Manning, Djokovic, LeBron e Ronaldo: o esporte permite uma nova chance para os gigantes

A temporada 2015/2016 se destacou pela redenção de algumas lendas. Peyton Manning, Novak Djokovic, LeBron James e Cristiano Ronaldo reescreveram seus nomes na história de maneira épica, dignos das estrelas que são

Manning, Djokovic, LeBron e Ronaldo: o esporte permite uma nova chance para os gigantes
Manning, Djokovic, LeBron e Ronaldo, lendas de 2016 (Foto: Editoria de Arte/VAVEL)

Como se faz história? Quais são os pré-requisitados básicos para assinar seu nome de maneira que seja lembrado por décadas? O que é preciso para marcar uma geração? Acreditar até o fim? Insistir até o último suspiro? Desafiar o impossível? Reescrever o que já está escrito? Ou todas as alternativas juntas? 

Campeões existem aos montes ao redor do mundo, em diversas categorias, em vários esportes. Lendas, no entanto, são raras. Não basta apenas chegar em primeiro lugar, é preciso mais que isso. A queda é inevital, mas dar a volta por cima é essencial. Ter sucesso à beira do impossível é o trajeto para quem quer adentrar neste seleto hall. E o esporte sempre está disposto a permitir uma segunda chance para os gigantes.

A temporada 2015/2016 se destacou pela redenção de alguns deles. Lendas indiscutíveis em seus respectivos esportes, mas fortemente criticadas devido a insucessos anteriores. Peyton Manning, Novak Djokovic, LeBron James e Cristiano Ronaldo reescreveram seus nomes na história de maneira épica, dignos das estrelas que são. E a VAVEL Brasil tratou de relembrar estes casos neste especial.

Manning levou a ideia de "acreditar até o fim" em seu sentido literal. Em busca da glória que escapou pelos seus dedos anos antes, foi até o último suspiro de sua carreira para terminar por cima. O motivo? Trata-se do SuperBowl XLVIII, em 2014, onde o Denver Broncos foi engolido pelo Seattle Seahawks, perdendo por 43 a 8, em uma das piores atuações da carreira do quarterback.

Chegou o momento de Peyton Manning se aposentar?

Então, o inferno desabou sobre a cabeça de Peyton. As sonoras - e não poucas - críticas por ter sido anulado em um dos jogos mais importantes de sua trajetória e as graves lesões que o retiraram de boa parte da temporada fizeram com que  a maldita pergunta o perseguisse durante seus últimos anos na NFL: chegou a hora de aposentar?

Era óbvio que sim, mas o amor ao esporte e a confiança em seus companheiros o fez partir ao último tiro, rumo ao seu objetivo final. Se a defesa do Broncos foi criticado em 2014, a mesma foi a dona do título de 2016. Mesmo sem ser espetacular, Manning foi fundamental como líder na vitória sobre o Carolina Phanters, no SuperBowl 50, por 24 a 10, encerrando a carreira com mais um título para coleção.

Da insistência até o último suspiro surge Novak Djokovic, com sua raquete e vestimentas sujas de barro, especificas do saibro sagrado de Roland Garros. Diferente de outros esportes, o tênis não tem limite de tempo, pois é você quem faz o seu próprio dentro de quadra. E, a cada ano que se passava, o relógio batia na porta do sérvio, o número 1 do mundo que não consiga conquistar este título.

Djokovic bateu três vezes na trave em Roland Garros

Eram 11 Grand Slams vencidos, sendo seis títulos do Australian Open, três de Wimbledon e dois do US Open. Mas faltava o mais desafiador entre eles, o Aberto da França que sempre foi o calcanhar de aquiles dos grandes tenistas. Federer foi aterrorizado até 2009 e Pete Sampras nunca conseguiu conquistá-lo. A história se repetiria com Djokovic? Bater na trave em três oportunidades só serviu para aumentar o fantasma que o assombrava.

Para piorar, foram dois vices seguidos: em 2014, para Rafael Nadal, e em 2015, para Stan Wawrinka. Mas a terceira final consecutiva teria de ter um desfecho diferente. Após anos aperfeiçoando seu jogo sobre a argila e voltando seus treinamentos para o torneio, precisou de quatro sets para vencer Andy Murray e conquistar Roland Garros. O Carrer Slam estava fechado e as últimas críticas sobre sua presença como um dos maiores da história, silenciadas. 

E se alguém pode desafiar o impossível, este é Lebron James. Seu currículo é de causar inveja e dispensa comentários: um dos maiores da história do basquete, bicampeão com o Miami Heat e dezenas de recordes quebrados durante sua carreira. No entanto, número nenhum poderia substituir o que seu coração pedia: chegar ao topo com a franquia que o trouxe para a NBA.

Então, saiu de zona de conforto e retornou ao Cleveland Cavaliers, franquia que o draftou em 2003 e foi seleiro de seus primeiros passos na liga. O objetivo quase foi concluído logo no ano de seu retorno: repetiu 2007 e foi ao NBA Finals, mas novamente seria superado, dessa vez para o Golden State Warriors. Lebron, já com 30 anos e sem a mesma explosão de antes, amargara o segundo vice consecutivo e a dúvida: ainda teria condições de carregar uma equipe ao título?

LeBron teria condições de carregar Cleveland ao título?

E a missão ficou mais díficil em 2016. Novamente os Warriors eram a pedra no caminho, mas dessa vez na melhor forma já vista. O recorde do Chicago Bulls de Michael Jordan foi quebrado, o título de conferência veio de maneira épica e Stephen Curry queria roubar seu posto como maior estrela em atividade na NBA. O impossível esteve presente no Finals quando a equipe de Oakland abriu 3 a 1 na série, precisando de apenas mais um triunfo para conquistar o bicampeonato. Ali, muitos decrataram o fim.

Meros mortais e suas conclusões baratas. No jogo 5, James e Kyre Irving impediram o título com 81 pontos somados entre eles. No 6, atuação de gala do camisa 23, digna dos velhos tempos e vitória arrasadora. Já no 7, um toco sensacional em Iguodala no último quarto foi o início de sua coroação. Os Cavaliers fizeram história, viraram a série para 4 a 3 e conquistaram o troféu pela primeira vez. E, enfim, o sonho de LeBron se tornou realidade.

E assim como Lebron reescreveu sua história, Cristiano Ronaldo pôde apagar um dos capítulos mais tristes de sua vitoriosa carreira. Final da Eurocopa de 2004. A Grécia venceria Portugal, país-sede do evento naquela ocasião, por 1 a 0, silenciando o Estádio da Luz e marcando o início da caminhada do ainda camisa 17 lusitano.

Ronaldo expulsou o fantasma de 2004 de sua carreira

Ronaldo cresceu e evoluiu. Quebrou recordes e conquistou inúmeros títulos com o Manchester United e o Real Madrid, mas ainda faltava algo mais. Assim como a pressão que Lionel Messi sofre, se cobrava um título pela seleção principal. Afinal, quem é considerado o melhor do mundo, deve provar isso pela sua pátria, correto? Não necessariamente, mas era assim que Cristiano se cobrava.

Doze anos depois, a oportunidade em um cenário parecido. A França, dona da casa e favorita (assim como Portugal em 2004), enfrentou a seleção lusitana, tida como azarão na Eurocopa (tal qual a Grécia). O camisa 7 se lesionou no primeiro tempo, mas assistiu do banco ao gol de Éder, na prorrogação, que deu o título aos portugueses. Fundamental ou não, o resultado era o mesmo: Cristiano Ronaldo finalmente conseguiu ser campeão com sua seleção.