Contra-ataque: o calcanhar de aquiles do Bayern de Guardiola

Eliminação ante Atlético de Madrid trata-se da terceira queda seguida em semifinais, sendo todas enfrentando equipes com propósito parecido: se defender e contra-atacar

Contra-ataque: o calcanhar de aquiles do Bayern de Guardiola
(Foto: Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images)

Pep Guardiola não será campeão da Uefa Champions League pelo Bayern de Munique. Pelo menos não durante esta passagem. Acertado com o Manchester City para a próxima temporada, o treinador viu sua equipe sucumbiar diante do Atlético de Madrid, nesta terça-feira (03), na semifinal da Uefa Champions League. Foi a terceira eliminação seguida para espanhóis nesta fase do torneio. Caiu diante do Real Madrid em 2013/14, Barcelona em 2014/15 e para os Colchoneros em 2015/2016.

Contra-ataques têm sido o calcanhar de aquiles do tiki-taka

Mas não foi só esta coincidência no caminho que chama atenção. Também trata-se da terceira queda seguida em semifinais, sendo todas decidindo a eliminatória na Allianz Arena, enfrentando equipes com propósito parecido: se defender e contra-atacar. Estratégia essa que mostrou-se o calcanhar de aquiles do estilo 'tiki-taka', implementado por Guardiola. Seria hora de repensar no estilo? Explico.

Primeiramente, cabe destacar que outro ponto importante - mas pouco comentado - foi a ineficiência do Bayern de Munique abrindo as eliminatórias fora de casa. Foi derrotado nas três partidas, com isso, precisando sair para o jogo em seus domínios e abrindo espaços. Seus adversários, com a vantagem, jogavam pela bola certa para matar o confronto e optavam pelo contra-ataque. O cenário foi parecido em ambas as temporadas.

Bale foi o homem do contra-ataque de Carlo Ancellotti

Em 2013/2014, o Real Madrid venceu no Santiago Bernabéu por 1 a 0 e levou uma vantagem  mínima para a Alemanha. Foi o suficiente para Guardiola mexer na equipe e optar por uma escalação mais ofensiva. Era o que Carlo Ancellotti precisava para montar sua armadilha. Gareth Bale foi o homem do contra-ataque, jogando entre as linhas de meio e defesa, e não na ponta como de costume.

Resultado: em duas arrancadas, ganhou o escanteio do primeiro gol e sofreu a falta que originou o segundo. O Real Madrid foi para o intervalo vencendo por 3 a 0, sendo o último tento da primeira etapa um total resumo da partida. Linhas altas do Bayern tentando fazer pressão, Benzema fazendo o pivô e Bale infiltrando para receber o passe e sair na cara do gol. O galês rolou para Ronaldo marcar. 

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(Foto: Reprodução/Youtube)

Contra o Barcelona, Lionel Messi decidiu a vaga no Camp NouContra o Barcelona, pesou mais a partida do Camp Nou. É verdade que Guardiola tinha sete desfalques, mas quis subir sua marcação, apostando no duelo 'um contra um' e não obteve sucesso. A partida estava empatada até os 30 minutos do segundo tempo, quando Messi fez chover e decidiu a eliminatória com dois gols e uma assistência. Com 3 a 0 de vantagem, os catalães estavam praticamente com os dois pés na final.

Na Allianz Arena, o Bayern repetiu a estratégia que usou contra o Real Madrid: linhas altas e pressão na saída de bola. Os alemães até largaram na frente, mas viram uma das melhores atuações do Trio MSN no quesito tático. O Barcelona precisou de 10 minutos para virar, sendo o segundo gol uma aula de movimentação entre Messi, Neymar e Suárez, este que percorreu um longo trecho do campo antes de sair de cara para Neuer. Lembra muito a arrancada de Bale.

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(Foto: Reprodução/Youtube)

Retrancado, Atlético de Madrid jogava por uma única bola

Mas, contra o Atlético de Madrid, a história foi diferente. Claro que o Bayern também foi derrotado na partida de ida e precisava correr atrás do resultado, mas foi a primeira vez em que o alemães chegaram a igualar o marcador nas semifinais. O gol de Xabi Alonso seria um baque imenso para qualquer equipe do mundo, menos para a de Diego Simeone que manteve-se de acordo com a estratégia inicial, jogando por uma única bola.

Ela veio, aos 10 minutos do segundo tempo, com Antoine Griezmann, em novo contra-ataque. Fernando Torres fez o papel de Benzema, enquanto o francês saiu como uma agulha entre os zagueiros, assim como Bale. A jogada surgiu após o Bayern perder a bola no ataque. Novamente, o atacante teve uma grande parte do campo livre para percorrer antes de chegar na frente do gol.

(Foto: Reprodução/Youtube)
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Quem pensa que tal deficiência é exclusividade do Bayern, está enganado. Guardiola já sofria com os problemas de recomposição defensiva desde o Barcelona, onde o Real Madrid de José Mourinho era mestre em explorar esse recurso. As vezes com sucesso, outras não, mas sempre dando trabalho. Pelos catalães, também foi eliminado pelo Chelsea, em 2011/2012, também em uma semifinal de Champions League, também contra uma equipe que apostava em contra-ataques, onde também decidiu em casa, mas foi derrotado na partida de ida.

Guardiola ainda é o melhor técnico do mundo e com certeza está entre os melhores da história, mas precisa aprimorar o 'tiki-taka' na parte defensiva. Na Inglaterra, terá carta branca para moldar o Manchester City e corrigir quaisquer defeitos que achar necessário. Sem o título da Champions, o treinador deixa a Alemanha com inúmeras mudanças positivas. Apesar dos pesares, está longe de ser um fracasso. E, se for, será o fracasso mais vitorioso dos últimos anos.