Atlético Nacional quer título da Libertadores para dissociar sua imagem de Pablo Escobar

Narcotraficante foi o maior financiador do clube nos anos 80

Atlético Nacional quer título da Libertadores para dissociar sua imagem de Pablo Escobar
Foto: Domínio Público

Na quarta-feira (20), o Atlético Nacional de Medellín dará início a busca pelo segundo título da Taça Libertadores da América. Os ‘verdolagas’ enfrentarão Independiente Del Valle, que eliminou o Boca Juniors em plena Bombonera. Campeão da principal competição de clubes do Continente Americano em 1989, o Atlético Nacional de Medellín luta não apenas por mais um título da Libertadores, mas também para dissociar a sua imagem da do narcotraficante Pablo Escobar.

Morto em 1993 em um confronto com a polícia colombiana, e considerado um dos homens mais ricos do Mundo devido ao tráfico de drogas, Pablo Escobar era um grande fã de futebol. Apesar de ser torcedor do Independiente de Medellín, Escobar era um grande simpatizante do Atlético Nacional. O narcotraficante investiu pesado nos dois times da cidade, e também no Envigado, time da região metropolitana de Medellín.

Além de investir financeiramente no Atlético Nacional, Pablo Escobar estabeleceu uma grande amizade com vários jogadores da equipe. Entre os jogadores que eram amigos do traficante colombiano, estavam René Higuita, Faustino Asprilla e Victor Aristizabal, que também participavam de partidas de futebol promovidas por Escobar em sua residência.

No entanto, o investimento de Pablo Escobar nos clubes da região de Medellín não era visto apenas como uma prova de amor ao futebol. Segundo o cineasta Michael Zilberstein, autor do documentário Os dois Escobares, que fala a respeito do reinado de Escobar no narcotráfico e do assassinato do zagueiro Andrés Escobar após a Copa de 94, disse que o fato do narcotraficante colombiano injetar dinheiro no Atlético Nacional, Independiente e Envigado era uma resposta aos irmãos Orejuela, comandantes do Cartel de Cali, que faziam grandes investimentos financeiros no América de Cali, que foi finalista da Libertadores por três vezes consecutivas nos anos 80.

O Cartel de Cali era rival do Cartel de Medellín, cujo chefe era Escobar, no comércio de drogas na Colômbia. Zilberstein também acrescentou que os carteis de drogas da Colômbia também usavam os clubes de futebol como forma de lavar o dinheiro do tráfico.

Acusações de suborno e assassinato de árbitros

A ajuda de Escobar ao Atlético Nacional não restringiu ao campo financeiro. O narcotraficante subornou árbitros e jogadores de outros times da Colômbia. Muitos dizem que Pablo Escobar teria comprado o título da Libertadores de 1989. Porém, Francisco Maturana, treinador do Atlético Nacional naquela época, rechaça a hipótese do campeonato conquistado pelos ‘verdolagas’ tenha sido fruto de um esquema de suborno.

"Eu vivi aquela época, sei o que se passou. Tudo o que dizem não passa de histórias. Se fosse do jeito que falam, nós não teríamos nos esforçado para trabalhar", declarou Maturana, em entrevista concedida ao Estadão.

O filho de Pablo Escobar, Juan Marroquín Santos, também nega que seu pai tenha tido uma influência tão grande no futebol colombiano e ainda diz que Escobar não ordenou o assassinato de um árbitro após este ter prejudicado o Independiente de Medellín em um jogo contra o América de Cali.

“Nada disso é verdade. Já ouvi muito essas histórias. Meu pai não interviria no esporte dessa maneira, a esse extremo. Não utilizava sua violência para isso. É claro que ele foi responsável por centenas, milhares de assassinatos. Veja bem. Falar de um morto a mais não mudaria muito seu "currículo", não se trata disso”, disse o filho do narcotraficante colombiano

Livre da influência do tráfico de drogas, o Atlético Nacional do Medellín hoje é dirigido por Juan Carlos de Cuesta, que é o presidente mais jovem da história do clube, pois tinha 36 anos quando assumiu o cargo em 2010. O clube voltou a receber investimentos financeiros pesados. Os ‘verdolagas’ agora são financiados pela Organizacion Ardila Lülle (OAL), do bilionário Carlos Ardida Lülle. A OAL é um conglomerado que inclui veículos de mídia, empresas de agroindústria e automóveis.

O investimento da OAL já rendeu bons frutos. Nos últimos seis anos, o Atlético Nacional conquistou nove títulos (cinco Ligas Nacionais, duas Copas da Colômbia e duas Superligas) e foi finalista da Copa Sul-Americana em 2014. Além disso, o clube inaugurou um CT de US$ 3 milhões (cerca de R$ 10 milhões) e aumentou a sua receita anual de US$ 8 milhões para US$ 25 milhões.