Petkovic, técnico da Suíça, repudia comemoração nos gols: "Não se mistura política com futebol"

Xhaka e Shaqiri, ao marcarem os gols suíços na partida e comemoraram fazendo o símbolo da bandeira albanesa com as mãos, país que tem guerra história com a Sérvia

Petkovic, técnico da Suíça, repudia comemoração nos gols: "Não se mistura política com futebol"
Comandante está invicto à frente da Suíça na Copa (Foto: Mike Hewitt/Getty Images)

Depois de vencer a Sérvia de virada, Vladimir Petkovic, técnico da seleção da Suíça, concedeu entrevista coletiva na área dedicada à imprensa na Kaliningrado Arena, nesta sexta-feira (22).

Na entrevista, o comandante falou sobre as sensações experimentadas durante o confronto. A Suíça saiu atrás do placar na primeira etapa, mas marcou dois gols nos 45 minutos finais, que garantiram os três pontos à equipe de Petkovic.

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"Eu me sinto aliviado (risos). Realmente foi uma partida cheia de emoções, mas acima disso, nossa atuação foi como uma montanha-russa. Não jogamos bem no primeiro tempo e nos recuperamos na etapa final. Pessoalmente, eu achei que depois do primeiro gol, certamente marcaríamos de novo, pela maneira que foi a jogada e como a equipe estava se comportando. Contudo, foi uma partida muito emocional, acho que tivemos pontos negativos e positivos em ambos os períodos", revelou.

Além disso, na comemoração dos dois gols, tanto de Xhaka, quanto de Shaqiri, os jogadores fizeram um gesto com a mão simbolizando a bandeira da Albânia. Na década de 90, o país sofreu com uma crise econômica e política, além de uma guerra civil em Kosovo, país que faz parte do território sérvio, mas agora é protegido pelas Nações Unidas. Com a guerra e as crises muitos albaneses e kosovares fugiram para países próximos aos Bálcãs e a Suíça foi refugio para a família de ambos os atletas.

Shaqiri, na comemoração do segundo gol da Suíça (Foto: MB Media/Getty Images)
Shaqiri, na comemoração do segundo gol da Suíça (Foto: MB Media/Getty Images)

Sabendo do gesto e de toda a história, Petkovic respondeu, mas advertiu tal comemoração.

"Olha, eu já falei antes e vou falar de novo. Não acho certo misturar política com futebol. É sempre bom ser um torcedor e também é bom mostrar respeito, é isso o que o futebol deve pregar", frisou.

Questionado novamente sobre as situações apresentadas no jogo, Petkovic falou como evitou que a Sérvia levasse mais perigos para dentro da área dos suíços.

"No começo nós tivemos muito problemas com os sérvios, deixamos eles cruzarem muito para dentro da área e esse é o ponto forte da Sérvia. Para ganhar o jogo, usamos a estratégia de tirarmos eles de dentro da área e isso funcionou. A postura traçada deu resultados já na primeira etapa, onde criamos duas ou três chances claras. Na segunda etapa, passamos a marcar mais próximo do adversário e isso nos deu a posse e consequentemente as jogadas foram melhor executadas", explicou.

A partida entre Sérvia e Suíça, foi uma das mais políticas, historicamente falando, visto que cerca de 12 atletas são naturalizados dos Bálcãs, e possuem um conflito histórico com os sérvios. Sabendo disto Petkovic foi perguntado sobre o peso político que o confronto carregou.

"É sempre um jogo carregado de emoções e nervos a flor da pele, mas eu oriento aos jogadores a esquecerem tudo o que ocorreu e tragam apenas o respeito e futebol para dentro de campo", esclareceu.

Caso vença a Costa Rica, os suíços estarão classificados para a próxima fase, entretanto, precisam contar com um tropeço da Sérvia contra o Brasil na última rodada. As duas equipes jogarão no mesmo horário na próxima quarta-feira (27), e Petkovic diz que não jogará contra os costarriquenhos pensando no empate.

"Eu estarei pensando positivo para este confronto, espero que possamos nos classificar. Garanto que não ficarei contente com o empate contra a Costa Rica. Iremos trabalhar a nossa estratégia dos últimos jogos e tentar jogar o melhor possível para garantir a vitória", finalizou.