Elenco rotativo e eficiência ofensiva: as mudanças entre os Chiles de Sampaoli e Pizzi

Mudanças no comando técnico causou dúvidas no início, mas, aos poucos, chilenos voltam a praticar bom futebol que estavam acostumados nos últimos anos

Elenco rotativo e eficiência ofensiva: as mudanças entre os Chiles de Sampaoli e Pizzi
(Foto: Rich Schultz/Getty Images)

Aproximadamente seis meses atrás, pouco tempo depois do Chile ter conquistado pela primeira vez a Copa América dentro de casa, uma mudança pôs em xeque o futuro da seleção. Técnico que deu sequência ao trabalho de Marcelo Bielsa e que aumentou a grandeza do país com atuações expressivas e títulos, Jorge Sampaoli deixou o comando técnico por causa de mudanças na presidência da cúpula diretiva da confederação de futebol no país. Em substituição a Sampaoli, foi contratado Juan Antonio Pizzi. Argentino naturalizado espanhol, o novo técnico tinha a missão de dar continuidade a um trabalho vitorioso.

A princípio, os desafios foram maiores do que o esperado. Os primeiros jogos, válidos pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo FIFA 2018, tiveram resultados aquém do esperado e instabilidade no início da trajetória. Sampaoli era criticado pela imprensa chilena por usar sempre o mesmo grupo de 14 ou 15 jogadores nas partidas oficiais e amistosas, realizar as mesmas modificações, uma equipe previsível, sem versatilidade.

Porém, a Copa América Centenário serviu para dar entrosamento a um grupo e, enfim, Pizzi pôde implantar sua filosofia de trabalho. A base da seleção foi mantida em relação a Sampaoli. Assim, nomes como Eduardo Vargas, Alexis Sánchez, Beauseajour, Arturo Vidal, entre outros, foram fundamentais para a conquista. Entretanto, nas partidas disputadas nos Estados Unidos, Pizzi conseguiu colocar em campo praticamente todos os convocados. Dos 23 convocados, 20 entraram em campo. Apenas o atacante Nicolás Catillo, além dos goleiros reservas Johnny Herrera e Cristopher Toselli não entraram em campo ainda. Há uma equipe base, mas não impede que novos jogadores sejam testados e tenham oportunidade, a exemplo de Edson Puch, Francisco Silva, Mark González, Mauricio Pinilla.

O início da Copa América Centenário não foi bom. Considerada a revanche contra a Argentina, a Albiceleste venceu por 2 a 1. A partir de então, os chilenos apresentaram melhora considerável na forma de jogar, principalmente nas fases eliminatórias. Ao terminar na segunda colocação do grupo e encarar o México, era previsto um desafio muito equilibrado, e os mexicanos tinham o apoio maciço do torcedor, mas o Chile destoou. Após abrir boa vantagem de 2 a 0 no primeiro tempo, não diminuiu o ímpeto ofensivo e aproveitou os enormes espaços cedidos por El Tri para impor uma histórica goleada de 7 a 0.

Nas semifinais contra a Colômbia, o placar não se repetiu. Mas La Roja decidiu o jogo nos dez minutos iniciais. Os fatores climáticos e a postura do adversário eram diferentes, mas ainda assim, o reagrupamento defensivo, a organização para marcar e a velocidade na transição entre defesa e ataque foi fundamental para o Chile superar fortes adversários sem sustos.

Em mais um duelo contra a Argentina, Juan Antonio Pizzi vai tentar impor a mesma estratégia de jogo. Evidente que vai haver bem mais cautela porque os rivais estão animados e apresentam um bom futebol. Ainda assim, o comandante vai relembrar os tempos de rivalidade com o técnico Gerardo "Tata" Martino (Rosario Central x Newell's Old Boys na época de jogador e Valencia x Barcelona como técnico) para obter sucesso. Com um futebol envolvente, ainda que em pouco tempo de trabalho, Juan Antonio Pizzi pode ser reconhecido pela manutenção da boa fase vivida pelo Chile no continente americano.