Carrasco de gigantes argentinos, Del Valle quer seguir fazendo história na Libertadores

Modesto time do Equador é o primeiro a eliminar Boca e River numa mesma edição e agora quer seguir quebrando tabus

Carrasco de gigantes argentinos, Del Valle quer seguir fazendo história na Libertadores
Carrasco de argentinos, Del Valle quer seguir fazendo história

Quando começa uma edição de Libertadores, a maioria das pessoas apontam Boca Juniors e River Plate, ambos da Argentina, como favoritos. É natural, pela tradição, camisa, títulos, história... Às vezes nem se sabe o time que tem, mas lá estão os dois. Pois bem, se no começo dessa Libertadores 2016, alguém dissesse queima tal Independente Del Valle eliminaria os gigantes argentinos, provavelmente essa pessoa seria dada como louca. Mas a realidade é que o improvável aconteceu. 

O jovem time equatoriano tem como lema em seu estádio ser campeão do Equador. Classificado pra essa edição, o time então na chamada Pré-Libertadores. Numa disputa dura contra os chilenos da Universidad de Chile, o time azul e preto ficou perto da eliminação várias vezes. A trave, o goleiro Azcona, a zaga... O destino. Sim, estava escrito que esse time faria história desde o princípio. 

Cainda no grupo do Atlético MG, deu trabalho jogando no Brasil. E foi vitorioso em seus domínios. A moral foi aumentando e a força da torcida cresceu junto com o time, principalmente após o desastre ocorrido no Equador. Um terremoto arrasou uma parte do país e o time mandou seus jogos no Olímpico de Atahualpa. A renda das partidas eram revertidas às vítimas. Feito bonito. Assim como o próprio time em campo, que se mantinha invicto em casa e se virava fora. Dessa maneira, se classificou às oitavas. O rival era simplesmente o atual campeão River Plate. 

Na primeira partida, o mando fez a diferença. O leve, rápido e interessante time do Del Valle se impôs e dominou a partida. Angulo abriu o placar e isso incendiou a equipe, que não deixava o rival respirar, mesmo com a dificuldade da altitude. Os Milionários não se encontravam em campo. Mas o placar era pouco pra quem tinha de decidir na capital hermana. Pois nos acréscimos, Sornoza cobrou o pênalti da consolidação da vantagem. 2-0 e certo alívio. 

Na semana seguinte, um Monumental de Nunez daquele jeito. Pressão. O Del Valle não aguentaria, diziam. Ainda mais após o gol de Alario, deixando o atual campeão a um gol de levar aos pênaltis. Foi nessa hora que surgiu um herói. Azcona se tornou um muro debaixo das traves e pegou até pensamento. Foi um bombardeio do River, que chutava de tudo quanto é jeito, com todos possíveis. Foram mais de 20 finalizações certas e mais de sete defesas difíceis do goleiro. Nem a chuva ajudou. No final, a expulsão de Mercado era a gota final que faltava pra classificação equatoriana. 

Se nas oitavas era complicado, na semifinal, um dos mais importantes clubes do mundo. Boca Jr, de Tevez e cia. Era o último passo pra chegar na decisão. Contra si, o peso da inexperiência, de não ter craques e de nunca na história um time eliminar Boca e River na mesma edição. O panorama era igual. Azarão, sem alardes e precisando do resultado em casa. 

Novamente um Atahualpa lotado. Era Equador X Boca. Mas logo no começo, Perez abriu o placar para o time argentino. Tudo que não poderia acontecer. O time da casa sentiu o golpe e demorou pra assimilar. Mas aos poucos foi crescendo e se impondo. Até que uma falha da zaga visitante deixou Angulo livre pra vencer Orion e empatar. Tranquilidade pra segunda etapa. 

O Boca não estava bem. Sentia o forte ritmo equatoriano e a altitude. Era presa fácil e quase nada incomodava. Por sua vez, o Independiente cresceu e sabia que precisava da vitória. Até que uma saída errada de Fabbra, o ataque do Del Valle se armou rápido e Cabezas recebeu, fez um lindo giro e marcou um golaço. A virada veio. 

Com o placar a favor, a vantagem do empate era equatoriana. Novamente a decisão será num templo do futebol. La Bombonera. Pulsante e com Diego Maradona assistindo. A pressão era inevitável. E logo nos primeiros segundos já se mostrava que seria sufocante. Azcona e a defesa se viravam como dava, mas logo aos três minutos, Pavón abriu o placar após completar chute cruzado de Lodeiro. A vantagem já era e parecia que surgiria uma goleada. Mas aos poucos, o time visitante foi se achando, se soltando e criando chances. Até que um rebote da defesa argentina, após escanteio, deixou Caicedo livre pra empatar. Era o gol que o time precisava. 

O Boca então entrou em parafuso. Não conseguia dominar as ações e a partida ficou na mão equatoriana. A volta do intervalo foi perfeita. Isso porque o Del Valle acelerou seu ritmo, passou a ser mais objetivo e vertical e teve em Cabezas o autor da virada. Silêncio na Bombonera. Mas o pesadelo argentino estava só começando. Minutos depois, tentando ter pressa, Orion quis sair como libero da zaga e entregou a classificação no pé de Angulo, que matou a decisão. 3-1 e xeneizes na roda. 

A noite era tão equatoriana que até Azcona quis brilhar. Lodeiro teve um pênalti pessimamente batido e defendido pelo goleiro. Nos acréscimos, novamente Pavón marcou, mas não diminuiu o vexame hermano. Del Valle na final com todos os méritos. 

Agora, dois jogos pra entrar de vez na história. O título seria a coroação definitiva de quem vem se superando a cada etapa. Mesmo sendo o Atlético Nacional, melhor time da Libertadores, o Del Valle tem condições. Novamente decidirá fora. Mas novamente terá seu estádio, suas condições e seu país para ajudar. E se tem uma coisa que essa equipe mostrou que consegue é quebrar tabus, fazer o que parece difícil.