Com ele, a Albiceleste venceu três vezes, empatou duas e perdeu outras três. Foi contratado em agosto de 2016, mas demitido em abril de 2017. Ele deixou a seleção argentina em quinto lugar nas Eliminatórias, correndo risco de ficar fora da Copa do Mundo.

Para evitar que uma catástrofe acontecesse, Jorge Sampaoli substituiu Bauza com uma única missão: levar a seleção argentina à Rússia. E ele tinha pouco tempo para isso, já que naquela altura restavam apenas quatro rodadas para o fim das Eliminatórias. Após três empates seguidos contra Uruguai, Venezuela e Peru, a Argentina conseguiu a classificação na última rodada contra o Equador, em Quito. O protagonista daquele jogo? Lionel Messi. Ele, que antes pensava em abandonar a seleção, fez hat-trick em vitória por 3 a 1, garantindo assim a Argentina na Copa do Mundo da Rússia.

Expectativa para a Copa

A tendência é que a Argentina não tenha grandes dificuldades para avançar de fase, já que em seu grupo encontrará adversários tecnicamente inferiores. Entretanto, a seleção chega à Rússia sob desconfiança, muito em conta pela má campanha nas Eliminatórias.

Além disso, alguns nomes chamados por Sampaoli não encantaram parte da imprensa argentina, como os casos dos atacantes Gonzalo Higuaín e Sergio Agüero. Por outro lado, jogadores como Mario Icardi e Lautaro Martínez, favoritos a irem para o Mundial, ficaram fora da lista de convocados, que você verá a seguir.

Os 23 convocados

Número Posição Nome Idade Clube
1 Goleiro Nahuel Guzmán 32 anos Tigres-MEX
2 Lateral Gabriel Mercado 31 anos Sevilla-ESP
3 Lateral Nicolás Tagliafico 25 anos Ajax-HOL
4 Lateral Cristian Ansaldi 31 anos Torino-ITA
5 Meio-campo Lucas Biglia 32 anos Milan-ITA
6 Zagueiro Federico Fazio 31 anos Roma-ITA
7 Meio-campo Éver Banega 29 anos Sevilla-ESP
8 Meio-campo Marcos Acuña 26 anos Sporting-POR
9 Atacante Gonzalo Higuaín 30 anos Juventus-ITA
10 Atacante Lionel Messi 31 anos Barcelona-ESP
11 Meio-campo Ángel Di María 30 anos PSG-FRA
12 Goleiro Franco Armani 31 anos River Plate-ARG
13 Meio-campo Maximiliano Meza 25 anos Independiente-ARG
14 Meio-campo Javier Mascherano 34 anos Heibei Fortuna-CHN
15 Meio-campo Enzo Pérez 32 anos River Plate-ARG
16 Lateral Marcos Rojo 28 anos Manchester United-ING
17 Zagueiro Nicolás Otamendi 30 anos Manchester City-ING
18 Meio-campo Eduardo Salvio 27 anos Benfica-POR
19 Atacante Sergio Agüero 30 anos Manchester City-ING
20 Meio-campo Giovani Lo Celso 22 anos PSG-FRA
21 Atacante Paulo Dybala 24 anos Juventus-ITA
22 Atacante Cristian Pavón 22 anos Boca Juniors-ARG
23 Goleiro Willy Caballero 36 anos Chelsea-ING

Cortados

A Argentina perdeu dois jogadores às vésperas da competição por conta de lesões. O primeiro deles foi o goleiro do Manchester United (ING) Sergio Romero, que sofreu um traumatismo no joelho direito. Ele disputou as Copas do Mundo de 2010, na África do Sul, e 2014, no Brasil, além de três Copas América. Para o seu lugar, Nahuel Guzmán, do Tigres (MEX), foi chamado.

O segundo corte foi o do meia Manuel Lanzini, do West Ham United (ING). Ele rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho direito durante o treino. Aos 25 anos, seria a sua primeira Copa do Mundo na carreira. Enzo Perez, do River Plate (ING), o substitui.

Destaque: Lionel Messi

Quatro vezes eleito o melhor jogador do mundo, Messi é o maior goleador da história da Argentina, com 64 gols. Hegemonia que põe a Albiceleste no seleto grupo das favoritas ao título. Entretanto, esta provavelmente será a última chance que o atacante terá de ser campeão do mundo vestindo a camisa da Argentina. Aos 31 anos, o craque não descartou aposentadoria da seleção após a Copa.

Messi vai para o seu quarto Mundial consecutivo. Em 2006, ainda jovem, teve poucas oportunidades. Quatro anos mais tarde, o craque decepcionou e saiu da África do Sul sem marcar um gol sequer. Em 2014, entretanto, tudo foi diferente. Decisivo em vários jogos, Messi ajudou Argentina a chegar à final e, por fim, acabou eleito pela Fifa como o melhor jogador do torneio.

Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP
Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

Fique de olho: Giovani Lo Celso

Cria das categorias de base do Rosário Central (ARG), o meia Giovani Lo Celso é um dos jogadores argentinos que pode surpreender neste Mundial. Atualmente no Paris Saint-Germain, ele é um meia ofensivo de origem, mas também pode atuar mais recuado. Função esta que pode exercer ao lado de Biglia na Copa. Aos 22 anos, ele é o atleta mais jovem dos 23 convocados por Sampaoli.

Foto: Gabriel Rossi/Getty Image
Foto: Gabriel Rossi/Getty Images

Técnico: Jorge Sampaoli

Aos 58 anos, Sampaoli irá para a sua segunda Copa do Mundo como treinador. A primeira foi pela seleção do Chile em 2014, quando foi eliminado pelo Brasil nas oitavas de final. Depois, ele comandou a Roja na primeira grande conquista do país, a Copa América de 2015, justamente contra Argentina. Agora, do outro lado, será o responsável por liderar Messi e companhia em mais um Mundial.

Foto: Gabriel Rossi/Getty Images
Foto: Gabriel Rossi/Getty Images

Campanha na última Copa

A Argentina em 2014 esteve no Grupo F ao lado de Nigéria, Bósnia e Irã. Como já era esperada, a seleção pouco teve trabalho na primeira fase, onde terminou líder e também invicto, com nove pontos. Nas oitavas de final, encarou a Suíça e venceu somente na prorrogação por 1 a 0, com gol de Dí Maria. Nas quartas, bateu a Bélgica pelo mesmo placar, desta vez, com tento de Higuaín.

Naquela altura, a Argentina estava em uma semifinal de Copa do Mundo após 24 anos de jejum. A adversária era uma grande potência mundial: Holanda. Após 0 a 0 no tempo normal, a partida foi decidida nos pênaltis, onde a Albiceleste venceu nos pênaltis por 4 a 2 e garantiu vaga na tão sonhada final.

Nela, deu de cara com outra potência: a Alemanha, que antes havia humilhado o Brasil por 7 a 1 pela outra semifinal. Após 0 a 0 no tempo normal, a decisão foi para a prorrogação, onde com gol do atacante Mario Götze, os alemães venceram os argentinos e conquistaram o tetracampeonato mundial no Maracanã.

Momento do gol de Gotze (Foto: Matthias Hangst/Getty Images)
O momento do gol de Götze (Foto: Matthias Hangst/Getty Images)
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