Análise: o início da era Corinne Diacre na Seleção Francesa de futebol feminino

Com novos conceitos e muita experiência na modalidade, ex-treinadora do Clermont tentará guiar a França ao título da Copa do Mundo Feminina em 2019

Análise: o início da era Corinne Diacre na Seleção Francesa de futebol feminino
Foto: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images

Quando Olivier Echouafni foi demitido da Seleção Feminina da França, tendo pouco mais de um ano no cargo deixado por Philippe Bergeroo após as Olimpíadas de 2016, ficou evidente que a EdF Féminine precisava de alguém com experiência, pulso firme e novos conceitos para uma equipe que já não vinha mostrando o mesmo bom futebol de anos anteriores.

Corinne Diacre, que treinava a equipe masculina do Clermont, na Ligue 2, era a pessoa ideal para esse cargo e não hesitou em dizer sim. A  missão da ex-zagueira que fez sua carreira no Soyaux entre 1988 e 2007, atuando pela seleção francesa entre 1993 e 2005, não é nada fácil. Menos de dois anos para tornar a equipe uma candidata confiável na Copa do Mundo, que acontecerá na França. Tendo apenas amistosos para jogar até o mundial, a treinadora terá bastante tempo para testar um grande grupo de rostos novos ou esquecidos dentro da equipe e o fato é que isso já começou. 

Mudança de capitã, novas jogadoras e novas chances a atletas esquecidas

Algumas decisões da nova comandante já chamaram a atenção. A primeira foi a de tirar a braçadeira de capitã da zagueira Wendie Renard, eleita capitã ainda por Bergeroo. Para Diacre, a zagueira deve se focar em seu jogo em si e não com problemas que envolvam arbitragem, por exemplo, se focando exclusivamente em seu rendimento no jogo, cedendo a capitania para a meio-campista Amandine Henry

Lyon, PSG, Montpellier e Paris FC (ex-Juvisy), além das atletas que atuam fora do futebol francês, geralmente formavam a espinha dorsal das equipes francesas há muitos anos, por serem as principais equipes da modalidade no país, um fato que não vem ocorrendo nos últimos jogos, com oportunidades a jogadoras de outros clubes da D1 Féminine, como Lille, Olympique Marseille e Guingamp. 

Em quatro jogos, Corinne Diacre concedeu a nove jogadores, oportunidades de ter seu primeiro jogo com a equipe principal: Marion Torrent, Inès Jaurena, Charlotte Lorgeré, Théa Gréboval, Estelle Cascarino, Hawa Cissoko, Aminata Diallo, Léa Le Garrec e Ouleye Sarr foram as novas jogadoras a terem oportunidades na seleção. Rostos conhecidos, como Camille Catala e Viviane Asseyi, esquecidas desde a Copa do Mundo em 2015, também foram convocadas novamente. 

"É extremamente importante descobrir e avaliar novas jogadoras. Nosso plano é continuar evoluindo, analisando o rendimento dessas atletas em seus clubes. De fato, alguns dos novos rostos não estarão de volta à seleção, mas a equipe sempre estará aberta para todas. Quem estiver jogando bem, terá oportunidades.", disse a treinadora após a vitória diante de Gana, pelo placar de 8 a 0.

"Resultados neste momento são secundários, montar a equipe e ter um padrão é o primordial"

- Corinne Diacre

Em quatro partidas, diante de Chile, Espanha, Inglaterra e Gana, foram quatro vitórias, mas isso pouco importa no momento. Diacre não tem medo de apontar o que foi bom, ou ruim, na metade do tempo e depois dos jogos, sendo muito clara em afirmar que não se deve esperar apenas vitórias para uma equipe em formação e que as derrotas, que evidentemente poderiam surgir, servem como aprendizado. 

Há aspectos evidentes em seus primeiros jogos: o jogo apoiado, laterais que apoiam bastante o ataque, atacantes com mobilidade e jogadas ensaiadas, como a do terceiro gol marcado por Sarr no amistoso contra a Espanha, aonde jogadoras formaram uma espécie de "carrossel" que confundiu a marcação da defesa espanhola em jogada de escanteio. (a partir de 1:22 do vídeo a seguir)

Em uma equipe que experimentou poucas mudanças nos últimos anos, Corinne Diacre não teve medo faltando dois anos para o mundial. Como ela mesmo disse, resultados são secundários e o que é mais importante no momento é ter padrão tático e um elenco coeso. A França precisava de mudanças, e está conseguindo.