Dois jogos sem vencer e lanterna do grupo: os erros da Argentina na Copa América
Foto: Reprodução / Conmebol

Já se passaram duas rodadas no Grupo B da Copa América e a gloriosa e tradicional Argentina segue na lanterna da chave. Com a derrota na estreia para a Colômbia e o empate diante do Paraguai, os hermanos têm apenas um ponto. Corre grandes riscos de não avançar às quartas da competição. Mas o que acontece com o futebol do nosso país vizinho?

Não é novidade para ninguém que a seleção argentina passa por uma crise técnica e administrativa. A Associação de Futebol Argentina (AFA) não tem capacidade de segurar um treinador que possa consolidar um trabalho com o time nacional.

Saga de treinadores

Na Copa América 2011, quem comandava era Sergio Batista. Na Copa de 2014, Alejandro Sabella conseguiu levar os hermanos ao vice da competição mundial, surpreendendo muitos críticos de futebol. Em seguida do título perdido, Sabella pediu demissão — há quem diga que o treinador se esgotou em discussões com o presidente da AFA e preferiu não continuar na seleção.

Para tentar fazer o futebol de Lionel Messi render à medida do que a Pulga apresentava no Barcelona, a federação contratou Gerardo Martino, tido como amigo pessoal do craque argentino. Tata — como o treinador é apelidado — não conseguiu se segurar no cargo após perder duas Copas América seguidas (2015 e a centenária de 2016) na final para  Chile, ambas nos pênaltis.

Depois, foi a vez e Edgardo Bauza, que durou poucos meses por acumular fracassos nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Ocupando a vaga, Jorge Sampaoli foi posto no cargo e rotulado como "salvador da pátria". Ele até conseguiu chegar ao Mundial, mas, quando a Copa começou o futebol voltou a ser questionado. Passou em segundo no grupo e saiu para a França nas oitavas.

Nesta Copa América, Lionel Scaloni parece não ter controle nenhum sobre a tática usada em sua primeira experiência como treinador.

Tática argentina sem identidade

Jogando no 4-4-2, Otamendi e Pezella formam uma dupla de zaga muito frágil. Chegam duro nos lances, mas ainda deixam buracos no miolo da defesa, principalmente a má cobertura quando o lateral-esquerdo Tagliafico sobe ao ataque.

Entretanto, as principais críticas às escolhas de Scaloni estão no meio para frente. Contra a Colômbia, a Argentina não tinha dado um chute a gol no primeiro tempo. Logo, o treinador sacou Dí Maria e colocou De Paúl, que ajudou o time a finalizar seis vezes à meta. Eis uma solução?

Diante do Paraguai, De Paúl começou de titular, mas os números caíram: somente três chutes ao gol durante os 90 minutos de jogo, apenas um no segundo tempo. Roberto Pereyra e Lo Celso também não conseguem ajudar Messi a criar e fechar jogadas claras de gol. No primeiro jogo Agüero, no segundo Lautaro Martínez. Nenhum desses foram capazes de aproveitar definitivamente as três míseras grandes chances de gol nos dois duelos.

Números de quem não briga por título

Com 19 chutes, a Argentina é a quarta seleção que mais chuta, mas apenas nove dessas finalizações foram a gol. Messi até que tenta, pois é o segundo maior finalizador até aqui, com nove chutes, porém pouco concretiza em perigo.

Dessa forma, a albiceleste é apenas a nona seleção no ranking de chutes para gol nesta Copa América 2019. Os hermanos precisam dar 19 chutes para marcar um mísero gol. Em contrapartida, a cada quase seis chutes, Armani é vazado e o drama recomeça.

Fonte: Footstats

Tendo esses números, que não condizem com os de uma seleção favorita ao título, o esquadrão dos xarás Scaloni e Messi precisam jogar como nunca para derrotar o Catar na última rodada do Grupo B para não depender de nenhum resultado a fim de se classificar. Obviamente que derrotar os árabes não é nenhum absurdo — mesmo que eles tenham complicado o jogo para Paraguai e Colômbia —, mas, com certeza, não será fácil somar três pontos na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, às 16h do próximo domingo (23). 

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