Sobrevivência de Portugal na Eurocopa passa pelos pés de Renato Sanches

Equipe disputa a semifinal depois de duas atuações do seu camisa 16 nas oitavas e quartas de final que lhe renderam o prêmio individual de melhor jogador da partida

Sobrevivência de Portugal na Eurocopa passa pelos pés de Renato Sanches
Sobrevivência de Portugal na Eurocopa passa pelos pés de Renato Sanches (Fotomontagem: Hugo Alves/VAVEL)

“Ele não tem nenhum medo. Ele simplesmente não liga [pra importância das partidas], pedindo a bola o tempo todo, a todo segundo. Ele tem força física pra correr o dia inteiro, além de uma grande habilidade”, disse Fonte, zagueiro de Portugal, se referindo ao seu companheiro de equipe Renato Sanches, eleito o jogador da partida nos jogos contra Croácia e Polônia, nas fases de oitavas e quartas de final, respectivamente.

De fato, Renato Sanches não tem medo. Ele parece não sentir a pressão que é defender uma seleção do tamanho de Portugal numa competição como a Eurocopa. Contra a Croácia, entrou no segundo tempo e conseguiu dar volume de jogo para sua equipe e dar a energia que os lusos precisavam naquele jogo tão apático.

Ele conseguiu dar rapidez, o que faltara até mesmo para a sua maior estrela, Cristiano Ronaldo, conhecido por ser muito veloz. Sanches, também, conseguiu dar a vitória depois de puxar e iniciar o contra-ataque para o gol de Quaresma já nos cinco minutos finais do segundo tempo da prorrogação. Deu a sobrevivência.

Cinco dias depois, aproveitou a lesão de André Gomes para merecer sua primeira vez entre o XI inicial de Portugal. Logo nas quartas de final da competição, contra a até então invicta Polônia de Robert Lewandowski. Na ocasião, o adversário saiu na frente quando o relógio marcava minuto com apenas um dígito e quase marcou em outras duas oportunidades que obteve. Era hora da estrela portuguesa brilhar, e a 'estrela' do mundo não era o camisa 7 três vezes melhor do mundo.

Cito, novamente, o “sem-medo” Renato Sanches. Mesmo estando em desvantagem no placar, ele continuou pedindo a bola, chamando jogadas, buscando tabelas e se apresentando quando necessário. Empatou a partida no que também foi tido como o gol das quartas de final, em votação feita pela Uefa. Arrematou da entrada da área depois de tabelar com um companheiro para empatar tudo até ali. E ficou assim, até as penalidades, quando também acertou a sua, colocando no alto do seu lado esquerdo, atitude complicada nesses momentos. Portugal avançou. Melhor da partida, de novo.

A primeira comemoração de muitas do 'miúdo maravilha' (Foto: NurPhoto/Getty Images)
Este miúdo maravilha ainda vai dar o que falar, ó pá (Foto: NurPhoto/Getty Images)

Agora, na semifinal contra o País de Gales de Gareth Bale, Portugal precisa mais do que nunca da sua estrela em ascensão. Questionada por ter chegado tão longe sem ter vencido um jogo no tempo normal, os lusos vão ter pela frente o surpreendente Dragão britânico e é nesta hora que precisarão se provar.

Em sua quarta semifinal das últimas cinco edições do torneio, os portugueses querem repetir 2004: chegar à final tendo um jovem jogador animador para o futuro da seleção fazendo as melhores partidas em momentos decisivos da competição – à época, Cristiano Ronaldo era quem fazia as honras. Renato Sanches agora é indispensável para o XI inicial depois de ter melhorado sua equipe na fase de mata-mata sempre que esteve em campo.

Esse ímpeto do ex-Benfica, porém, fez a Europa se render ao seu talento. O jornal espanhol Mundo Desportivo eleva o jogador, ressaltando que “leva Portugal nas costas”; o italiano Il Foglio compara a força física e técnica de Sanches às de Seedorf e Davids, ressaltando que o português é completo, assim como os holandeses foram em seu auge.

O inglês Daily Mirror, no entanto, fala que “não ter contratado Sanches pode ter sido a mais grave das falhas de Ed Woodward”, depois de o Manchester United o perder para o Bayern de Munique que fez parecer roubo o valor de € 35 milhões pagos ao Benfica. Por fim, o alemão Bild o chama de ‘Super Sanches’, fazendo relação com algum super-herói que não sente medo.

Por toda a Europa só se vê elogios ao novo contratado do Bayern de Munique. De Portugal até a Alemanha. E não é para tanto, visto que até o seu novo treinador, Carlo Ancelotti, que o exalta ao afirmar ser o melhor jogador da Eurocopa mesmo sendo titular em um, e entrando do banco em outros três – não jogou contra a Áustria.

Todas as opiniões combinam, todos acham a mesma coisa. Renato Sanches é, certamente, o prospecto mais animador em Euros desde Rooney e o próprio Cristiano Ronaldo na de 2004. Ainda veremos muito do português por aí, mas ele faz parecer como se já tivesse feito o suficiente para os olhos dos apaixonados por futebol.

Mas não é, Renato. Ainda queremos ver mais de você. Muito mais.