O que esperar de Uruguai e França pelas quartas de final da Copa do Mundo

Solidez defensiva dos uruguaios e transição em velocidade dos franceses marcam duelo interessante das duas campeãs do mundo

A próxima sexta-feira (5) marca o início de mais uma fase da Copa do Mundo. As seleções de França e Uruguai abrem as quartas de final em um confronto que reunirá três títulos mundiais em campo, sendo dois da Celeste e um dos Bleus.

De um lado, os franceses, com uma jovem e valorosa geração, querem provar que a juventude é uma de suas maiores forças para chegar ao tão sonhado caneco. Entretanto, os uruguaios prometem fazer jogo duro e para isso apostarão na mescla de jogadores experientes com a juvenilidade dos recém-chegados.

Resta saber se sul-americanos e europeus conseguirão igualar essas características no duelo. A Celeste, com alguns de seus principais nomes indo para o último Mundial de suas carreira e os Bleus, que podem sofrer com a inexperiência de seus garotos na fase decisiva.

O que esperar do confronto

Ambas as equipes chegam embaladas por campanhas regulares até as quartas. A evolução das seleções aconteceu gradativamente durante o torneio e destacou o estilo das duas. O time francês baseia bastante seu jogo na movimentação, principalmente na parte ofensiva, com seus atacantes. Por outro lado, a seleção uruguaia tem a solidez de seu sistema defensivo e um jogo mais duro como peça chave para frear os adversários.

Esse choque de estilo ficará ainda mais evidente no encontro de sexta-feira. E quem parece estar levando uma leve vantagem com isso é o Uruguai. O time de Didier Deschamps mostrou certa dificuldade em jogar diante de defesas mais fechadas, como nas partidas contra as seleções de Austrália e Dinamarca. A postura celeste não deve ser diferente disso, com uma marcação ainda mais cerrada e com as duas linhas de quatro sem deixar espaços.

O entrosamento de Gimenez e Godín, companheiros no Atlético de Madrid, é outra peça chave para a defesa uruguaia, que foi vazada apenas uma vez neste Mundial, diante de Portugal. Outro ponto forte é a bola parada. Todos os cinco gols marcados pelos comandados do mestre Esteban Tabarez na fase de grupos foram originados de bola parada. Essa característica, aliada a fragilidade dos defensores da França, especialmente Umtiti, pode ser fatal no jogo.

Porém, a seleção uruguaia tem encontrado alguns obstáculos em seu caminho. Caso consiga abrir o placar, a França obrigará o Uruguai a sair para o jogo, o que não tem sido fácil. Tal contratempo expôs o problema dos meio-campistas celestes, que não obtêm êxito na criação e costumam apostar nos lançamentos. Em contrapartida, os Bleus chegam á área rapidamente, principalmente quando acionam a criatividade de Pogba e Griezmann.

O duelo no ataque será interessante, porém, com um desfalque no lado sul-americano. Cavani, que se lesionou durante a partida contra a seleção portuguesa, está fora do confronto. Em seu lugar deve entrar Stuani, o que deixa a principal arma ofensiva do Uruguai ainda mais enfraquecida: a bola longa. Foi assim, com o camisa 21 e Suárez, que o time se apresentou ao enfrentar uma seleção mais nivelada. A imposição da dupla na parte física e na qualidade técnica foi essencial durante as oitavas de final. No lado europeu, a composição de ataque também não deve deixar barato em campo. Centroavante, Giroud é indispensável para a estrutura tática da equipe. Forte em lances de divididas e inteligente no pivô, é ele quem costuma ser o responsável por facilitar as aproximações de Mbappé e Griezmann, potencializando a velocidade de ambos e permitindo a entrada dos dois nos espaços deixados pelos adversários.

França e Uruguai promete ser uma partida de ataque contra defesa, com dois grandes times duelando até o último momento. Vencerá quem conseguir impor melhor seu estilo de jogo durante os noventa minutos de bola rolando.