Especiais La Liga 2015/16 Barcelona: protagonismo de Luis Suárez no trio MSN

Em temporada que se desenhava para o título tranquilo, Barça quase v~e a taça escapar e conta com 'El Pistolero' para levar o segundo título seguido

Especiais La Liga 2015/16 Barcelona: protagonismo de Luis Suárez no trio MSN
Especiais La Liga 2015/16 Barcelona: protagonismo de Luis Suárez no trio MSN

A pressão pra cima de times grandes é sempre por títulos. Quando essa equipe é do tamanho e importância do Barcelona, isso é multiplicado, tanto pelo investimento, quanto por suas estrelas. Dono do trio ofensivo mais poderoso no planeta bola, o Barça chegava na temporada 2015/2016 como maior favorito em todas as competições.

Messi, Suárez e Neymar naturalmente colocavam medo em todos ao redor. Na Liga Espanhola, era franco favorito e, apesar de um começo cambaleante, cheio de altos e baixos, Luis Enrique acertou a equipe, que chegou a abrir mais de 10 pontos na frente do vice, mas a má fase se instaurou de vez, fazendo o time chegar ao limite para levantar seu 24º da história, o sétimo nos últimos 10 anos.

Um ponto. Essa foi a diferença do Barcelona campeão para o vice, seu arqui-rival Real Madrid. 91 a 90, para ser mais exato. Troféu levantado fora de casa e festa catalã. Relembre agora as fases que o time culé enfrentou dentro de suas 38 longas jornadas do torneio nacional.

Futebol burocrático e desconfiança

Começo da temporada. Mês de agosto de 2015. Barcelona, dono da Liga, da Copa do Rey, da Liga dos Campeões, da SuperCopa Europeia... Mas um carrasco logo na primeira rodada. O Athletic Bilbao, no caldeirão do Novo San Mamés. O time basco, que recentemente tinha tirado a Supercopa da Espanha do Barça de forma avassaladora, era o primeiro rival.

Mas o Barcelona surpreendeu. Um gol solitário de Suarez e um pênalti perdido de Messi mostrava o que seria a temporada. Mas tudo normal pela guerra esperada no País Basco. Tudo normal, já que na sequencia enfrentaria o chato Málaga, carrasco temporadas atrás. Jogando em casa, o time culé não conseguia imprimir seu ritmo e seu futebol vistoso, vencendo já no final com gol do zagueiro Vermaelen.

Os seis pontos eram bem-vindos, já que enfrentaria o rival Atlético de Madrid na capital espanhola. O temor pela falta de futebol se notou quando os colchoneros abriram o placar. Neymar empatou numa bela batida de falta e Messi foi Messi, ao sair do banco para virar a partida.

Confiança retomada. 100% de aproveitamento e jogo em casa contra o Levante. Hora do show, com a primeira goleada. 4 a 1 para empolgar a torcida e tomar a liderança. A arrancada estava acontecendo. Estava. Isso porque na rodada seguinte, o inesperado aconteceu.

Um capítulo à parte na trajetória catalã no torneio. Duelo em Vigo contra o bom time do Celta. Nolito chamou a responsabilidade, brilhou no ataque, enquanto Alvarez pegou até pensamento. Com essa combinação, o Barça perdeu a invencibilidade de forma trágica. 4 a 1 fora de casa e luz amarela acessa.

Mais um tropeço e o embalo definitivo

O trauma da goleada foi evidente ao encarar o fraco Las Palmas em pleno Camp Nou. O time não tinha confiança e pecou muito na finalização. Mesmo abrindo 2 a 0, faltava paz, coisa que perdeu ao levar um gol. Foi preciso recuar e se segurar para conhecer novamente as vitórias.

O time não estava bem. Mentalmente faltava a confiança do passe, da infiltração, do individual, da genialidade do trio MSN. E pra piorar, o melhor jogador do mundo machuca o joelho e tem previsão de parada por três meses. O melhor das hipóteses era retorno contra o Real Madrid. Até lá, Suarez e Neymar precisariam carregar o time. E encarar o Sevilla fora de casa, na sétima rodada, não seria nada fácil. Neymar ainda tentou fazer sua parte, mas o time da cidade foi superior e piorou a crise catalã ao vencer mais um jogo.

A perda da liderança foi consequência. Enfrentar o arrumado e com estilo parecido ao seu era outro problema. O Rayo Vallecano chegou a marcar dois, mas Neymar foi o cara, marcando quatro dos cinco tentos catalães. 

Se no ataque, as coisas funcionavam, na defesa, nem tanto. Mais uma vez vazada em casa, para o fraco Eibar, na vitória por 3 a 1. Somente contra o Getafe que as coisas passaram a normalizar, com vitória por 2 a 0. Suárez e o Neymar faziam suas partes, inclusive marcando todos os gols da equipe até o clássico contra o Real, momento que Messi voltaria. Momento que o campeonato mudou.

O primeiro clássico

Santiago Bernabeu no dia 21/11. Sábado. Real completo contra o Barça sem Messi. Expectativa total e os olhos do mundo voltados para a capital espanhola.

De um lado CR7, mas sem o rival Messi, que assistiu do banco o primeiro tempo. Tempo de ver o jovem Sergi Roberto fazer grande jogada pela direita e deixar Luis Suárez livre para dar um tapa de trivela e vencer Navas. A festa foi ainda maior, quando Iniesta fez grande jogada e rolou para Neymar ganhar de Danilo pela esquerda e dar um tapa na saída do goleiro merengue.

Nem foi preciso Messi na etapa final. Isso porque Iniesta tratou de ser o maestro e marcar uma pintura. Ele tocou para Neymar, que devolveu de letra e viu o camisa 8 mandar de primeira na onde a coruja dorme. E quando o melhor do mundo entrou, precisou participar da festa, ao dar passe para Suárez receber na direita e ter uma calma incrível para deslocar Navas e calar o Bernabéu. Goleada em plena Madri.

Ressaca de fim de ano

A goleada contra o maior rival encheu o time de moral. Com o trio novamente pronto, a equipe fechou 2015 goleando a Real Sociedad em casa. Mas a virada do ano foi de ressaca. Dois jogos e dois empates.Contra Valencia fora e La Coruña em casa, o time empatou, e viu a liderança menos folgada.

Na reta final do turno, vitórias contra Gijón, Betis e Granada. Um novo empate, contra o rival de cidade Espanyol, não estragou os planos de virar o torneio na liderança. Era só repetir a campanha que o título estaria perto.

Show catalão

No returno, o reencontro contra equipes difíceis. Mas, um a um, fora trucidados. Primeiro o Bilbao, massacrado no Camp Nou por 6 a 0, com show de Messi. Depois, vitória na raça contra o Málaga fora, sempre complicado.

O clássico contra o Atlético de Madrid foi pegado, confuso, mas nova vitória, de virada, com show de Suarez. Mas foi contra o Celta que o Barça foi à forra. Após vencer o Levante fora, o time catalão recebeu o carrasco de Vigo, que aplicou goleada no primeiro turno. Dessa vez, um sonoro 6 a 1, mostrando quem é que manda na Espanha. Era a melhor fase do Barça.

Contra o Las Palmas, outra vitória, mas essa de forma mais aguerrida, por 2 a 1, mas de suma importância.

O último momento de encanto na temporada

Para consolidar de vez e abrir vantagem no topo, o Barcelona recebeu o inconstante Sevilla. De forma burocrática, vitória por 2 a 1, mas com alívio, por ter uma sequencia tranquila pela frente. Isso porque vieram Rayo Vallecano (1 a 5), Eibar (0 a 4) e Getafe (6 a 0). As goleadas enchiam os olhos do mundo. Cada partida era um recital do Trio MSN, mas com destaque para Luis Suárez, podendo quebrar a hegemonia de Messi e Cristiano Ronaldo na artilharia do campeonato.

Só que veio o duelo contra o Villareal, no El Madrigal. O jogo era o último antes de uma pausa para Data-Fifa. Um empate em 2 a 2 poderia ser considerado bom, já que naquele momento, a vantagem para o Atlético de Madrid, vice, era de mais de 10 pontos.

O clássico que abalou estruturas

A volta da parada para as seleções trazia apenas Barcelona x Real Madrid. A morte de Johan Cruyff, dias antes, faria do Camp Nou um centro de homenagens ao holandês, um dos melhores jogadores da história.

Tudo estava lindo e maravilhoso. E ficou ainda mais, após Piqué escorar de cabeça e abrir o placar no primeiro tempo. Messi teve a chance, mas o juiz não viu falta clara de Sergio Ramos, que selaria a expulsão do zagueiro, na primeira polêmica do jogo.

Sem anda com isso, Benzema empatou e trouxe o Real para o jogo. Melhor na partida, o time merengue viu o seu capitão ser expulso, mas com enorme atraso. Mas nem o jogador a menos impediu Cristiano Ronaldo, apagado da partida, de marcar nos acréscimos e virar a partida!

A derrota caiu como uma bomba. Isso porque dias depois o barça seria eliminado para o outro rival, o Atlético de Madrid e daria adeus à Champions League.

Pior momento!

Era momento de colocar a cabeça no lugar e tratar de se ajeitar. Mas quem disse que o Barça conseguiu... Logo na sequencia, duelo fatal contra a Real Sociedad, no Anoeta. A pressão culé não foi suficiente e o time voltou de lá com a derrota por 1 a 0.

O time atacava, martelava, mas a fase era péssima. Prova disso foi receber o Valencia no Camp Nou. O time rival estava tão péssimo quanto o Barça, todo remendado, sob pressão, mas conseguiu a proeza de vencer, colocando fogo no campeonato!

A hora de Suárez!

A coisa ficou complicada. Faltavam quatro rodadas e a vantagem era de apenas um ponto para o Atlético. A guerra estava armada, mas o Barça tinha armas melhores. E isso se provou no duelo contra o La Coruña. O esperado jogo equilibrado se desenhou até o primeiro tempo, quando o placar era magro. Mas no segundo tempo brilhou Suárez, autor de cinco dos oito gols da equipe. Goleada para reanimar a equipe.

Por oito ou seis, a vantagem seguia a mesma. Então, quanto mais gols, mais ânimo. E foi por meia dúzia que o Barça venceu o Gijón no seu campo, com três de Suárez, artilheiro do torneio naquele instante.

A chance para Real e Atléti morava no duelo contra o Betis, fora de casa. De forma econômica, mas novamente com Luisito brilhando, o Barça venceu e segurava a ponta com unhas e dentes. Esse título viria na raça.

Ainda tinha um rival no meio do caminho culé. O Espanyol só queria estragar a festa, ver o rival sem a taça e fez de tudo, mas em vão. Outra goleada, dessa vez por 5 a 0. Tudo iria para a rodada final com todos os jogos no mesmo horário.

Ufa! Fim de sufoco!

O título estava restrito à Barça e Real. O Atléti vacilou na penúltima rodada e deixou no colo dos rivais a chance do troféu. Ambos jogando fora. Real contra o Deportivo La Coruña. Barça encarando o Granada. 

Por alguns minutos, o Real sentiu o gosto da conquista ao abrir o placar primeiro. Mas Luisito Suárez pegou pra si a responsa de carregar o Barcelona. Hat-trick, artilharia e a confirmação do título ao vencer por 3 a 0. Campanha de 91 pontos, 112 gols pró, 29 gols contra, 29 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. Aproveitamento de 79.8%. 24 títulos espanhóis.