Diretores de Lyon e PSG, Juninho e Leonardo levam clubes ao sucesso na Champions
Brasileiros são diretores de Lyon e PSG (SporTV/UEFA/Divulgação)

A relação entre franceses e brasileiros no futebol transcende o espaço dos clubes de cada país. A começar pelas seleções. O Brasil foi eliminado de três Copas do Mundo pelos Bleus: 1986, 1998 e 2006. No primeiro embate entre os escretes, porém, melhor para o Brasil, em 1958. O intercâmbio de brasileiros no futebol francófono começou a ser mais intenso na década de 1990, com personalidades como Sonny Anderson, Ricardo Gomes e Raí. Joel e Abel Braga, já na década de 1970, começaram a desbravar a nação dos perfumes.

Dois nomes, porém, são símbolos de gerações douradas para duas das grandes equipes da França. Juninho Pernambucano era a grande estrela do Lyon heptacampeão da Ligue 1 (Campeonato Francês) entre as temporadas 2001-02 e 2007-08. Pelos gones, o ídolo do Vasco da Gama também conquistou seis Trophée des Champions (Supercopa da França) e uma Coupe de France. 

Se, em campo, Juninho Pernambucano conduzia o Lyon, até então uma modesta equipe de uma burguesa cidade francesa, ao estrelato, anos depois, Leonardo chegou à dirigência do Paris Saint-Germain. Revelado pelo Flamengo e com destaque no Rubro-Negro, São Paulo, Kashima Antlers e Milan, o atleta também teve uma passagem, de apenas uma temporada, pelo PSG enquanto jogador: na temporada 1996-97. O campeão mundial em 1994 foi escolhido diretamente por Nasser Al-Khelaifi, CEO da Qatar Sports Investments (QSI), órgão governamental qatariano. 

Hoje, os dois brilham como diretores técnicos das duas equipes francesas. Cada um da sua maneira.

Estrelas a dois jogos da glória máxima

Na única temporada como jogador do PSG, na temporada 1996-97, Leonardo foi vice-campeão da Ligue 1. Ficou atrás do Monaco, que tinha, entre outros jogadores, Fabien Barthez, Thierry Henry, Emmanuel Petit, Enzo Scifo e David Trezeguet. A equipe era treinada por Arsene Wenger.

De lá, Leonardo chamou atenção do Milan e foi contratado pelo clube rossonero. Voltou em 2011, já como diretor de futebol. Ele foi escolhido a dedo pelo QSI para iniciar o projeto de dominação do PSG no futebol francês - e, paulatinamente, a nível continental e mundial. 

Estrelas internacionais foram contratadas. Javier Pastore foi o primeiro grande nome. Depois, vieram Ezequiel Lavezzi, Zlatan Ibrahimovic e David Beckham. Muitos brasileiros também chegaram: Alex, David Luiz, Thiago Motta, Lucas Moura e Thiago Silva. 

Para comandar todas as estrelas, um técnico reconhecido mundialmente: Carlo Ancelotti. 

O temperamento do diretor, porém, cobrou seu custo. Lembrado pela cotovelada Tab Ramos, que custou a expulsão do lateral-esquerdo no jogo da Copa do Mundo 1994 contra os Estados Unidos, ele empurrou o árbitro Alexandre Castro após o juiz expulsar Thiago Silva em uma peleja da Ligue 1. A suspensão imposta foi dura: catorze meses. Por conta do período no qual não poderia atuar, saiu do clube.

Foi contratado, novamente, para a temporada 2019-20. Além de arrefecer os ânimos sobre um possível retorno de Neymar para o Barcelona, contratou Pablo Sarabia e Ander Herrera - embora tenha perdido Gianluigi Buffon, Daniel Alves e Adrien Rabiot. 

A quantidade de estrelas deixa claro que a ambição do PSG, que nunca escondeu o sonho de ganhar a UEFA Champions League, é alta. Chegou a hora dos craques se provarem em campo.

Novato no comando, novatos em campo

Dono de uma dinastia no futebol francês na década de 2000, o Lyon alcançou os sete títulos consecutivos da Ligue 1, justamente, quando Juninho Pernambucano foi contratado. Após passar o bastão do domínio local para o Paris Saint-Germain, a equipe buscou o ídolo para tentar recuperar prestígio. E, logo na primeira temporada dele como diretor técnico, a fórmula já rende resultados.

Na principal competição, é bem verdade, os gones decepcionara. Quando a Ligue 1 foi cancelada, o Lyon era, apenas, o sétimo colocado. A aposta em Sylvinho, compatriota contemporâneo de Juninho Pernambucano, mostrou-se errada - e ele deixou o comando técnico da equipe já na nona rodada, após vencer duas e perder quatro duelos - o último deles ante o arquirrival Saint-Ettiene. Nas mãos de Rudi Garcia, a equipe evoluiu a ponto de, nas copas, chegar à semifinal da Coupe de France e na final da Coupe de la Ligue. 

Assim como Leonardo, Juninho também apostou em brasileiros. Contratou Jean Lucas junto ao Flamengo, Thiago Mendes junto ao Lille e Bruno Guimarães do Athletico. Outras contratações de destaque foram a de Joachim Andersen, Jeff Reine-Adélaïde e Youssouf Koné. Isso além de manter jogadores como Léo Dubois, Memphis Depay, Bertrand Traoré e Moussa Dembélé, além de subir Houssem Aouar das categorias de base. 

Também vale destacar o saldo comercial, por assim dizer, extremamente positivo do OL. Para montar a equipe, o clube investiu cerca de 120 milhões de euros. Em vendas de atletas, o Lyon conquistou 144 milhões de euros - sem contar as porcentagens de transferência de atletas negociados.

A média etária do plantel, inferior a 25 anos, deixa claro o projeto a longo prazo implantado por Juninho Pernambucano. O presente, porém, já é muito satisfatório. O futuro dos garotos lioneses promete.

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