#EntrevistaVAVEL: Matheus Rossetto, do Atlanta United, fala sobre movimento “Vida Negras Importam” na MLS
Foto: divulgação /  Atlanta United

Com contrato válido até 2021 com o Athletico Paranaense, Matheus Rossetto foi vendido no início de 2020 após 10 anos vestindo a camisa do clube brasileiro. Ao todo, foram 113 jogos pelo furacão e inúmeros títulos conquistados, entre eles: Copa Sul-Americana (2018) e Copa do Brasil (2019). Atualmente, o volante está no Atlanta United e o valor da transferência não foi divulgado por ambas as equipes.

Nesta quarta-feira (09), em entrevista exclusiva para a VAVEL, Rossetto disse que tem carinho pelo time do Paraná. Porém, ficou feliz pela escolha de ir jogar nos Estados Unidos. 

“Quando eu tomei essa decisão de sair do Athletico-PR para vir jogar no Atlanta, me senti feliz demais por ser reconhecido aqui pelo time do Atlanta United. Por mais que eu tenha carinho pelo Athletico, eu decidi tomar essa decisão para a minha carreira. Eu creio que isso vai acrescentar mais. São novos objetivos, novos planos e a atmosfera aqui é melhor do que eu imaginava. O pessoal do clube me recebeu de portas abertas. Claro, os jogadores e a comissão também. Então, estou muito feliz de estar aqui.”

O Atlanta United debutou na Major League Soccer (MLS) em 2017. Porém, conseguiu seu primeiro título em 2018. A franquia é conhecida por levar grandes públicos para o estádio e sempre quebrar recordes neste âmbito. Além disso, tem um elenco forte. Atualmente, o time conta com o goleiro Guzan, meio-campista Ezequiel Barco, atacante Josef Martínez e entre outros atletas. Vale lembrar que Miguel Almirón (meio-campista do Newcastle United), Pity Martínez (meio-campista do Al-Nassr) e Tata Martino (treinador da Seleção Mexicana) tiveram passagens recentes pelo time da Geórgia.

“Como foi citado o goleiro Brad, além do Barco e Josef Martínez são jogadores extraordinários. É uma sensação muito boa de estar jogando com pessoas tão importantes para a MLS e para o Atlanta United. A minha relação com eles é muito boa. São pessoas nota mil. Cada jogo e cada treino nós vamos nos entrosando cada vez mais; tanto dentro quanto fora de campo. Então, isso ajuda muito a gente no desenvolvimento dentro de campo e no desempenho. A tendência é só melhorar a nossa relação”, disse Matheus.

Os Estados Unidos é o país com maior número de casos e mortes por coronavírus no mundo. São aproximadamente 6 milhões de infectados e cerca de 190 mil falecidos. Uma pandemia que obrigou diversos campeonatos a adotarem protocolos rígidos para a prevenção da doença. Matheus contou como está se sentindo durante esse momento atípico.

“Por mais que essa pandemia não tenha passado, creio que vai demorar um pouco mais, eu não estou com medo. Eu sempre venho me precavendo de qualquer coisa, me protegendo e seguindo os protocolos que o clube me passa. Os médicos do clube sempre conversam comigo. Isso me dá mais segurança. Estamos fazendo testes ‘dia sim e dia não’. Isso nos dá mais segurança e o medo vai indo embora. Isso faz com que a gente tenha uma cabeça mais tranquila para treinar. É muito bom testar desta forma. Não só para os jogadores como para todos do clube, seja: comissão técnica ou qualquer outro funcionário.”

O atleta ressaltou a preocupação gerada quando acompanha os noticiários, mas afirmou que sua rotina está voltando ao normal dentro do possível. 

“Podemos dizer que a minha rotina está voltando cada vez mais ao normal. Por mais que tenha toda essa pandemia, estou conseguindo viver e treinar tranquilo. Sempre me protegendo. Mas, às vezes, eu acompanho algumas notícias dizendo que tem muitas pessoas com coronavírus e estão sendo afetadas. Às vezes, acaba gerando uma preocupação. Porém, estou seguindo minha rotina e sempre me prevenindo. Espero que a cada dia que passe volte ao normal.”

Devido às diversas mortes oriundas de policiais brancos contra homens negros nos Estados Unidos, uma série de manifestações tomaram as ruas do país norte-americano. Isto refletiu no mundo do esporte. Na MLS, o treinador Thierry Henry se ajoelhou por 8 minutos e 46 segundos em protesto, a liga cancelou diversas partidas em protesto contra o racismo, 100 jogadores negros se ajoelharam ao mesmo tempo em protesto antirracista e muito mais. O volante brasileiro do Atlanta United comentou sobre o assunto:

“É um momento bem difícil. Se trata de vidas. São Seres Humanos. Nós temos que respeitar uns aos outros, ter amor à vida e ter amor ao próximo. Essas mortes foram repercutidas não só aqui, mas no mundo inteiro. Mas, nem por isso nós jogadores temos que parar de jogar. Pelo contrário, temos que combater isso dentro de campo jogando. Respeitando um ao outro. Temos que continuar e não podemos parar. Já estamos enfrentando uma pandemia que estamos conseguindo vencer. Espero conseguir vencer esse racismo também.”

O United está na oitava posição da Conferência Leste com 11 pontos em nove jogos. Apenas dois pontos o separa dos playoffs e três pontos deixa próximo da parte inferior da classificação. Um rendimento anormal para o time.  

“Por mais que a pandemia tenha pegado a gente de surpresa, a minha expectativa é a melhor possível. Estamos numa crescente agora no campeonato. Não começamos tão bem, mas conseguimos dar uma retomada. Espero que esse ano possamos conquistar esse título importante que é a MLS. Vamos a cada jogo brigar por esses três pontos para que no final da temporada nós possamos atingir o nosso principal objetivo: ser campeão da MLS”, falou Matheus Rossetto. 

Nesta quarta-feira (09), o Atlanta entra em campo para jogar contra o Inter Miami, na Flórida, às 21h. Um jogo muito importante diante do lanterna da conferência.

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