Em fases distintas, Saint-Étienne encara embalado Lyon no clássico francês

Os lioneses acumulam cinco vitórias seguidas somando todas competições e buscam manutenção no G-3 da Ligue 1; em sentido contrário, os Verts estão em declínio notável, sem triunfar há três jogos

Em fases distintas, Saint-Étienne encara embalado Lyon no clássico francês
(Foto: VAVEL Brasil)
Saint-Étienne
Lyon
Saint-Étienne: Ruffier; Pierre-Gabriel, Théophile-Catherine, Lacroix, Gabriel Silva; Dabo, Pajot, Hernani; Hamouma, Bamba, Monnet-Paquet.
Lyon: Lopes; Rafael, Marcelo, Morel, Mendy (Marçal); Tousart, Aouar (Ndombélé); Cornet, Fekir, Memphis; Traoré (Mariano).
INCIDENCIAS: Partida válida pela décima segunda rodada do Campeonato Francês, a ser realizada no Stade Geoffroy-Guichard, em Saint-Étienne, na França.

Após um início de temporada marcado pela instabilidade de ambas equipes, Saint-Étienne e Lyon voltam a disputar o famigerado Derby du Rhône - um dos maiores clássicos do futebol francês -, neste domingo (5), no emblemático estádio Geoffroy-Guichard, em duelo condizente com a finalização da 12º rodada da Ligue 1.

Para os locais, o triunfo seria uma representação de reação depois de jogos caóticos e pouco produtivos em questão futebolística, além claro, de derrotar o maior rival e ganhar moral para o restante da época. Em contrapartida, os Gones estão no auge da forma e eliminando rivais com facilidade, estando na terceira colocação do Campeonato Francês e praticamente classificados aos 16avos da Uefa Europa League. A bola rola às 18h no horário de Brasília.

Com 18 pontos ganhos, os Verts se encontram na sexta posição, apenas quatro atrás do Lyon - podendo diminuir esta vantagem rival através de uma eventual vitória no clássico. Com isto, as intenções do treinador espanhol Óscar García em levar o ASSE de volta à competições internacionais permanecem vivas e as perspectivas futuras estão relacionadas diretamente a uma recuperação após acumular três jogos sem vitória.

Por outro lado, o OL vive um momento especial, engrenando como o esperado e se colocando no posto de terceira força do país. Neste contexto, o clube heptacampeão nacional jogará sem pressão demasiada, mas evidentemente, com objetivos de manter o domínio recente com relação ao adversário. 

Na partida anterior a este duelo decisivo, o Saint-Étienne conseguiu um empate sem gols diante do Toulouse, fora de casa, em atuação pragmática e com poucas ideias ofensivas. Deste modo, os questionamentos da mídia francesa foram todos voltados à figura de Óscar García, que apesar de histórico relacionado ao vistoso Barcelona, está longe de repetir as bases táticas da equipe catalã e vem esbarrando nas limitações do elenco do ASSE para implantar seus métodos.

Já o Lyon, do inexperiente técnico Bruno Génésio, venceu o Everton na última semana pela Europa League por 3 a 0, em uma exibição sólida e que deixou ótimas sensações prestes ao clássico. Antes muitíssimo criticado, Génésio encontrou um modo ideal para o OL jogar: linhas médias e posicionadas para recuperar e transitar com agressividade tremenda. Sendo assim, os protagonistas Nabil Fekir, Memphis Depay e Bertrand Traoré podem ser nomes cruciais no dérbi.

Óscar García destaca solidez defensiva como chave do sucesso

A hiperatividade defensiva sempre se caracterizou como uma virtude do treinador espanhol. Nos últimos jogos, o fator que está garantindo pontos capitais para a equipe é representado pela pouca quantidade de gols concedidos. Dito isto, a ausência confirmada do líder Loïc Perrin será algo determinante para a postura do ASSE na fase sem a bola.

Normalmente, os Verts costumam jogar com linhas posicionadas em blocos baixos, juntando jogadores entre as linhas para rodear o início do terreno de superioridade numérica para resistir. Sobretudo, com seu capitão fora de combate, que era respaldado pelo sistema de coberturas e tinha funções predefinidas, as perseguições individuais devem ser aderidas no duelo.

Com apenas dez tentos sofridos, o Saint-Étienne possui um controle defensivo inexistente no rival

Questionado sobre qual seria a compostura do seu conjunto defensivo, García foi objetivo: ​"Nós precisamos de consistência, principalmente. Sem Perrin, um dos nossos melhores zagueiros, a tarefa de parar um ataque capaz como o do Lyon será ainda mais difícil. É preciso entender que os atletas que fazem o sistema firme, e não ao contrário. Não devemos atribuir erros coletivos a jogadores específicos, isto não existe para mim. Seja com Perrin, Théophile ou Lacroix, a missão é vencer e todo plano vem sendo montado para tal coisa. Na Espanha, a tática se demonstra do mais alto nível e busco trazer isso em meus trabalhos."

Outra perda considerável para o treinador é o meia-atacante Rémy Cabella, contratado na última janela por empréstimo junto ao Marseille, que também está lesionado. As adaptações feitas nas fases do jogo variando entre 4-3-3 e 4-4-2 não estavam sendo capazes de potencializar todo potencial do atleta - um dos mais talentosos no elenco. Sobretudo, a necessidade de velocidade para transitar e atacar os espaços vazios não condiz com o perfil de Cabella, que prefere por atuar de frente para a baliza contrária tendo campo de visão amplo para desequilibrar, seja com conduções ou assistindo companheiros.

Sobre isto, Óscar comentou brevemente como pretende competir frente ao Lyon e citou as características de seus jogadores como epicentro de um estilo reativo: ​"Sempre buscamos resistir antes de atacar. É necessário muita concentração e objetividade para atacar após recuperar a posse. Como os principais jogadores do adversário passam por momento interessante, nossos cuidados serão exatamente com individualidades. Com a bola, os atletas que tenho em mãos me fazem voltar as atenções para contra-ataques e jogo pelos lados. Além disto, as ações em coletivo para gerar perigos deverão ter prioridade. No mais, jogadores como Fekir e Mariano, que decidem do nada, não podem se sentir confortáveis em campo."

​Deste modo, a estratégia do ASSE parece estar definida e voltada à uma proposta específica. As transições em jogo exterior onde os pontas criam através do drible e propiciam associações para conectar atletas mais criativos entre as linhas adversárias, devem ser uma das maneiras mais buscadas pelos Verts dentro das suas possibilidades. Neste sentido, o protagonismo ficará todo por conta da trinca de meio-campistas, com predefinições claras: impedir continuidade rival no próprio campo, recuperar a posse e transitar com poucos toques no esférico.

Neste contexto, a formação do Saint-Étienne deverá ser próxima disto ​(4-3-3): Ruffier; Pierre-Gabriel, Lacroix, Théophile-Catherine, Gabriel Silva; Dabo, Hernani, Pajot; Hamouma, Bamba, Monnet-Paquet.

​Com pés no chão, Génésio espera agressividade ofensiva por parte do Lyon

​Com uma ascensão impressionante nos últimos jogos, Bruno Génésio deve manter as bases táticas habituais do Lyon, variando peças complementares por opções técnicas, de acordo com o mesmo. Deste modo, a tendência será ver os jovens Houssem Aouar e Ferland Mendy jogando juntos novamente - desta vez -, com o primeiro representante mais recuado como meio-campista, ao invés de ponta pela esquerda.

Desta maneira, a grande dúvida fica por conta da presença do atacante espanhol Mariano Diaz, que sofreu um pequeno problema muscular na quinta-feira diante do Everton, em partida na qual entrou no decorrer. Neste cenário, há duas opções: inserir Traoré no comando do ataque ou deslocar o útil Maxwel Cornet para esta faixa do campo.

Com 27 gols anotados na Ligue 1, o Lyon têm um dos melhores ataques da competição

Bruno Génésio, já acostumado aos jogos de clima quente no Geoffroy-Guichard, espera deixar um dos palcos mais respeitados da França com três pontos na bagagem, independentemente de desempenho.

​"No meu período de jogador, sempre era especial e motivador jogar contra o Saint-Étienne. Apesar de não atuar no Lyon em uma época semelhante a realidade que vivemos agora, consegui alguns resultados positivos. Agora, como treinador, sempre presto atenção nos detalhes na hora de apresentar sobre o adversário em questão para os meus jogadores. Não podemos achar que já estamos com a temporada ganha, é preciso trabalho duro dia a dia e chegar nos jogos repetindo os treinos. Não vejo, no caso de um clássico, o nível de futebol como prioridade. O importante é vencer, ainda mais contra eles", disse o técnico.

​Com um elenco jovial, Génésio enfatizou os talentosos Aouar e Ndombélé como o futuro do Lyon: ​"É simplesmente mágico. Aouar tem demonstrado um futebol excelente, a exemplo do que fazia no futebol amador, na base. Correspondeu minhas exigências tanto como meio-campista quanto como atacante, tudo para se tornar um dos melhores do elenco. Já Tanguy, foi uma contratação muito acertada de nossa diretoria. É competitivo, especialmente, necessário ter atletas do perfil dele no time. O seu futebol me lembra bastante Tolisso e vem sendo importante para nós."

Dito isto, o Lyon, apesar de jogar longe do Parc Olympique Lyonnais, terá totais responsabilidades de propor o jogo. Neste contexto, as prestações decisivas do homens ofensivos da equipe serão cruciais para um eventual triunfo. Em contrapartida, a instável defesa dos Gones precisa demonstrar solidez após conceder 15 gols nas 11 primeiras rodadas do Campeonato Francês. Sobretudo, as intervenções ativas do volante Lucas Tousart para respaldar o restante do sistema defensivo precisarão ser potencializadas por um companheiro mais associativo jogando ao seu lado - neste caso -, o mesmo Aouar deve iniciar o jogo como titular. 

Ademais, os titulares do OL na visita ao grande rival não devem fugir disto ​(4-2-3-1): Lopes; Rafael, Marcelo, Morel, Mendy; Tousart, Aouar; Cornet, Fekir, Depay; Traoré.