Mina marca no fim e Del Valle empata com Atlético Nacional na primeira final da Libertadores

Jogo truncado, com muita marcação e pouca inspiração teve emoções apenas nas etapas finais; Decisão ficará para a próxima quarta-feira, na Colômbia

Mina marca no fim e Del Valle empata com Atlético Nacional na primeira final da Libertadores
Foto: Juan Pistolha/LatinContent/Getty Images
Independiente Del Valle
1 1
Atlético Nacional
Independiente Del Valle: Azcona; Núñez, Mina, Caicedo, Tellechea; Orejuela, Rizotto, Julio Angulo (Gonzalez, min. 68), Cabezas (Uchuari, min. 68), Sornoza; José Angulo (Castillo, min 88). Técnico: Pablo Repetto
Atlético Nacional: Armani; Bocanegra, Sánchez, Henríquez, Díaz; Arias, Pérez (Guerra, min, 75) Berrío, Torres (Blanco, min. 80), Marlos Moreno (Ibarguen, min. 89); Borja. Técnico: Reinaldo Rueda
Placar: 0-1, min. 35, Berrío. 1-1, min. 88, Mina.
ÁRBITRO: Enrique Caceres (Par). Amarelos: Perez (min. 19), Nuñez (min. 43), Rizotto (min. 57), Sanchez (min. 79), Guerra (min. 93)
INCIDENCIAS: Partida de ida da final da Libertadores da América 2016, disputada no Olímpico de Atahualpa, no Equador, para 40 mil pessoas.

A expectativa era alta. Após mais de 20 anos, dois times que não eram de Brasil e Argentina faziam a grande final da Libertadores 2016. Era o duelo de todo um Equador, representado pelo guerreiro Independiente Del Valle, contra o técnico e melhor time do Atlético Nacional, de Medellin. Nesse clima que o Olímpico de Atahualpa viu o sofrido empate entre as equipes em 1 a 1, com gols de Berrio e Mina, já no final.

Na decisão, não há gol qualificado, o que deixou o jogo mais estudado, mais truncado e com as possibilidades mais abertas. O favorito Atlético tomou as rédeas da partida e teve mais a bola. E foi premiado com tento na primeira etapa, após bom lance individual de Berrío. Já na reta final de jogo, quando o Del Valle insistia, mas pouco criava, Mina empatou após bola cruzada e duas tentativas do defensor.

Com o placar, a vantagem recai sobre o favorito Nacional, apenas pelo fato de jogar em casa. Sem o  gol qualificado, um novo empate leva à prorrogação. Quem vencer será campeão e a final certamente pegará fogo.

Etapa morna, mas qualidade colombiana faz a diferença

O medo da altitude parece não ter afetado o acostumado time do Nacional. Devido alguns duelos do time verdollaga serem em grandes alturas dentro da Colômbia, a falta de oxigênio não influenciou tanto no começo da partida.

Com saídas rápidas, principalmente pela esquerda com o jovem Marlos Moreno, o Atlético conseguia tirar o time mandante de seu campo. Essa posse e domínio no começo quebrou o ímpeto inicial e trabalhou com mais calma a bola no meio e na saída de jogo.

Coube então ao time do Del Valle esperar o erro. A forma compacta e organizada de jogar ajudava o time da casa a não sofrer com a troca de passes e velocidade colombiana. Era um começo mais tático e estudado, típico de uma final.

Restava um erro para incendiar. E o primeiro lance de perigo foi com o zagueiro Mina, aproveitando falta lateral para finalizar e obrigar Armani a boa defesa. A jogada fez o jogo ficar mais animado. Pouco depois, Julio Angulo avançou com velocidade pela direita, buscou a finta perto da grande área, caiu, mas simulou, perdendo boa chance.

O time colombiano estava mais acuado. As jogadas laterais com profundidade não surtiam efeito, graças à boa marcação equatoriana, que anulava o meio criativo. Cabia ao Atlético trocar passes e girar na intermediária, mas sem infiltração. Os chutes de fora era uma alternativa, mas pouco eficiente.

Mas a força e o talento da melhor equipe da Libertadores apareceu quando o jogo se desenhava para o time da casa. Macnelly Torres encontrou o mínimo de espaço e rolou para Berrío. O meia-atacante fez o pivô contra Mina, girou e fintou bem, abrindo espaço para o chute de fora. O colombiano deu um tapa e tirou de Azcona, abrindo o placar.

Como não tem gol fora, a equipe do Del Valle tratou de manter a calma. A seu favor, o retrospecto de não ter perdido em casa. Mas a bola esquentou no pé e o time passou a errar passes demais, quebrando o ritmo da criação de meio campo e facilitando o domínio da equipe visitante. Assim, o primeiro terminou com o Atlético dominando a partida.

Del Valle gigante pra manter invencibilidade e a final em aberto

O pontapé inicial da etapa final logo trouxe o empate. Sorzona mandou nas costas da zaga para Cabezas, mas o jogador do Del Valle perdeu ângulo e a bola balançou as redes do lado de fora.

O time equatoriano se abria mais e marcava na defesa colombiana. O problema é que a velocidade e a qualidade do Atlético apareciam com certa frequência e, aliado ao mau jogo do zagueiro Mina, deixava o contra-ataque muito perigoso.

Mais seguro, confiante e técnico, o time verdollaga se prendia mais em seu campo, mas sempre trocando passes, envolvendo e buscando a bola no chão. A marcação era eficiente e forçava o meio equatoriano a passes laterais, sem grande perigo defensivo. Cabia cruzamentos longos ou força física para incomodar Armani.

O pouco poder ofensivo dos equatorianos obrigou o treinador Pable Repetto a mudar. Com Uchuari e Gonzalez, o time ficou mais leve, mas menos técnico. O Nacional já não tinha o mesmo físico de outrora e estava cômodo segurando o placar, com o domínio da bola e não tomando susto.

A tática era perigosa. Faltava muito tempo no relógio e, mesmo se defendendo bem, o futebol não tem uma fórmula mágica. Logo após um momento triste da partida- a lesão de José Angulo, depois de dividida por baixo, onde o pé ficou preso na grama e o joelho girou- a partida pegou fogo. Pra quem não tinha conseguido armar pelo chão, restava pelo ar. Na falta da lesão, a bola foi alçada, Castillo tentou, Armani espalmou e Mina pegou a sobra pra empatar a partida. Alívio no Equador. 

Agora, a decisão chega igualada para Medellin, quarta-feira que vem. Não há gol qualificado e qualquer empate leva à prorrogação.