Com mais maturidade, Argentina é favorita diante de um renovado Chile

Albiceleste coleciona vices recentes e quer vingar a geração de Messi; Roja, por sua vez, luta pela manutenção do seu reinado

Com mais maturidade, Argentina é favorita diante de um renovado Chile
Foto: Raul Sifuentes/STR/Getty Images

Imagine o seguinte: um lutador de boxe, conhecido por ser um dos melhores, não ganha nada de relevante já tem um tempo. Esse lutador construiu o seu nome na história do esporte, todos o conhecem e o respeitam. Ele consegue chegar a duas lutas recentes extremamente importantes, aquela pra ganhar o cinturão que deseja, porém acaba perdendo nas duas. Este boxeador, entretanto, chega a uma terceira disputa em sequência, porém seu caminho até lá foi bem mais forte e consistente do que nas outras vezes, o que o coloca como favorito à conquista desta vez.

Ele, porém, enfrentará um lutador mais jovem e que anda escrevendo seu nome na história recente do esporte. Para se coroar de uma vez, acabou por vencendo na última disputa possível, exatamente contra o lutador com maior nome e que agora chega à grande final com mais experiência, vontade e favoritismo. Diferente de outros tipos de lutas no boxe, essa não terá um status de revanche, muito pelo contrário. Será a redenção de um contra a certeza de outro.

Esse é o caso de Argentina e Chile, que se enfrentam na final da Copa América Centenário neste domingo (26), um ano depois da última edição, vencida pela Roja em cima da Albiceleste. Na analogia descrita, a seleção de Lionel Messi representa o lutador mais experiente, buscando redenção, enquanto que a de Alexis Sánchez busca a confirmação da grande geração chilena, tratado por eles mesmos como a maior de sua história.

Há 23 anos sem ganhar nada de relevância, a Argentina já coleciona três vices em cinco competições – se contarmos desde a Copa América de 2007. Nesses cinco torneios disputados, em todos entrou como uma das favoritas à conquista do título. Em 2007 perdeu para o Brasil na final; na Copa do Mundo de 2010 saiu nas quartas de final para a terceira colocada Alemanha; na Copa América de 2011 foi eliminada na semifinal para o vizinho Uruguai; Na Copa do Brasil de 2014, como bem lembramos, perdeu para os germânicos novamente, dessa vez na final; no ano seguinte, foi vice para o Chile na Copa América daquele ano.

Cansada de vices, Argentina deve vir com sede ao pote (Foto: Juan Mabromata/Getty Images)
Cansada de vices, Argentina deve vir com sede ao pote (Foto: Juan Mabromata/Getty Images)

E então, chegamos ao ano de 2016. A geração de Lionel Messi, Agüero e cia quer deixar seu nome em conquista de títulos, também. E depois de nove anos de pura decepção, os argentinos chegam à quarta decisão de título nesse tempo. Mais experiente, esse grupo já tem na bagagem vices suficientes para dizer ‘chega’, o que deve ser um fator para a vontade de ganhar ser ainda maior. Além dos vices, os nossos Hermanos sabem jogar uma decisão individualmente, visto a grande quantidade de títulos que os jogadores têm defendendo seus clubes. O que eles precisam é trazer essa sabedoria para a seleção.

Mas para que essa redenção seja concluída nesta Copa América, terão de passar pela melhor geração do futebol chileno. A renovada seleção do Chile vem para a grande final com a missão de defender não só o seu atual título da competição, mas também entregar certezas para o povo chileno de que essa seleção é realmente a melhor. Porque para se ter certeza disso, nada melhor do que a conquista e manutenção de títulos. A conquista já veio, falta à manutenção, aquele sentimento de saber que podem ganhar fora de suas fronteiras.

Campeão da última Copa América, Chile quer manter supremacia (Foto: Nelson Almeida/Getty Images)
Campeão da última Copa América, Chile quer manter supremacia (Foto: Nelson Almeida/Getty Images)

Num tempo distante na história do futebol, o Chile conquistou um terceiro lugar em uma Copa do Mundo – a que foi disputada em seus territórios em 1958. Essa acabou sendo a maior conquista da história da Roja até que no ano passado, veio o título da Copa América, também em seus territórios. Agora, um ano depois, nos Estados Unidos, o Chile irá para o confronto colocando em jogo sua supremacia nas Américas e agora sem o favoritismo de outrora.

Agora só resta que os lutadores coloquem suas luvas carregadas de experiência e renovação para decidir se é a redenção ou a afirmação que se sobressairá.