Visando melhorar sua imagem, quarto país mais pobre do mundo patrocina o Metz

Chade vê na Ligue 1 uma grande oportunidade de se mostrar ao mundo e melhorar sua visibilidade em outros países

Visando melhorar sua imagem, quarto país mais pobre do mundo patrocina o Metz
Foto: Divulgação Metz

Um país marcado pela violência e a extrema pobreza, vê no futebol uma grande chance de recomeçar. A República do Chade, quarto país mais pobre do mundo,  segundo a ONU, negociou patrocinar pelas próximas três temporadas a equipe do Football Club de Metz, que disputa atualmente a Ligue 1, elite do futebol da França.

O Ministério do Esporte chadiano e a diretoria do clube francês já chegaram em um acordo oficial. A partir de agora, a camisa grená dos Les Graoullys, ganhará uma mensagem estampada logo abaixo do peito no uniforme: "Tchad: Oasis du Sahel”. O objetivo desta parceria entre o país africano e a equipe francesa, segundo o ministro do Esporte, Betel Miarom, é a oportunidade de aumentar a visibilidade de Chade e consequentemente melhorar sua imagem para o restante do mundo e  também alavancar o setor do turismo. Cerca de 71 mil pessoas visitam a região anualmente, sendo um dos 15 lugares menos visitados do planeta, não gerando quase renda nenhuma para o país.

Em entrevista para o jornal esportivo francês L'Équipe, Betel Miarom, vê este patrocínio com bons olhos, mas o sentimento não é compartilhada pela população do país africano. Um portal de notícias do Chade, alertou sobre este acordo: "esse dinheiro poderia ter sido gasto para desenvolver nosso próprio futebol em vez de promover o dos outros” e “isso é loucura”, reclamam. Mas por um lado, vale ressaltar: o Chade é quarto país mais pobre do mundo, valeu a pena mesmo? 

Localizado na África Central, Chade possui pouco mais de 10 milhões de habitantes, 80% deles vivem abaixo da linha de pobreza. Além da mísera condição de vida, a corrupção estatal e a escassez de comida também são outros problemas que afetam os moradores da nação. O grupo radical islâmico, Boko Haram, que possui suas origens na Nigéria, vizinho de Chade, assombra o país espalhando mortes atrás de mortes.

Vale relembrar que Chade foi colônia francesa até 1960, quando conseguiu sua independência. Muito além da extrema pobreza, este país possui uma rica história, pois é um dos berços da humanidade, fora também sua enorme diversidade cultural. Recentemente, o Hull City foi patrocinado pelo Quênia e o Azerbaijão é um dos patrocinadores do Atlético de Madrid.

O futebol de Chade

É pouca a experiência de Chade no futebol. A seleção nacional do país filiou-se a FIFA somente em 1988, nunca tendo disputado nenhum campeonato internacional. O futebol chadiano é amador e também por enquanto não despontou grandes jogadores para a Europa, como anda revelando grandes atletas: Gabão, Mali, Congo, entre outros. 

Infelizmente não será em 2018, na Copa do Mundo da Rússia, que veremos a saudosa seleção de Chade disputando seu primeiro grande torneio. A equipe nacional até passou da primeira fase eliminatória CAN, despachando a seleção da Serra Leoa. Mas na segunda fase das eliminatórias não conseguiu parar o forte seleção do Egito e foram eliminados.

Chade ocupa a 115º colocação do ranking da FIFA com 326 pontos. Os grandes jogadores chadianos na atualidade são os meio campistas: Sanaa Altama, que joga no CS Sedan, da França e Azrack Mahamat, do Levadiakos, da Grécia; fora também o atacante e principal deles, Rodrigue Ninga, do Montpellier, da França.