Racismo, homofobia e intolerância: retrocessos da sociedade que refletem no futebol
Foto:  Catherine Ivill / Getty Images

Durante os últimos anos, uma atitude retrógrada vem se intensificando ao longo do tempo. Atos racistas como as dos torcedores do búlgaros, dos portugueses contra o Marega e dos adeptos do Defensa y Justicia, os gritos de "bicha" vindos das arquibancadas, ameaças contra atletas e dirigentes, falas machistas e entre outros fatores que poderiam ser pontuados facilmente neste parágrafo são retrocessos da sociedade que refletem no futebol e mancham a essência do esporte.

  • Racismo

Um dos casos mais recentes e, provavelmente, mais repercutido foi o de Marega. O jogador do Porto abandonou o campo durante uma partida do Campeonato Português após ser insultado com cunho racista pela torcida do Vitória de Guimarães. Quando ele acusou os torcedores, ele ameaçou sair do campo, os jogadores tentaram impedir, o árbitro aplicou um cartão amarelo para ele e isto foi o estopim para o mesmo abandonar a partida. Ao deixar o gramado, Marega mostrou o dedo do meio para os infratores e desabafou nas redes sociais.

"Gostaria apenas de dizer a esses idiotas que vêm ao estádio fazer gritos racistas... vá se f****! E também agradeço aos árbitros por não me defenderem e por terem me dado um cartão amarelo porque defendo minha cor da pele. Espero nunca mais encontrá-lo em um campo de futebol! Você é uma vergonha", disse.

Outro caso recente foi o torcedor do Defensa y Justicia que fez imitação de macaco diversas vezes em direção à torcida do Santos presente no estádio Norberto Tomaghello. Policiais que estavam posicionados a frente do torcedor não tomaram as devidas medidas cabíveis.

  • Homofobia

Quem nunca ouviu aquele grito "ôôô bicha" após uma cobrança de tiro de meta? Aposto que a grande maioria, se não todos, já escutaram as pessoas gritando isto nas arquibancadas. Uma cultura homofóbica, e nem um pouco legal, que ganhou mais notoriedade depois da Copa do Mundo em 2014. 

Além disso, quando um jogador erra uma jogada, por exemplo: Neymar tentou driblar o zagueiro e caiu após ser atingindo, alguns adeptos gritam palavras homofóbicas para dizer que não foi nada e que nem doeu. Apenas para dizer que o jogador está fazendo "cena'. Isto é completamente errado. 

Vale lembrar que também há aquele rótulo de "time de homossexuais" por parte dos infratores. Geralmente, esses indivíduos insultam os torcedores destas equipes com falas infames e constrangedoras. Em 25 de agosto de 2019, o árbitro Anderson Daronco interrompeu a partida entre Vasco e São Paulo, em São Januário, por conta dos gritos homofóbicos oriundos da arquibancada. Daronco foi até os técnicos, advertiu verbalmente e os membros das equipes ficaram pedindo para que parassem.  

Segundo uma pesquisa realizada pelo UOL com 10 jogadores do Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, CSA, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Grêmio, Internacional, Palmeiras, Santos, São Paulo e Vasco, 64% dos atletas acreditam que esta atitude deveria ter uma punição das autoridades responsáveis. 

  • Ameaça, machismo e intolerância

Em outubro de 2019, durante uma partida entre Bulgária e Inglaterra pelas Eliminatórias da Eurocopa, alguns búlgaros fizeram gestos e cantaram músicas nazistas. Vale lembrar que o movimento, que assumiu o poder da Alemanha em 1933 sob comando de Adolf Hitler, foi marcado pelo falecimento de aproximadamente seis milhões de judeus e outras minorias, como por exemplo: negros, ciganos e homossexuais. Na ocasião, os jogadores e o técnico da Ingleterra relataram o caso para a arbitragem. Eles, imediatamente, interromperam a partida mas deram continuidade em seguida.

No último final de semana, ao longo do confronto entre Hoffenheim e Bayern, os torcedores do Hoffenheim ameaçaram e insultaram o investidor Dietmar Hopp. O motivo? Ele é um bilionário que resolveu investir uma parte da sua fortuna no seu time de coração e este investimento irritou a torcida que ameaçou e expôs uma faixa dizendo: "seu filho da p***". A reação dos atletas? Se solidarizaram e, após o jogo ser interrompido por este motivo, fizeram um antijogo do bem. Os jogadores ficaram apenas trocando passes até o final do jogo.

Além disso, vocês sabiam que as mulheres não podiam praticar alguns esportes até 1979 no Brasil? Exatamente, tudo deve-se ao Decreto-Lei 3199 feito durante o governo de Getúlio Vargas em 1941. No artigo 54, resumidamente, dizia que as mulheres estavam proibidas de praticar qualquer esporte que fosse contra sua natureza. O futebol estava incluido nisto. As diferenças nesta modalidade são discrepantes entre homens e mulheres, desde insfraestrutura até o mercado financeiro. Tanto que, em 2018, foi preciso a Conmebol criar uma regra onde determina que todos os clubes membros precisam ter equipes femininas para disputarem as competições que ela organiza no masculino. 

  • Vamos refletir?

Marega estava sofrendo um ato de racismo, levou cartão amarelo e estava sendo contido pelos colegas para não deixar o campo. O jogo continuou normalmente depois. O torcedor do Defensa y Justicia cometeu um ato racista na frente das autoridades locais e não foi detido imediatamente. Os gritos homofóbicos nos estádios às vezes interrompem alguma partida, que continua normalmente em seguida, e os clubes são multados. Quanto ao caso dos búlgaros, a partida foi interrompida, reiniciada minutos depois e a federação foi multada. O ocorrido no jogo do Hoffenheim está impune até o momento. Já a causa femina a cada dia é uma luta diferente.

Estes foram apenas alguns casos sobre esses temas. Temos muitos outros casos em nossa sociedade. Lembramos que isto crime e todo Ser Humano é digno de respeito. Respeito é uma regra simples de convivência e que desde sempre não é respeitada. Quando aplicada a lei, não é eficiente porque há reincidência. Para onde estamos caminhando com estes retrocessos?

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