Torcedor em 98, finalista em 18: Zlatko Dalic comenta convite da Croácia e pede valorização
Torcedor em 98, finalista em 18: Zlatko Dalic comenta convite da Croácia e aborda problemas locais no futebol. Foto: Divulgação/FIFA

Torcedor em 98, finalista em 18: Zlatko Dalic comenta convite da Croácia e pede valorização

Treinador assumiu seleção 48h antes de rodada final das Eliminatórias do Mundial e, hoje, considerado ídolo nacional, solicita reconhecimento maior para profissionais croatas na Europa

mathenrique
Matheus Henrique

No futebol, ultimamente, visando o sucesso definitivo para os times em geral, tem-se criado uma fórmula para alcançar tal feitio, organizada de fora de campo em direção às quatro linhas. O argumento principal se baseia em "planejamento" das diretorias das instituições, que forma um ambiente arrumado resultante no almejo de conquistas.

No entanto, quando esse paradigma é quebrado, se fala sobre as "emoções do futebol", que, de fato, é um esporte para lá de surpreendente. Um desses casos está ocorrendo com a Croácia, finalista da Copa do Mundo 2018, comandada por Zlatko Dalic, técnico que está há apenas nove meses na equipe e possui 13 jogos de experiência no cargo, sendo seis deles na Rússia.

Dalic foi convidado para exercer a função no ano passado, às vésperas de um importantíssimo confronto válido pela última rodada das Eliminatórias para o Mundial, diante da Ucrânia, fora de casa. O recém-chegado ao menos pôde convocar sua seleção e acordar bases de contrato, mesmo assim, conseguiu o triunfo por 2 a 0 e encaminhou sua seleção para a Repescagem da competição, onde garantiu a passagem para Rússia, diante da Grécia.

Foto: Divulgação/FIFA
Foto: Divulgação/FIFA

No emocionante confronto diante dos ucranianos, um detalhe especial: o treinador teve seu primeiro contato com os jogadores apenas 48h antes da partida, no aeroporto rumo à Kiev. Somente após a classificação, Dalic se reuniu com dirigentes e acertou suas definições do vínculo, com bases salariais sete vezes inferiores ao comandante de sua próxima adversária equipe, Didier Deschamps.

Poucos treinadores aceitariam a tentativa de cumprir a difícil missão, porém, Dalic não é apenas um treinador comum. Há 20 anos, na primeira participação da Croácia em Mundiais, o hoje treinador partiu para a França e observou de perto as três primeiras partidas na competição. No entanto, como ainda era um jogador em ativa, teve de retornar ao seu país e à pré-temporada de seu clube, na época, o Hadjuk Split. O técnico comentou sua decisão de assumir a seleção em situação delicada:

"Não houve negociação, não houve mensagens trocadas. Eu apenas aceitei. Porque era o sonho de uma vida. Eu não tinha dramas, não tinha dilemas, eu não queria nem assinar um contrato. E assim foi", disse o treinador.

Dalic comemora classificação para final com Modric, craque croata. Foto: FIFA/Getty Images
Dalic comemora classificação para final com Modric, craque croata. Foto: Divulgação/FIFA

Após a histórica campanha, Zlatko Dalic e seus comandados são considerados heróis nacionais pela população atualmente. O futebol no país passa por diversos problemas de infraestrutura, fazendo com que a maioria dos jogadores tenha de sair do país para exercer a profissão em alto nível - apenas dois atletas da seleção atuam na Croácia. Em entrevista, o treinador fez questão de exaltar o feito na diante das dificuldades apresentadas:

"Quando você olha as condições e a infraestrutura que nós temos, nosso resultado é um milagre. Daqui a três meses vamos jogar contra a Espanha e Inglaterra pela Liga das Nações e não temos um estádio apropriado para jogar. Somos um milagre. Este talvez seja um dos grandes feitos esportivos da história da Croácia", afirmou Dalic.

A exposição momentânea de Zlatko Dalic serve para alertar sobre a falta de treinadores croatas no cenário futebolístico europeu. Mesmo com o crescente rendimento do futebol local, plantando frutos que resultam em excelentes jogadores para os grandes times do continente, ainda é raro ver equipes comandadas por integrantes do país. Dalic aproveitou para repudiar a situação e chegou a fazer audacioso desafio:

"Nós não somos respeitados na Europa, embora tenhamos grandes resultados. Temos grandes técnicos croatas e eles são subestimados. Eu comecei por baixo, nada veio de graça na minha vida. Muitos técnicos começam em grandes times por causa do nome que tinham como jogadores. Me dê o Barcelona ou Real Madrid e eu vou ganhar títulos", disse Zlatko Dalic.

Jogadores croatas classificam classificação ao fim da partida contra Inglaterra. Foto: FIFA/Getty Images
Jogadores croatas classificam classificação ao fim da partida contra Inglaterra. Foto: Divulgação/FIFA

É importante citar que organização numa instituição de futebol tem total importância para o sucesso, tendo diversos exemplos no Brasil do que pode ocorrer em caso de burlar a indicação. Porém, o futebol ainda reserva situações inesperadas, que fazem despertar ainda mais a paixão dos fãs pelo esporte. O caso da federação croata não é exemplo a ser seguido, no entanto, causou resultado que nem mesmo o mais detalhista dirigente de qualquer instituição poderia esperar, podendo resultar em ainda mais, num inédito título de uma seleção com apenas cinco participações, batendo uma tradicionalíssima equipe, como a França.

A final entre as equipes ocorre neste domingo (15), ao 12h, no Estádio Lujniki, em Moscou.

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