Argentina é a seleção mais presente em decisões de Copa América

Dona de 14 taças da competição continental, a Albiceleste gritou "É campeão!" pela primeira vez em 1921, em casa, e pela última vez em 1993, no Equador

Argentina é a seleção mais presente em decisões de Copa América
Finalistas em 2015, Argentina e Chile irão se reencontrar na decisão de 2016 (Foto: Divulgação/Copa América)

Sediada nos Estados Unidos da América, a Copa América Centenário é a 45ª edição da maior competição do continente americano. Pela 28ª vez, o torneio terá a Argentina entre as postulantes à taça. Em outras palavras, os hermanos decidiram o título em aproximadamente 2/3 das edições. É um rendimento bastante expressivo.

No que se refere a taças, a Albiceleste é a segunda seleção mais vitoriosa da Copa América, com 14 títulos. Caso vença o atual campeão Chile no próximo domingo (26), igualará o Uruguai (15) em número de conquistas. O Brasil vem em terceiro, com oito troféus. Atrás vêm Paraguai e Peru, um pouco distantes, com duas conquistas cada. Colômbia e Bolívia, assim como o Chile, têm um título.

1916-1920: Três vices nas quatro primeiras edições

As primeiras quatro Copas América tiveram apenas quatro seleções: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Coube aos argentinos a honraria de sediar a primeira edição, em 1916. Depois de golear o Chile por 6 a 1 e empatar em 1 a 1 com o Brasil, a seleção dona da casa precisava vencer o Uruguai, que vinha de triunfos sobre Chile (4 a 0) e Brasil (2 a 1), para ficar com a taça. Mas o empate sem gols garantiu a festa dos uruguaios em território inimigo.

Em 1917, agora em solo uruguaio, os argentinos estrearam com uma expressiva vitória de 4 a 2 sobre o Brasil. Na segunda rodada, superaram o Chile pelo placar mínimo. E lá iam Argentina e Uruguai decidir o título novamente. Dessa vez, a Albiceleste tinha a vantagem do empate. Entretanto, a Celeste venceu por 1 a 0 e conquistou o bicampeonato.

Depois de ficar ausente da decisão de 1919 - àquela ocasião, o Brasil superou o Uruguai por 1 a 0 em jogo extra -, a Argentina voltou a ficar com o vice-campeonato em 1920. Venceu os brasileiros por 2 a 0, mas empatou em 1 a 1 com uruguaios e chilenos e viu os cisplatinos comemorarem mais uma conquista.

1921: Enfim, o primeiro título

Seleção Argentina campeã da Copa América de 1921 (Foto: Divulgação/Copa América)

"A primeira vez a gente nunca esquece". Entalado na garganta dos hermanos, o grito de "É campeão!" soltou-se em 1921. E em grande estilo, com 100% de aproveitamento. O antigo Estádio Sportivo Barracas foi o palco das vitórias sobre Brasil (1 a 0), Paraguai (3 a 0) e Uruguai (1 a 0).

O gol do primeiro título da história da Albiceleste foi anotado pelo atacante Julio Libonato, à época do Newell's Old Boys, aos 12 minutos da segunda etapa.

1923-1937: Oito vezes seguidas entre os dois primeiros

Em 1937, a Argentina foi campeã depois de superar o Brasil na última rodada e no jogo extra (Foto: Divulgação/Copa América)

Em 1923, após triunfos de 4 a 3 sobre o Paraguai e 2 a 1 frente ao Brasil, a Argentina decidiu a taça com o Uruguai, que também vinha de duas vitórias: 2 a 0 contra o Paraguai e 2 a 1 diante do Brasil. Donos da casa, os uruguaios levaram a melhor novamente sobre os argentinos: 2 a 0.

No ano seguinte, também em território uruguaio, o Uruguai levou a melhor sobre a Argentina novamente. Um empate sem gols bastou para o título, tendo em vista que os anfitriões vinham de vitórias contra Chile (5 a 0) e Paraguai (3 a 1) e os albicelestes vinham de um empate sem gols contra os paraguaios e um triunfo sobre os chilenos (2 a 0).

Já em 1925, quando receberam o torneio, os argentinos voltaram ao topo. E de forma dramática: na última rodada, arrancaram um empate em 2 a 2 com o Brasil depois de saírem perdendo por 2 a 0. Como essa edição só teve três seleções, o regulamento foi de turno e returno. Nas outras partidas, duas vitórias sobre o Paraguai (2 a 0 e 3 a 1) e uma sobre o Brasil (4 a 1).

No ano de 1926, no Chile, o número de participantes aumentou para cinco, algo inédito até então. Os participantes eram Chile, Bolívia, Argentina, Uruguai e Paraguai. E o desfecho foi o mesmo da primeira edição: Uruguai campeão (com quatro vitórias), Argentina vice (três vitórias, um empate e uma derrota).

Argentina 3 x 2 Uruguai, em 1927 (Foto: Divulgação/Copa América)

Em 1927, a Copa América seguiu para o Peru. E os hermanos quebraram o jejum: iniciaram a campanha com um histórico 7 a 1 sobre a Bolívia e conquistaram o título com um dramático 3 a 2 diante do Uruguai e um sonoro 5 a 1 frente aos donos da casa.

A Argentina sediou e conquistou a edição de 1929. Venceu o Peru por 3 a 0, o Paraguai por 4 a 1 e o Uruguai por 2 a 0.

Em 1935, no Peru, veio a vingança celeste. Argentinos e uruguaios chegaram à última rodada com campanhas idênticas: vitórias sobre Peru e Chile. E o Uruguai venceu sem muitos problemas: 3 a 0. Vale lembrar que cinco anos antes, na primeira edição da Copa do Mundo, a Celeste foi campeã também em uma final contra a Albiceleste: 4 a 2.

Na edição de 1937, que foi um hexagonal, a anfitriã Argentina chegou à última rodada precisando vencer o Brasil para forçar um jogo extra. O gol do meia-esquerda Enrique "Chueco" García, ídolo do Racing, manteve o sonho argentino vivo. No jogo extra, foi a vez do meia-atacante Vicente de la Mata desencantar, com dois gols na prorrogação, e manter a antiga sina da Canarinho de não conseguir ser campeã fora do Brasil.

1941-1947: Quatro títulos em cinco edições

Em 1941, a Albiceleste foi campeã com 100% de aproveitamento em um Pentagonal no Chile. O título veio justamente contra a seleção dona da casa. E lá estava "Chueco" García para se consagrar novamente.

A sina de ser vice para o Uruguai voltou em 1942, com uma derrota por 1 a 0 no Estádio Centenário.

Depois, um inédito tricampeonato. Os anos das glórias foram 1945, 1946 e 1947.

1955: Quebra de jejum em grande estilo

Argentina se sobressaiu em um Estádio Nacional abarrotado (Foto: Divulgação/Copa América)

Após passar duas edições a ver navios, a Argentina voltou a conquistar a América do Sul em 1955, com uma dramática vitória de 1 a 0 sobre o Chile em pleno Estádio Nacional, em Santiago.

O responsável pela epopéia foi Rodolfo Michell. O gol do atacante do Independiente calou 65 mil vozes na capital chilena

1957: Rolo compressor

Em 1957, a competição sul-americana já contava com sete participantes. A Argentina estreou naquele Heptagonal com um sonoro 8 a 2 sobre a Colômbia. Apenas o início de uma campanha goleadora: 3 a 0 sobre o Equador, 4 a 0 diante do Uruguai e 6 a 2 contra o Chile.

O título veio por antecipação, em um 3 a 0 sobre o Brasil de Didi, Evaristo, Pepe, Zizinho e Pelé, que viria a ser campeão mundial um ano depois.

A Albiceleste ainda se deu ao luxo de perder por 2 a 1 para o Peru no jogo de encerramento.

1959: Um título e um vice no mesmo ano

No primeiro semestre de 1959, mais um título sobre a base brasileira campeã na Suécia. Dessa vez, bastou um empate em 1 a 1 (Juan José Pizzuti marcou para os donos da casa, e Pelé balançou a rede para a Canarinho), devido à melhor campanha.

Em dezembro do mesmo ano, o Equador fez questão de organizar outra Copa América. Bolívia, Chile, Colômbia e Peru não gostaram da ideia e se recusaram a participar. A Argentina foi a segunda colocada do Pentagonal envolvendo Uruguai, Equador, Brasil - representado pela Seleção de Pernambuco - e Paraguai.

1967: O velho algoz Uruguai de volta

Argentina 1 x 0 Bolívia, em 1967 (Foto: Divulgação/Copa América)

A edição de 1967 foi a última da história da Copa América em formato de fase de grupos única. E não estamos brincando: teve Uruguai campeão e Argentina vice de novo.

As seleções chegaram à última rodada com campanhas semelhantes. Enquanto os argentinos tinham quatro vitórias, os uruguaios colecionavam três vitórias e um empate. Ou seja, bastava um empate para a Albiceleste ser campeã. Entretanto, a Celeste, empurrada por 65 mil torcedores, conquistou o troféu com um solitário gol do atacante Pedro Rocha, ídolo do São Paulo.

1991 e 1993: Os últimos títulos

Desde que a Copa América mudara de formato, passando a contar com todas as seleções filiadas à Conmebol presentes, a Argentina ainda não havia sido campeã. Nem mesmo finalista. Levou 24 para fazê-lo.

Em 1991, no Chile, liderou o Grupo A da primeira fase com quatro vitórias em quatro jogos. Na segunda fase, um quadrangular final com as líderes e vice-líderes dos dois grupos, a Albiceleste venceu o Brasil por 3 a 2, empatou sem gols com o Chile e levantou a taça ao bater a Colômbia por 2 a 1, com gols de Diego "Cholo" Simeone (o mesmo que treina o Atlético de Madrid hoje) e Gabriel Batistuta.

Dois anos depois, no Equador, veio o bicampeonato. Em uma Copa América disputada nos moldes de hoje, com fase de grupos e mata-mata, a Argentina foi irregular no Grupo C, com uma vitória sobre a Bolívia e empates contra México e Colômbia. Mas foi o suficiente para passar de fase.

E o mata-mata foi deveras dramático. A seleção comandada por Alfio Basile ficou no zero contra Brasil e Colômbia e despachou ambos os adversários nos pênaltis - curiosamente, 6 a 5 nas duas disputas. Na decisão, brilhou a estrela de Batistuta, autor dos dois gols no triunfo frente ao México por 2 a 1. O palco do último título de Copa América da Argentina foi o Estádio Monumental de Guayaquil.

2004 e 2007: Brasil, um novo algoz

Brasil evitou título da Argentina no último minuto em 2014 (Foto: Divulgação/Copa América)

Passaram-se quatro edições até que a Argentina retornasse a uma decisão de Copa América. Em 2004, depois de ficarem em segundo no Grupo B (atrás do México e à frente de Uruguai e Equador) e eliminarem o anfitrião Peru (1 a 0) e a Colômbia (3 a 0), os comandados de Marcelo Bielsa tinham o rival Brasil pela frente.

Leia também: Rivalidade entre Brasil e Argentina surgiu muito antes do futebol

O Estádio Nacional, em Lima, foi palco de uma final inesquecível para os dois lados. A Argentina saiu na frente duas vezes, com Kily González cobrando pênalti e com César Delgado. Mas viu a Canarinho igualar o marcador com Luisão e Adriano - este aos 48 minutos do segundo tempo, no último lance da partida. O goleiro Júlio César se destacou nos pênaltis e ajudou a seleção de Carlos Alberto Parreira a trazer a taça para o Brasil.

Três anos depois, na Venezuela, lá estavam Brasil e Argentina na grande final novamente. A Albiceleste fizera uma campanha irreparável, com 100% de aproveitamento durante toda a competição, e chegava à final com mais moral que a Canarinho, a qual alternava entre boas e más atuações e vinha de uma dramática disputa de pênaltis contra o Uruguai.

Entretanto, na "hora H", o Brasil de Dunga superou a Argentina de Alfio Basile com impiedosos 3 a 0. Júlio Baptista, Roberto Ayala (contra) e Daniel Alves anotaram os gols do humilhante revés para os hermanos.

2015: Tabu quebrado... pelo Chile

Chile não deixou que a história de 1955 se repetisse (Foto: Divulgação/Copa América)

Após a decepcionante campanha como país-sede em 2011 (pasmen, os argentinos foram eliminados pelo Uruguai, que acabou sendo o campeão), a Argentina teve mais uma oportunidade para ser campeã e acabar com o tabu que perdura desde 1993. Em 2015, encontrou o anfitrião Chile na grande final - depois de superar Paraguai, Uruguai e Jamaica no Grupo B, eliminar a Colômbia nos pênaltis e golear o Paraguai por 6 a 1 na semifinal. Era, também, a chance de se reerguer depois de perder a Copa do Mundo para a Alemanha no Brasil.

O clima de tensão se refletiu nas duas seleções, que não foram capazes de balançar as redes nos 90 minutos de tempo regulamentar e nos 30 minutos de prorrogação. Nos pênaltis, os chilenos viram os argentinos desperdiçarem duas oportunidades e só precisaram de quatro cobranças para conquistar o inédito título diante de sua torcida. Sessenta anos depois de ver a Argentina conquistar a Copa América, o Estádio Nacional de Santiago, dessa vez, sorria.

2016: Agora vai?

A Argentina tem mais uma chance de soltar o grito entalado na garganta. Já se vão 23 anos desde a última conquista de Copa América - de lá para cá os hermanos conquistaram, ao menos, dois ouros olímpicos. A seleção de Gerardo "Tata" Martino, técnico o qual também esteve presente na Copa América perdida em 2015, chega à decisão cheia de prestígio, com 100% de aproveitamento, 18 gols marcados e apenas dois sofridos. Ainda por cima, como de praxe, com o craque Lionel Messi enchendo os olhos dos torcedores.

Argentina e Chile, inclusive, estiveram no mesmo grupo na primeira fase. Na "prévia" da final, a Albiceleste venceu por 2 a 1. Ángel Di María e Éver Banega anotaram os gols da vitória, e José Pedro Fuenzalida descontou nos acréscimos. A história irá se repetir na "hora H"? O tabu finalmente será enterrado? Ou os chilenos erguerão mais uma taça diante de Messi e cia.? La Roja reforçará o posto de seleção emergente da América do Sul? As respostas dessas questões virão neste domingo (26), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey.

 

Fotos fazem parte do acervo Torneo a torneo do portal http://copaamericacentenario.com