De Porto Alegre a Barcelona: uma paixão chamada futebol

Amor pelo esporte que ultrapassa limites quando se trata de torcer por um clube

De Porto Alegre a Barcelona: uma paixão chamada futebol
(Foto: Anadolu Agency/Getty Images)

Hoje em dia é muito comum ver brasileiros que torcem por clubes de outros estados ou até mesmo para times estrangeiros. A paixão do brasileiro pelo futebol é tanta que acaba ultrapassando limites e permite com que os torcedores sigam seus clubes na Europa. Aquela tradicional história do filho herdar a paixão do pai pelo futebol e seguir o time de coração vem mudando aos poucos e dando espaço para os torcedores “modinhas”, que assim são chamados quem torce por clubes do Velho Continente.

Há algum tempo eu penso em escrever este texto, pois me encaixo muito nesta situação. Sou natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e desde sempre sou apaixonado pelo futebol; muito disto é por influência do meu pai. Sempre cresci seguindo os passos do meu velho e herdando a paixão pela bola de futebol e o clube que a minha família torce. Porém, ao passar dos anos e dos meus gostos, comecei a acompanhar o Barcelona e desde então criei uma relação muito grande com o clube. Toda essa relação com o clube teve início através do meu primeiro ídolo no futebol, Ronaldinho Gaúcho.

Ronaldinho eleito Bola de Ouro em 2005 (Foto: Lluis Gene/Getty Images)

Desde 2003, quando R10 chegou ao clube catalão, eu comecei a assistir os jogos do Barça sempre que podia. Acompanhando cada um dos shows de Ronaldinho no Barcelona, que não foram poucos, era impossível eu não me apaixonar cada vez mais pelo esporte e também por aquele clube que encantava a todos. Afinal de contas, a magia e alegria que Ronaldinho mostrava em campo é algo que ficou na história e sempre vai ficar na minha memória.

Messi na temporada 2004/2005 (Foto: Cesar Rangel/Getty Images)

Algum tempo depois da chegada de Ronaldinho no Barcelona, ainda tive a honra de ver outra grande joia se formando na base do clube, um argentino chamado Lionel Messi que era uma promessa da La Masia. Inclusive, Messi conseguiu seguir os passos de Ronaldinho e além de se tornar o maior jogador da história do clube, se tornou também meu maior ídolo. Tenho orgulho de poder dizer que acompanhei a carreira desse craque desde o seu início em 2003/2004.

Em 19 de novembro de 2005, um dos jogos que mais me marcou na vida, eu tive o prazer de ver o Barcelona vencer o Real Madrid por 3 a 1 dentro do Santiago Bernabéu, em Madrid. O maior destaque da partida não foi só a grande vitória fora de casa, mas sim o espetáculo que Ronaldinho nos proporcionou com dois gols e saindo de campo sendo aplaudido de pé por toda a torcida do próprio rival. O brasileiro mais uma vez demonstrando toda a sua magia e claro, me encantando ainda mais.

Em 2008 com a chegada de Pep Guardiola, Ronaldinho Gaúcho, que foi minha influência para seguir o Barcelona, acabou sendo negociado e foi para a Itália jogar pelo Milan. Porém mesmo com a saída de Ronaldinho a cada temporada que passava, eu acabava me desprendendo mais do clube que comecei a seguir por causa do meu pai e ficava cada vez mais fiel ao clube catalão que aprendi a amar sozinho.

Com Guardiola no comando do Barcelona, era ainda mais difícil não se prender aos espanhóis e não se apaixonar ainda mais pelo melhor futebol e melhor time que já se viu na história. O técnico conseguiu revolucionar o futebol e encantou o mundo com todos os seus títulos e filosofia de jogo. A era de Guardiola ainda presenteou com as goleadas históricas de 6 a 2 e de 5 a 0 no Real Madrid. Além da incrível marca do Barcelona de conquistar seis títulos em um único ano (2009), algo que nenhum outro time conseguiu.

A equipe de Guardiola que conquistou todos os títulos possíveis em 2009 (Foto: Shaun Botterill/Getty Images)

Não demorou muito para o meu coração estar totalmente pintado de azul-grená e ter deixado de lado o azul, preto e branco das cores do time do meu pai. Agora em 2017 já completam no mínimo cinco anos que torço só pelo Barcelona, mas já são 14 anos torcendo pelos catalães.

O rei e o discípulo comemoram o primeiro gol de Messi na carreira, com assistência de Ronaldinho (Foto: Lluis Gene/Getty Images)

Sou muito grato por ter acompanhado a era de Ronaldinho Gaúcho que revolucionou o Barcelona e deu início ao ciclo mais vitorioso da história do clube. Tenho a honra de poder falar que vi Ronaldinho Gaúcho jogar pessoalmente e tive-o como ídolo. E hoje tenho o privilégio de acompanhar Lionel Messi, onde tive a felicidade de assistir desde o seu início no clube, seu primeiro gol na carreira e poderei ver até sua aposentadoria. Inclusive, já realizei o sonho de ir ao estádio assistir Messi jogar em uma partida de Copa do Mundo (3 a 2 contra a Nigéria, no Mundial 2014).

Como torcedor do Barcelona nesses 14 anos, tive o prazer de acompanhar três ciclos muito vitoriosos no clube. Vi Ronaldinho Gaúcho liderar a equipe e mudar uma era e vi Messi iniciando sua trajetória e assumindo o trono de Ronaldinho. Também vi grandes lendas no clube como Puyol, Daniel Alves, Xavi, Iniesta, Eto’o, Henry e Ibrahimovic. Acompanhei todos os gols históricos do trio MSN que formaram o ataque mais letal da história. E ainda fui premiado por poder gritar “campeão” da Uefa Champions League em quatro edições (2005/06, 2008/09, 2010/11 e 2014/15), além de ter visto o Barcelona conquistar seis títulos em uma só temporada.

Barcelona da era Guardiola conquistou sua segunda UCL em 2010/11 (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

Por mais que ainda seja difícil para muitos brasileiros aceitarem que existem pessoas que torçam por clubes da Europa, o número de brasileiros torcendo por equipes estrangeiras só aumenta e vem se tornando algo natural. O futebol é o esporte mais praticado no mundo, não podemos nos restringir a acompanhar, torcer e amar somente o futebol do nosso país. O futebol é muito lindo e bem jogado no mundo todo para nos prendermos apenas a uma liga, sem se permitir torcer por clubes de outros países.

O futebol é gigante e tem força suficiente para mover e parar o mundo por determinados jogos e campeonatos. A beleza do futebol vai além dos limites e das quatro linhas, a torcida por clubes de outro lado do mundo é o que ressaltam que o futebol ultrapassa qualquer barreira. Mesmo com derrotas, fracassos e decepções, até as vitórias e glórias, o futebol cada vez me encantou mais e sempre me tornou ainda mais fanático pelo Barcelona, mesmo morando em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Assim como a minha história de torcedor, muitas outras pessoas também devem ter suas torcidas por clubes de outros países. Uma das principais marcas do Barcelona é a frase “Més que um club”, que significa mais que um clube, isso só dá ainda mais ênfase na famosa expressão que descreve esse fascinante esporte: não é só futebol. E nunca será!