Buracos na defesa e pressão atabalhoada: pecados da Alemanha contra México

Buracos na defesa e pressão atabalhoada: pecados da Alemanha contra México

Atuais tetracampeões mundiais cederam muitos espaços no primeiro tempo; El Tri conseguiu abrir vantagem e segurar ímpeto germânico na etapa complementar

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Taynã Melo

A tão esperada estreia da atual tetracampeã do mundo foi uma amargura. A Alemanha manteve os erros dos amistosos preparatórios, cometeu falhas que custaram o resultado positivo. Pela primeira vez depois de 36 anos, os germânicos foram derrotados no primeiro jogo de uma Copa do Mundo. O México foi aplicado debaixo da estratégia do técnico Juan Carlos Osorio, desbancou o histórico ruim e venceu por 1 a 0.

Comandante da Mannschaft, Joachim Löw escalou seu time no 4-2-3-1. Doente, Jonas Hector não foi relacionado. Plattenhardt, substituto imediato, mas pouquíssimo utilizado nos amistosos, entrou de primeira. Khedira e Toni Kroos formaram a dupla de volantes, enquanto Draxler, Özil e Müller compuseram a trinca ofensiva e Timo Werner era a referência ofensiva. A expectativa do confronto era que Werner aproveitasse os espaços deixados pela defesa mexicana e levasse perigo ao goleiro Ochoa. Mas aconteceu exatamente o contrário. O esquema de jogo tricolor funcionou com perfeição, enquanto a marcação germânica foi carente.

Fifa/Getty Images

Pode-se ser feita uma análise por cada parte do campo. Manuel Neuer mostrou que todo o treinamento e planejamento para estar no Mundial foi válido. Seguro quando acionado, realmente está em um nível completamente superior a Ter Stegen, por mais que o segundo goleiro germânico tenha uma qualidade impressionante. Plattenhardt também não comprometeu. Isso não pode ser dito de seus companheiros defensivos. Na lateral-direita, Kimmich foi muito ao ataque, como esperado, mas não voltou com frequência para recompor a defesa. Grande parte dos contra-ataques mexicanos acontecia justamente no espaço deixado por sua ausência.

Esse fator foi determinante. Carlos Vela, Layún e Lozano eram os principais atletas que levavam perigo pelo lado esquerdo de ataque mexicano. Outro fator preocupante foi a defesa. Muito foi questionado durante a semana sobre o condicionamento físico de Jérôme Boateng. Entretanto, o principal problema foi a falta de sintonia junto com Hummels. Não houve erro comprometedor, mas era perceptível a falta de algo para que o desempenho esperado por ambos acontecesse. E foi justamente o lance da derrota aconteceu no lado onde Kimmich e Boateng deveriam ser eficientes. Aos 34 minutos, Javier ‘Chicharito’ Hernández foi acionado. O atacante Lozano se livrou do lateral alemão e estufou as redes. Neuer até se esforçou, mas não podia ser ainda mais miraculoso.

Uma palavra pode resumir o meio de campo: nulidade. Sami Khedira pouco – ou nada – fez. Não foi bem na contenção e no apoio à marcação, como também não participou na transição. A Alemanha trocou muitos passes, mas era de uma lentidão que deixava qualquer admirador impaciente. Toni Kroos até colocou a bola no travessão em cobrança de falta aos 39 minutos de jogo, mas deveu. Özil foi ainda mais invisível. Alguns cruzamentos, pouca participação. Os incidentes relatados nos meios de comunicação alemã de que o camisa 10 está cabisbaixo nos treinamentos por causa da repercussão negativa diante das fotos com autoridades turcas.

Draxler foi o mais ativo, mas isso não quer dizer que foi destacável. Buscou jogo, finalizou, mas, como todo o time, não conseguiu ter aproveitamento ao tentar passar pela defesa mexicana. Trabalhou com Timo Werner. Os dois atletas tiveram muita movimentação, que não resultaram em bola na rede.

Fifa/Getty Images

No segundo tempo, a pressão foi absurda. A estratégia era encurralar o México na defesa e buscar o gol do empate a todo o custo. Saíram Sami Khedira, Plattenhardt e Timo Werner; entraram Marco Reus, Mario Gómez e Julian Brandt. Reus estreou em uma Copa do Mundo e deu uma nova cara ao time germânico.

Embora o contra-ataque fosse mais aceitável pelos buracos na defesa dados por causa do ‘tudo ou nada’, o meia do Borussia Dortmund deu mais velocidade ao jogo, a bola circulou com mais qualidade pelo lado direito de campo, mais cruzamentos foram feitos e o goleiro Ochoa trabalhou mais – e foi bem-sucedido em todas as vezes que foi acionado, com nove defesas feitas. Brandt ainda acertou a trave nos acréscimos, mas hoje não era dia da Alemanha. Tanto pelo sucesso do México como pela sua ineficácia em todo a partida de estreia.

A Nationalelf vai observar o resultado do confronto entre Suécia x Coreia do Sul, a ser disputado a partir das 9 horas da manhã desta segunda-feira (18). Além de analisar o desempenho dos futuros adversários, Joachim Löw vai ter muito trabalho. Tanto para reorganizar o time, corrigir os erros e convencer a torcida de que a atuação trágica deste fim de semana tenha sido apenas um ponto fora da curva.

Fifa/Getty Images
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