Projeção internacional, amor brasileiro e investimento árabe: a história dos 50 anos de Paris Saint-Germain
Foto: Reprodução Paris Saint-Germain

Na Europa, todas grandes capitais possuem ao menos um grande clube relevante para o futebol nacional e o surgimento de atletas para suas respectivas seleções, e partindo deste conceito, em 12 de agosto de 1970, o Paris Saint-Germain foi criado, vindo de uma fusão do Paris FC e o Saint-Germain-en-Laye. Apesar de novo, o time que sucede o berço do Rei Luís XIV, coleciona marcos importantíssimos ao longo das cinco décadas de existência, colecionando admiradores e rivais.

Com o DNA de "ser grande" desde sua origem, o PSG logo em seus primeiros passos na França, já mostrava para o que veio. Daniel Hetcher foi o Presidente responsável por dar o passo inicial, e logo trouxe uma grande personalidade para impactar os torcedores e a mídia local: Just Fontaine, já treinador, o astro francês foi o arquiteto do acesso à primeira divisão e para atrair os primeiros ídolos do clube - Carlos Bianchi e Mustapha Daleb.

Primeiras décadas

Promissor em solo nacional, o PSG passaria por um amadurecimento na sua primeira década, chegando a colecionar seus títulos a partir de 1982, quando foi bicampeão da Coupe de France, além do campeonato francês, em 1986.

Já nos anos 90, com o PSG já carimbado entre as grandes potências da França, ainda que um degrau abaixo dos principais campeões do país, uma era promissora fez os parisienses darem uma subida no degrau nacional e depois europeu. Com grandes nomes em seu elenco, como David Ginola, George Weah e Valdo, o time durante 1993 e 1997 seria semifinalista europeu por cinco vezes consecutivas.

Durante essa época, o PSG ainda conquistou seu segundo título francês, em 1994, e a tão sonhada taça da Copa dos Campeões (hoje UEFA Champions League). Essa conquista internacional, colocaria na história do clube, grandes jogadores, como Raí, Bernard Lama, Alain Roche, Paul le Guen, Daniel Bravo, Vincent Guérin, Youri Djorkaeff e Bruno Ngotty.

No novo século, o PSG renovou seu projeto de grandeza. De cara, a chegada de Ronaldinho Gaúcho, campeão mundial em 2002, fez com que o Brasil se consolidasse como uma grande inspiração aos parisienses, visto que, outros brasileiros já tivessem marcado história no clube. Na era pós Ronaldinho, que rumou para ser o melhor jogador do mundo no Barcelona, o grande nome do clube por anos, foi Pauleta, responsável por 109 gols em seu período no PSG.

Era bilionária

Diante de um jejum desde 1994 sem vencer o campeonato francês, o PSG em meados de 2011 deu uma mudança radical em sua história. Com a chegada da Qatar Sports Investments e a presidência de Nasser Al-Khelaifi, o Paris Saint-Germain se torno um papa títulos nacional, com 7 títulos da Ligue 1 na era catarenha, além de mais 5 da Coupe de France, 6 da Coupe de Ligue e por fim, outros 7 da Supercopa francesa.

Para se tornar um multicampeão, o clube investiu pesado em grandes jogadores para se serem referências no projeto de virar o maior time francês, e posteriormente da Europa. A proximidade com o Brasil foi reatada, com as chegadas de Alex (Chelsea), Maxwell (Barcelona) e Thiago Motta (Internazionale), além de outros atletas de peso, como Javier Pastore, promessa do Palermo, e futuramenente o grande nome, Zlatan Ibrahimovic, que chegou com Thiago Silva, Ezequiel Lavezzi e Lucas Moura (transação mais cara da história do Brasil na época, com 43 milhões de euros).

O clube em seu início da era rica, ainda teve a vinda de David Beckham, astro internacional, que se aposentaria pouco depois, em uma genial transferência de marketing, que fez do PSG, o time recordistas em vendas de camisas, tendo Beckham e Ibrahimovic como "garotos propaganda".

Nesse período grandes treinadores se dividiram no comando do PSG. Carlo Ancelotti foi o homem que deu o "upgrade" na beira do campo, e depois, Laurent Blanc geriu o time de 2013 até 2016, colecionando grandes títulos. Na era "Blanc", Edinson Cavani chegou ao clube, e se tornaria o maior artilheiro da história do PSG, com 200 gols em 301 jogos.

Já acostumado com grandes reforços nos últimos anos, o PSG se consolidou com jogadores brasileiros protagonizando o time em campo. Desde 2017 Neymar é o grande nome do time, enquanto a dupla de zaga é de Marquinhos e Thiago Silva. Neste período mais recente, o time tem a grande estrela francesa, e candidato à bola de ouro futuramente, Kylian Mbappé, que aos 21 anos já é campeão mundial com a França, e hoje faz dupla com Neymar no ataque.

Amor e ódio

Apesar de ser um time cujo regionalmente não tem um grande rival, pois o Paris FC é um clube periférico na segunda divisão francesa, a nível nacional o PSG se tornou o time mais odiado da França, especialmente pelo Saint-Ettiéne e o Lyon. Fora de seu país, a grande rincha é com o Barcelona, clube em que polemizou o "caso Neymar" e um duelo histórico na Champions League, onde o Barça arquitetou uma virada mágica de 6 a 1, com show do próprio Neymar, na época jogador do time Catalão.

No Brasil, o time costuma promover ações para cativar o carinho dos torcedores. Apesar de ser rotulado como "time da moda", o PSG tem forte ligação com os brasileiros desde sua origem, e isso é reforçado nas redes sociais, com contas em português. 

O PSG também é famoso por ser o time "queridinho" da Nike, pois em seu contrato atual com a marca americana, só fica atrás do Barcelona em questões de investimentos. Em três décadas de parceria, ambos colecionam jogadores em publicidade e recentemente com a adição da marca Air Jordan, os laços ficaram ainda mais populares internacionalmente, elevando os já 35 milhões de euros anuais investidos pela fornecedora de uniformes.

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