Relembre: em 2006, Sevilla de Luis Fabiano deu show e venceu Barcelona de Ronaldinho

Nas vésperas de uma decisão de Copa do Rei entre as equipes, confira com detalhes aquela grande final realizada em Mônaco

Relembre: em 2006, Sevilla de Luis Fabiano deu show e venceu Barcelona de Ronaldinho
Foto: Friedemann Vogel/Getty Images
Barcelona
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Sevilla

Neste domingo (22), Barcelona e Sevilla decidem o título da Copa do Rei no Estádio Vicente Calderón em Madrid, às 16h30 horário de brasília. Será uma final inédita entre as equipes pela competição nacional, entretanto, não será a primeira vez que catalães e sevillistas decidem uma taça.

No início da temporada 2006/2007, Barcelona e Sevilla se enfrentaram na final da Supercopa da Europa, competição que une o vencedor da Uefa Champions League e da Uefa Europa League (na época o torneio ainda era chamado de Uefa Cup).

Na ocasião, a equipe azul-grená chegava a decisão após ter derrotado o Arsenal na competição mais importante do continente. Sim, a mesma decidida já nos minutos finais pelo brasileiro Belleti. Já o Sevilla, havia goleado os ingleses do Middlesbrough com tentos de Luís Fabiano, Maresca e Kanouté

Esse era o clima da decisão entre espanhóis naquele 25 de agosto em Mônaco, o Sevilla com uma de suas melhores equipes da história (talvez a maior), com um atleta que se consagraria anos depois no clube que naquela a noite seria seu adversário, e o Barça com um garoto "pouco" promissor chamado Lionel Messi, ainda pupilo de Ronaldinho Gaúcho.

As escalações

Os catalães eram comandados pelo holandês Frank Rijkaard, ídolo de Milan e Ajax nos anos 90. O treinador levou a campo naquela noite: Victor Valdés; Belleti, Rafael Márquez, Carles Puyol, Sylvinho; Xavi, Thiago Motta, Deco; Lionel Messi, Eto'o, Ronaldinho

Juande Ramos, que dois anos depois treinaria o Real Madrid, era o treinador do Sevilla. Sevillistas, segurem a emoção para lerem a escalação da equipe naquela noite: Palop; Dani Alves (o futuro ídolo do Barça citado acima), Navarro, Escudé, David; Jesus Navas, Poulsen, Renato, Adriano; Luís Fabiano, Kanouté.

Início do duelo

Em uma das raras vezes em toda a história, Barcelona e Sevilla entraram em campo sem nenhuma equipe como favorita no Stade Louis II na França. Mas com a bola rolando, não demorou muito para ficar claro que a superioridade era rojiblanca.

Com menos de cinco minutos de partida Luís Fabiano e Maresca já haviam levado um certo perigo a meta de Valdés. O brasileiro arriscou sem muita força da entrada da área, já o meia, aproveitou uma linda jogada de linha de fundo de Dani Alves para cabecear nas mãos do arqueiro catalão. Porém, aos 7' Poulsen lançou Renato que deixou Luís Fabiano de frente para o gol, como poucas vezes se viu o atacante desperdiçou a chance finalizando em cima de Valdés, mas na sobra, estava lá Renato para empurrar a bola pro fundo das redes.

Antes dos dez minutos da decisão o Barça de Ronaldinho e Eto'o, ambos no auge de suas respectivas carreiras, já estava atrás do placar sem sequer ter chegado a área adversária. Do outro lado, o Sevilla seguia compacto, e chegava com facilidade a área catalã. Luís Fabiano permanecia dando muito trabalho a zaga formada por Puyol e Rafa Márquez. Em duas oportunidades por pouco o atacante não ampliou a vantagem.

Antes do intervalo, coube a Samuel Eto'o com um chute franquíssimo de longa distância anotar a primeira finalização do Barcelona na partida, praticamente um recuo de bola para Palop. Se o goleiro sevillista não trabalhava, do outro lado do campo Valdés seria "protagonista" no lance seguinte. Nos acréscimos da primeira etapa, Renato cobrou escanteio, Valdés socou a bola que acabou encontrando Dani Alves na entrada da área, o lateral tocou novamente pra "bagunça" na marca do pênalti e viu Kanouté, livre de marcação tocar a bola para meta adversária, sem Valdés, levando uma grande vantagem para os vestiários rojiblancos.

Intensidade do Sevilla para garantir o título

O que você faria se levasse para o intervalo uma vantagem de dois gols de diferença em uma decisão de um torneio internacional? Muitos treinadores recuariam sua equipe, ou no máximo tentariam administrar sua vantagem com um ritmo mais lento. Entretanto, não foi assim que pensou Juande Ramos. O técnico do Sevilla manteve sua equipe da mesma maneira em campo, mantendo a pressão e não deixando o adversário jogar.

Dani Alves, melhor jogador daquela decisão, seguia como a principal peça acionada em campo. Com cruzamento de extrema qualidade, como faz até hoje, dez anos depois, o lateral buscava Kanouté e Luís Fabiano na grande área a todo momento.

O Barcelona sim havia voltado com uma novidade. O islandês Gudjohnsen, hoje atleta do modesto Molde da Noruega, entrou após o intervalo com a responsabilidade de mudar a história da decisão. Mas não foi bem isso que aconteceu. Muito pelo contrário. O atacante recebeu apenas três bolas em condições de finalizar. Primeiro acabou se atrapalhando sozinho e viu Palop sair para realizar a defesa com uma enorme tranquilidade. Depois, tentou bater de esquerda na diagonal mas acabou pegando "mascado". E por último, aproveitou o rebote após chute de Messi, mas finalizou na rede pelo lado de fora

Já o Sevilla, sempre que resolvia chegar a área levava perigo. Até mesmo o zagueiro Escudé teve uma grande oportunidade. Após grande jogada de Jesus Navas a bola acabou sobrando para Kanouté, o francês ajeitou e o zagueiro sevillista cabeceou pra fora, completamente livre de marcação quase na pequena área.

Futuro gênio, Lionel Messi em dois lances seguidos obteve as principais chances do Barcelona na decisão. Eto'o chutou fraco e por pouco argentino não chegou antes de Palop para desviar para o gol. E em seguida, foi a vez de Léo arrancar em velocidade (algo que com o tempo ele aprendeu a fazer até que bem), cortar para dentro e finalizar forte para a primeira e única grande defesa de Palop na partida.

Nos minutos finais, com o título já garantido, Puerta que havia entrado na segunda etapa arrancou livre em um contra-ataque, na marcação estava Puyol. O zagueiro catalão acompanhou o meia puxando sua camisa por mais de 20 metro até o mesmo ser derrubado. Maresca foi para a bola e chutou forte no centro do gol para sacramentar a goleada em Mônaco. Antes do apito final, Puerta com fôlego de sobra driblou a defesa inteira do Barcelona mas finalizou fraco nas mãos de Valdés. Um pequeno capricho em uma partida perfeita do Sevilla naquela noite.

Último tento anotado por Maresca nos acréscimos da partida (Friedemann Vogel/ Getty Images)