Thiago Mendes marca, Lille vence Lyon e encerra longa invencibilidade do adversário

Longe de realizar uma partida coesa, Gones sofreram com problemas defensivos após um período considerável; se recuperando de resultados negativos, Lille venceu seu primeiro jogo sem o treinador argentino Marcelo Bielsa

Thiago Mendes marca, Lille vence Lyon e encerra longa invencibilidade do adversário
Foto: Philippe Desmazes/AFP/Getty Images
Lyon
1 2
Lille
Lyon : Lopes; Rafael, Marcelo, Diakhaby (Yanga-Mbiwa, min.53), Mendy (Marçal, min.46); Tousart, Ndombélé (Cornet, min.46); Fekir, Aouar, Depay; Mariano.
Lille: Maignan; Ié, Soumaoro, Alonso, Touré; Amadou (Bissouma, min.51); Benzia (Luis Araujo, min.72), Maia, Mendes, Malcuit; Ponce (Pépé, min.90).
Placar: 0-1, Thiago Mendes, min.21. 1-1, min.36, Mariano. 1-2, min.40, Ponce.
ÁRBITRO: Jerome Miguelgorry (FRA). Cartões amarelos: Fode Ballo-Touré.
INCIDENCIAS: Partida válida pela décima quinta rodada do Campeonato Francês, realizada no Groupama Stadium, em Lyon.

Em duelo que esteve relacionado as formas de controle dos visitantes, o Lyon acabou sendo surpreendido pela solidez defensiva do Lille e voltou a ser derrotado no Campeonato Francês após meses, nesta quarta-feira (29), em partida realizada no Groupama Stadium. Com imensas dificuldades para furar o bloqueio posicional do LOSC, os Gones apresentaram um nível futebolístico baixíssimo produzindo ofensivamente e terminaram arcando com isto através de falhas individuais no sistema defensivo. Os gols de Thiago Mendes e Ezequiel Ponce deram o triunfo ao Lille, enquanto Mariano Diaz descontou para os locais. 

A partir disto, a situação na tabela de classificação da Ligue 1 segue oposta para ambas equipes. Em ótima fase até então, o Lyon continua estabelecido entre os três primeiros colocados do Campeonato, somando 29 pontos em 15 jogos e figurando no grupo dos postulantes à acesso direto em competição continental para a próxima temporada. No sentido contrário, os Dogues conseguiram certo respaldo com este inesperado triunfo fora de casa, porém, ainda permanecem nas últimas posições. Em resumo, aparecem na antepenúltima colocação, com 15 pontos e com sérios riscos de rebaixamento pelo atual contexto da liga.

Na rodada seguinte, o OL visitará o surpreendente Caen, em partida que será realizada no Stade Michel Dornano, no domingo (3), às 14h no padrão de Brasília. Em contrapartida, o LOSC jogará em seus domínios, diante do decepcionante Toulouse, no sábado (2), no Stade Pierre-Mauroy, às 17h. Neste cenário, ainda com a indefinição sobre o caso do técnico Marcelo Bielsa, o Lille têm totais condições de efetuar uma breve sequência de vitórias, já que o adversário da ocasião vive um de seus piores momentos dos últimos anos.

Sem adicionar fluidez ao seu jogo, Lyon é dominado pelo Lille na primeira etapa

No que permite análise, o período inicial se transformou em uma estratégia pefeitamente realizada pelo Lille em diversos aspectos que envolvem taticamente uma partida de futebol. Com isto, os visitantes estabeleceram seu plano em modo reativo, com linhas defensivas em bloco médio e variando os momentos de pressão conforme a progressão do adversário em seu campo.

Deste modo, as adaptações específicas executadas pelo LOSC no duelo, foram essenciais no primeiro tempo. Em resumo, o acúmulo de jogadores no costado direito defensivo dos Dogues impediu uma produção mais intensa do Lyon através das projeções de Ferland Mendy em sociedade com Memphis Depay e, sendo assim, limitou o repertório dos locais a unicamente depender das individualidades em terço final. Neste sentido problemático, apenas eventuais desmarques feitos pelo interior Houssem Aouar geravam espaços e possibilidades de agredir o rival em prol do OL.

Evidenciando suas debilidades propondo jogo contra uma defesa minimamente organizada, as possessões do Lyon se tornaram o epicentro para tremenda pobreza quando necessário desfigurar o posicionamento do adversário com bola no chão. Com tal fato relatado, os únicos argumentos competitivos dos Gones no duelo foram sintetizados pelas conduções e rupturas de linhas defensivas realizadas por Tanguy Ndombélé juntamente com os desequilíbrios próprios produzidos por Nabil Fekir. Ademais, a imprecisão tanto de Rafael quanto de Mendy nos apoios em profundidade para auxiliar os pontas do OL e gerar associações, também se caracterizou como um dos defeitos do coletivo gerido por Bruno Génésio no primeiro tempo.

Em subsequência aos erros defensivos - principalmente dos corpulentos Marcelo e Diakhaby realizando coberturas -, a vantagem do Lille apareceu com naturalidade. O primeiro deles aconteceu em uma jogada de gigante mérito individual do meio-campista brasileiro Thiago Mendes, que após receber passe no flanco direito, conduziu a bola para o centro e finalizou com muitíssima técnica para colocar os visitantes na frente do marcador.

Em seguida ao tento que converteu a superioridade organizacional do LOSC em gol, os Dogues mantiveram a mesma proposta futebolística no transcorrer dos minutos. No entanto, depois de erro pífio do zagueiro português Edgar Ié em saída de bola, o jovem Ndombélé eliminou um oponente através de sua capacidade física e serviu Mariano para cabecear e empatar o duelo a favor dos mandantes. Porém, em uma construção criteriosa que escancarou os defeitos primários existentes no jogo de Diakhaby, o argentino Ezequiel Ponce voltou a colocar o Lille na frente, rematando no canto do arqueiro Anthony Lopes, aos quarenta minutos de jogo.

Mantendo a mesma solidez defensiva, Lille sai com o triunfo merecidamente

No retorno para a etapa complementar, os locais voltaram com duas mudanças significativas dentro do seu modelo de jogo: no lugar de Ndombélé, o costa-marfinense Maxwel Cornet ingressou no terreno e, na vaga de Mendy, o brasileiro Marçal entrou em busca de mais regularidade nos duelos individuais naquele setor.

Em síntese, Aouar passou a atuar mais recuado, dando início ao jogo com o primeiro passe e participando da elaboração da jogada desde os metros iniciais. Já procurando profundidade para atacar os espaços, Cornet possui mais agressividade em seu estilo e tentava afunilar a cada vez que era acionado. Dentro disto, os mandantes conseguiram um pênalti que foi cometido justamente no africano. Na cobrança, Fekir finalizou muito mal e facilitou a defesa do goleiro Mike Maignan - que realizou uma partida importantíssima para a manutenção do resultado em função de sua equipe.

No decorrer da segunda etapa, o Lyon cometeu os mesmos erros e esteve longe de relacionar fluidez e continuidade a sua troca de passes. Criando oportunidades na base do caos e sem saber lidar com ele, as chances eram desperdiçadas por conta de uma atuação monumental do goleiro Maignan, que foi consagrado pela falta de efetividade dos atacantes do Lyon.

No final de tudo, as sensações transmitidas pelo OL foram de que, para contra-atacar e jogar com linhas recuadas, o estágio da equipe está avançado, mas para produzir futebol com critério e penetrar em defesas sólidas, ainda há problemas enormes para se resolver. Agora, relatando o mesmo com o Lille, o time se demonstrou mais coeso e conexo se defendendo posicionado do que realizando perseguições individuais, sendo premiado por uma noite mágica de seu goleiro e, especialmente, do ótimo Thiago Mendes.