Arábia Saudita libera presença de mulheres nos estádios de futebol

Decisão foi comunicada na segunda (8); essa e demais medidas fazem parte de reformas promovidas pelo príncipe Salman, que chegou ao trono em 2015

Arábia Saudita libera presença de mulheres nos estádios de futebol
Foto: AFP/Getty Images

É um dia histórico para as mulheres na Arábia Saudita. Nesta sexta (12), elas puderam acompanhar o jogo entre Al Ahli e Al Batin, pelo Campeonato Saudita, direto das arquibancadas pela primeira vez, depois de autorização feita pelas autoridades do país. 

O primeiro estádio a recebe-las foi o Rei Abdullah, em Jeddah. No sábado, será a vez do Rei Fahd, que fica na capital do país. Para isso, as algumas instalações foram modificadas: foram criados setores "familiares", banheiros femininos e espaço para orações, que é tradicionalmente separados para mulheres e homens.

Além da permissão de frequentar estádios, as mulheres também poderão dirigir a partir de junho de 2018. As duas medidas fazem parte de reformas propostas por Mohamed bin Salman. O príncipe começou, lentamente, a rever o papel da mulher na sociedade saudita.

Em entrevista para o jornal inglês "The Guardian",  Ghadah Grrah contou como o futebol é uma paixão nacional na Arábia, tanto para homens quanto para mulheres. A torcedora do AL-Hilal, líder do campeonato, e fã de futebol desde 2010 se mostrou muito animada com a possibilidade. "É difícil ter que assistir seu time de coração apenas pela televisão, especialmente quando é um grande jogo ou uma final. Esperamos um longo tempo por esse momento. É um sentimento novo para todas nós, será maravilhoso!"

Demais esportes

As mulheres querem mais. Em 2016, a princesa Reema bint Bandar al Saud foi escolhida para comandar o departamento de esporte feminino na Arábia Saudita e ajudar a incentivar a prática esportiva nas meninas. São mais de 13 milhões de mulheres no país com a segunda pior taxa de diabetes feminino do mundo.

A criação do departamento aconteceu depois da população propor ao Comitê Olímpico Internacional (COI), em 2015, a realização de eventos internacionais no país, mas separados para homens e mulheres. A entidade não aceitou e o governo entendeu que era hora das diferenças de gênero mudaram.

São marcos importantes, mas o regime saudita ainda é muito ruim para as mulheres. No Fórum Econômico Mundial de 2016, a Arábia Saudita ficou ranqueado em 141º entre 144 países em relação a igualdade de gênero. Para James Dorsey, pesquisador sobre futebol no Oriente Médio, as mulheres seguem sendo alvos de profunda discriminação pelas leis do país. “A medida é um marco. Mas é apenas um começo num país onde as mulheres continuam subjugadas à vontade dos homens." Além disso, o regime ainda atua com "mãos de ferro" no esporte, determinando como as federações funcionam e não permitindo as que não concordam com o governo.