VAVEL analisa semifinais da Uefa Euro 2016

Portugal x País de Gales e Alemanha x França têm um fator em comum: a ausência de favoritismo

VAVEL analisa semifinais da Uefa Euro 2016
Foto: Frederic Stevens/Getty Images

A hora da verdade se aproxima. A Uefa Euro 2016 está em seu 24º dia e tem apenas quatro seleções sobreviventes. França, Alemanha, Portugal e País de Gales são os postulantes às vagas na grande decisão. O campeão será conhecido no próximo domingo (10), no Stade de France, em Saint-Denis.

Portugueses e galeses correm atrás de um título inédito. A seleção dona da casa, por sua vez, almeja a terceira taça continental que a deixaria igual com Alemanha e Espanha na lista de títulos. Atuais campeões mundiais, os alemães querem reforçar sua grandeza com o quarto troféu europeu - que seria sua oitava conquista de grande porte, junto às quatro Copas do Mundo.

Assim a VAVEL Brasil analisa os confrontos das semifinais da Euro 2016.

Portugal x País de Gales: muito mais que um "CR7 x Bale"

Portugueses e galeses abrirão a fase semifinal na próxima quarta-feira (6), no Parc Olympique Lyonnais, em Lyon. Conforme já dito, ambos os escretes sonham em conquistar a Europa pela primeira vez. Enquanto Portugal pretende exterminar o fantasma de 2004, Gales vem trilhando caminhos jamais percorridos e quer continuar a encher os olhos do público.

A Seleção das Quinas chega à terceira semifinal em quatro edições. O feito é bastante expressivo e reforça seu posto de seleção emergente. Falta um título para consagrar os "tugas". Depois do surpreendente revés para a Grécia em 2004, no Estádio da Luz, eles querem uma nova chance.

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A boa campanha, no entanto, não deve maquiar os defeitos apresentados no trabalho do técnico Fernando Santos. Nesta Eurocopa, Portugal não venceu nenhuma partida em 90 minutos. Acumulou três empates na fase de grupos e só avançou por estar entre as quatro melhores terceiras colocadas, graças a um critério de desempate controverso que privilegia o saldo de gol em detrimento do número de vitórias. Turquia e Albânia, que somaram os mesmos três pontos de Portugal, mas com um triunfo, não passaram de fase. Nas oitavas, eliminou a Croácia na prorrogação. Nas quartas, despachou a Polônia nos pênaltis.

O esquadrão português tem excelentes nomes do meio para a frente: os meio-campistas João Mário, Adrien Silva e Renato Sanches e os atacantes Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma e Luís Nani. Poderia investir mais no setor ofensivo ao invés de sobrecarregar os defensores. O goleiro Rui Patrício, os zagueiros Pepe e José Fonte e os laterais CédricRaphaël Guerreiro - este último vem enfrentando lesão, foi substituído por Eliseu no último jogo e é dúvida para o restante da competição - vêm dando conta do recado, porém estão sendo bombardeados.

Também está na hora do craque CR7 reaparecer. O astro do Real Madrid não esteve com a pontaria afiada contra Áustria e Polônia e foi anulado pela zaga da Islândia. Foi decisivo diante da Hungria, com dois gols, e, pode-se dizer, frente à Croácia, como participante do lance do gol de Quaresma. Mas o camisa 7 pode nos apresentar muito mais que isso.

Do outro lado, vê-se o renascimento de uma seleção tradicional. O País de Gales, que está em sua primeira Euro, retorna a uma grande competição 58 anos depois de ter sido quadrifinalista da Copa do Mundo na Suécia - àquela ocasião, foi eliminado pelo Brasil, que viria a ser o campeão. E quer alcançar dois feitos inéditos de uma vez: conquistar um título como estreante e levar um troféu de Eurocopa para a Grã-Bretanha.

Em termos de futebol, os Dragões vêm apresentando atuações mais convincentes em relação à Lusa. Mesmo que Gareth Bale e Aaron Ramsey destoem dos demais no papel, o time do técnico Chris Coleman tem sido rico em coletividade. O goleiro Wayne Hennessey, o zagueiro e capitão Ashley Williams, os meias Neil Taylor e Joe Allen e o atacante Robson-Kanu merecem destaque.

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No encontro com Portugal, Gales não terá Ramsey, um dos seus grandes craques, à disposição: o meia está suspenso. Sam Vokes, que contra a Bélgica entrou em campo no decorrer da segunda etapa e anotou um gol, vem sendo o mais cotado para a vaga deixada por Ramsey.

A ausência de Aaron Ramsey aumenta a responsabilidade de Bale, o maior ídolo do futebol galês desde Ryan Giggs e Craig Bellamy. Mas ele está acostumado com pressões. Tornou-se o jogador mais caro da história do futebol ao se transferir para o Real Madrid, onde já conquistou cinco taças, e, tecnicamente falando, vem liderando a seleção do seu país desde a surpreendente campanha nas Eliminatórias da Euro.

Nisso, concluímos que Portugal x País de Gales não é apenas um encontro entre dois craques do Real Madrid. É, também, um duelo entre equipes de valor. Embora, conforme já dito, os galeses estejam apresentando melhor repertório, não se pode tirar o prestígio de um time com craques como CR7, Sanches e Quaresma. Não há favorito.

Caminhada rumo à semifinal

Portugal
1 x 1 vs. Islândia
0 x 0 vs. Áustria
3 x 3 vs. Hungria
- Terceiro colocado do Grupo F; classificado entre os melhores terceiros colocados
1 x 0 vs. Croácia (após prorrogação)
1 x 1 vs. Polônia (5 x 3 nos pênaltis)

País de Gales
2 x 1 vs. Eslováquia
1 x 2 vs. Inglaterra
3 x 0 vs. Rússia
- Líder do Grupo B
1 x 0 vs. Irlanda do Norte
3 x 1 vs. Bélgica

Alemanha x França: duelo de titãs

Na quinta-feira (7), o Stade Vélodrome, em Marselha, recepciona um dos maiores clássicos do futebol. Taças não entram em campo e não balançam as redes, mas não se pode negar que um duelo o qual reúne cinco Copas do Mundo (quatro da Alemanha e uma da França) e cinco Eurocopas (três da Alemanha e uma da França) é digno de muito respeito.

Dona do show, a França não vai querer sair da festa mais cedo. O técnico Didier Deschamps dispõe de um excelente plantel. Todo treinador gostaria de ter em mãos um grupo com jogadores qualificados como o goleiro Hugo Lloris, os defensores Laurent Koscielny e Samuel Umtiti, os volantes Paul Pogba, Blaise Matuidi e N'Golo Kanté, o meia-atacante Dimitri Payet e os atacantes Antoine Griezmann e Olivier Giroud e André-Pierre Gignac, além de jovens promissores como Anthony Martial e Kingsley Coman.

Contudo, o plantel ainda não "deu liga". Na fase de grupos, os Bleus sofreram para superar Romênia e Albânia e escaparam de perder a liderança do Grupo A para a Suíça. Nas oitavas, a Irlanda foi outro teste de paciência.

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Já contra a surpreendente Islândia, a equipe de Deschamps deslanchou e se deu ao luxo de baixar o ritmo no segundo tempo - para se ter ideia: nesta etapa, os islandeses tiveram 72% de posse de bola nos primeiros 15 minutos e assustaram os franceses em diversas oportunidades, com direito a um pênalti por assinalar. Mas, evidentemente, o time terá de entrar "ligado nos 220" contra os alemães. O apoio da torcida, além de fundamental, deverá ser uma arma a mais.

Atual campeã do mundo, a Alemanha tem como maior talento a facilidade para sair jogando. Procura se defender e atacar mantendo a bola nos pés pelo maior tempo possível. Joachim Löw treina a Nationalelf desde 2006. De lá para cá, sempre levou a seleção, no mínimo, a uma semifinal. Foi semifinalista da Copa do Mundo de 2010 e campeão da Copa do Mundo de 2014, além de vice-campeão da Euro 2008 e semifinalista da Euro 2012. Agora, é semifinalista mais uma vez.

Löw terá muita dor de cabeça para armar o time. Os volantes Sami Khedira e Bastian Schweinsteiger e o atacante Mario Gómez estão contundidos. O zagueiro Mats Hummels, por sua vez, está suspenso. Somando-se as eventuais ausências ao fato de jogar como visitante, a responsabilidade da equipe aumenta juntamente com os holofotes sobre as referências do plantel, casos do goleiro Manuel Neuer, do zagueiro Jérôme Boateng, dos meias Toni Kroos e Mesut Özil e do atacante Thomas Müller.

Vale destacar os bons desempenhos do lateral-esquerdo Jonas Hector e do polivalente Joshua Kimmich em suas primeiras competições oficiais pela seleção. Destaques da última Bundesliga, os novatos não vêm sentindo pressão alguma. Agora têm pela frente o que pode ser considerado como o maior desafio de suas carreiras: um duelo com a anfitriã da Eurocopa valendo vaga na grande final.

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Alemanha x França, assim como Portugal x Gales, não tem favorito. Os franceses têm mais peças à disposição e jogam em casa. São armas a mais, sem dúvida. Além disso, teoricamente estarão menos desgastados fisicamente por virem de 90 minutos, enquanto o adversário vem de 120 minutos mais disputa de pênaltis. Entretanto, os alemães já têm incorporados em si o espírito de jogar um clássico, pois vêm de uma grande eliminatória com a poderosa Itália. Por sua vez, os Bleus enfrentarão uma seleção à sua altura pela primeira vez na competição.

Há quem diga que o campeão da Euro sairá deste "duelo de titãs". Mas todo e qualquer palpite é pequeno diante da imprevisibilidade que norteia o futebol. Toda e qualquer teoria pode cair quando a bola está em jogo. A única certeza que temos é que a Eurocopa 2016 vai deixar saudades.

Caminhada rumo à semifinal

Alemanha
2 x 0 vs. Ucrânia
0 x 0 vs. Polônia
1 x 0 vs. Irlanda do Norte
- Líder do Grupo C
3 x 0 vs. Eslováquia
1 x 1 vs. Itália (5 x 6 nos pênaltis)

França
2 x 1 vs. Romênia
2 x 0 vs. Albânia
0 x 0 vs. Suíça
- Líder do Grupo A
2 x 1 vs. Irlanda
5 x 2 vs. Islândia

Tabela

Semifinais
Quarta-feira (06/07)
Portugal x País de Gales
Parc Olympique Lyonnais, em Lyon, às 16h*

Quinta-feira (07/07)
Alemanha x França
Stade Vélodrome, em Marselha, às 16h*

Final
Domingo (10/07)
Alemanha ou França x Portugal ou País de Gales
Stade de France, em Saint-Denis, às 16h*

* Horário de Brasília