O grande paradoxo: os laterais Bruno Cortez e Marcelo

Laterais, com realidades e carreiras diferentes, se aproximam no objetivo e desejo de conquistar o mundo

O grande paradoxo: os laterais Bruno Cortez e Marcelo
Foto: Rodrigo Rodrigues/VAVEL Brasil

No atual cenário do futebol, laterais são fundamentais para a engrenagem de qualquer equipe funcionar, tanto no ataque quando na defesa. Geralmente dinâmicos, os atletas dessa posição são importantes para gerar espaços e criarem chances de gol a partir de movimentos não-esperados pela equipe adversária. A evolução da função dos laterais é uma das coisas mais intensas no futebol, já que representa a importância dos mesmos para os respectivos esquemas táticos.

Quis o destino que, na final do Mundial de Clubes, entre Grêmio e Real Madrid, dois laterais brasileiros com características semelhantes, como a de um forte apoio ofensivo, – apesar da grande diferença técnica -, se encontrassem: tratam-se de Bruno Cortez, do Imortal Gaúcho, e de Marcelo, do poderoso time espanhol, os laterais-esquerdos das equipes.

A carreira e o currículo dos dois são, obviamente, incomparáveis, mas é possível encontrar características, dentro do contexto inserido, que conseguem aproximá-los: por muitas vezes, esses atletas foram a “válvula de escape” da equipe quando o ataque não funcionava como esperado. Em outras, mostraram uma capacidade defensiva sólida, provando o seu apoio nos dois setores do gramado.

Bruno Cortez: silencioso e objetivo

Bruno Cortês Barbosa, de 30 anos, não é um daqueles jogadores com uma história, metaforicamente falando, “traçada”, já que nunca teve destaque jogando nas categorias de base ou no começo de sua carreira profissional, passando, na verdade, longe disso. Os primeiros clubes da carreira de Cortez foram Paysandu, Al-Shahaniya, Castelo Branco e Quissamã.

Pelo Volta Redonda, quinto clube de sua carreira, foi um dos destaques do Campeonato Carioca de 2011, chamando a atenção do Botafogo, que, na época, estava carente de nomes na posição e resolveu apostar em um nome acessível para com o orçamento do clube. Pelo Alvinegro, Cortez mostrou a sua grande capacidade, sendo considerado um dos melhores laterais-esquerdos do Campeonato Brasileiro daquele ano, sendo convocado para representar a Seleção Brasileira no Superclássico das Américas.  

No ano seguinte, seria um dos reforços do São Paulo na temporada. Seu desempenho no Tricolor Paulista foi animador, já que Cortez foi o jogador que mais atuara no período, estando em campo 74 vezes de 78 possíveis. Para completar, foi coroado com a conquista da Copa Sul-Americana, sendo uma das peças importantes da equipe.

Após isso, porém, a carreira de Cortez cairia de uma maneira drástica, já que, após atuações ruins, o lateral seria desligado do elenco do São Paulo, que buscou emprestá-lo. Meses depois, assinaria com o Benfica, mas não deixaria saudades na Terrinha: entrando em campo apenas seis vezes, o “Super Choque”, os Encarnados não exerceriam a opção de compra. Em 2014, seria emprestado ao Criciúma, sendo titular em grande parte da Série B daquele ano, mas também sem maior destaque.

Depois de ficar dois anos no futebol japonês, Cortez seria contratado pelo Grêmio no começo de ano, sendo um motivo de chacota por conta dos torcedores de equipes rivais, que acreditavam que o Imortal havia contratado um jogador fadado ao fracasso, por conta de seus desempenhos recentes.

Inicialmente, o atleta foi reserva de Marcelo Oliveira. Com as atuações abaixo da média do camisa 26, porém, Cortez receberia, aos poucos, chances no onze inicial de Renato Portaluppi. Com o tempo, foi se adaptando, empilhando grandes atuações e, nos momentos cruciais da temporada, foi titular, tornando-se uma das principais peças da equipe.

Sem alarde, Cortez conquistou a vaga de titular e tornou-se um dos jogadores mais regulares do Imortal, sendo marcado pelo seu grande desempenho defensivo, como pôde ser observado na partida contra o Pachuca, na semi-final, em que o Camisa 12 foi sólido pelo setor.

Marcelo: grande destaque da posição

Também carioca, Marcelo começou sua carreira na base do Fluminense em 2005, mas atuando regularmente apenas no ano seguinte. As boas atuações impressionaram os olheiros do Real Madrid, clube que o contratou em janeiro de 2007, como uma transferência pensada para o futuro da equipe, já que, na época, o atleta ainda era muito jovem.

Apesar da pouca rodagem, Marcelo impressionou todos os treinadores que passaram pelo clube merengue durante esse período, conquistando, muito rapidamente, espaço na equipe titular. Sua primeira temporada de destaque foi em 2008-09, o que resultou em uma renovação de contrato e uma relação de amor com os fãs. Desde então, Marcelo é peça carimbada na Seleção Brasileira e é considerado o melhor lateral-esquerdo do mundo.

A realidade entre Cortez e Marcelo é gigantesca: de um lado, um jogador que, apesar de se destacar em algumas equipes, sempre foi cercado de desconfiança, fato que atrapalhava o seu desenvolvimento em seu clube. Do outro, um atleta espetacular desde o início de sua carreira, marcada pela presença de holofotes e idolatria em qualquer lugar.

Há um abismo entre as carreiras de Marcelo e Cortez. As duas, porém, estarão presentes frente a frente neste domingo (17), na final do Mundial de Clubes. Realidades diferentes, mas um objetivo em comum: a conquista do planeta. Dentro das quatro linhas, é comum a presença de abismos como o apresentado, mas, ao mesmo tempo, a existência de fatos tão próximos, o que resulta em um dos grandes paradoxos do futebol.