A trajetória de José Sand, centroavante do Lanús finalista da Copa Libertadores da América

Aos 37 anos, jogador acumula títulos, passagens em diversos clubes e idolatria dos torcedores do Lanús

A trajetória de José Sand, centroavante do Lanús finalista da Copa Libertadores da América
(Foto: Juan Mabromata/AFP/Getty Images)

São 18 anos de carreira. Até aqui 536 jogos, 235 gols marcados e uma média 0,43 gols por partida. Essa é a marca do centroavante José Gustavo Sand, ou simplesmente José “Pepe” Sand. Natural da cidade de Bella Vista, na Argentina, o atacante disputa sua primeira final de Copa Libertadores da América pelo Lanús.

Aos 37 anos, não poderia chegar melhor.  Na fase semifinal do torneio Sul-Americano, onde sua equipe perdeu o primeiro jogo por 1 a 0 para o River Plate, Sand foi essencial para a virada histórica. No jogo de volta, seu time foi para o vestiário perdendo por 2 a 1, dentro de seu estádio, o La Fortaleza. Com este resultado, o Lanús precisava de quatro gols para seguir na competição.

No segundo tempo, uma virada espetacular. Um 4 a 2, com Sand balançando às redes em duas oportunidades. Na saída de campo, revelou a conversa que a equipe teve no vestiário e o fator que levou o time à classificação: “No intervalo, falamos: faríamos três ou nos metiam dez. O empate foi psicológico, ali se deram conta que podíamos virar o confronto”. Assim, o clube conseguiu a primeira classificação à fase final do torneio.

A rodagem do centroavante

Tudo começou nas categorias de base do River Plate, em 1998. Por lá, o jogador atuava na equipe sub-19. Na temporada seguinte, atuara pelo Colón, clube de Santa Fé, na Argentina, onde jogou pouco. Foram cinco partidas e apenas um gol. Em 2000, mais uma transferência. Desta vez, fora para o Independiente Rivadavia, de Mendoza, também na Argentina. Vestiu a camisa em 17 oportunidades sem marcar nenhum gol.

No ano seguinte, 2001, expandiu os horizontes. Desta vez, seu destino foi o Brasil. Mais especificamente, a Bahia. No Vitória, uma passagem melhor do que das outras vezes. 18 jogos e quatro gols marcados. Mas não foi o suficiente  para continuar no nordeste brasileiro.

Então em 2002 voltou à Argentina. Agora com a camisa do Defensores Belgrano, de Buenos Aires. Lá balançou às redes 20 vezes em 47 participações. Um ano mais tarde, voltou de onde tinha vindo. Na temporada 2003, pelo River Plate foram 57 jogos e 11 gols. Além desses, conquistou o título do Torneio Clausura (segundo turno do Campeonato Argentino) de 2004, em uma das duas temporadas defendendo o clube da capital argentina.

Em 2005, rumou para o Banfield. No clube da cidade, vestiu a camisa verde e branca por 37 vezes e pôs a bola no fundo do gol em 10 destas chances. Passada mais uma temporada, foi mais um momento de retorno. No Colón, clube por onde estreou no profissional, apenas sete gols em 24 partidas.

O início da idolatria

Após uma temporada no Colón, foi a vez de migrar para o Lanús. O ano era 2007 e ali se iniciava o ciclo como ídolo do clube da província de Buenos Aires. Na sua primeira temporada como jogador da equipe, uma chuva de gols. Foram 30 jogos e 22 bolas na rede. Além do título de campeão do Torneio Apertura (primeiro turno do Campeonato Argentino) do ano e a vice-artilharia da competição, com 15 gols.

Na temporada seguinte, vestiu a camisa grená por mais 37 oportunidades. Anotou mais 29 gols. No armário, Sand pôs seus dois primeiros títulos pessoais. Na temporada 08, foi o artilheiro do Torneio Apertura, com 15 gols. Em 2009, foi o goleador do Clausura, com 13 gols.

Desbravador de continentes

Após a passagem mágica pelo Lanús, José Sand expandiu os horizontes. Em 2009, foi para o continente Asiático, onde defendeu o Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos. Na sua primeira temporada, anotou incríveis 33 gols em 33 jogos. Na temporada, fora o artilheiro da Liga Árabe, com 24 gols marcados. Em 2010, conquistou a Supercopa dos Emirados Árabes Unidos com o Al-Ain. No ano, foram 16 jogos e 11 gols.

Na temporada seguinte (2011), José Sand migrou para o Velho Continente. Na Europa, uma passagem rápida no futebol espanhol. No Deportivo La Coruña, foram apenas cinco partidas e nenhuma bola na rede.

Mesmo longe da Argentina, Pepe voltou ao continente americano. Desta vez, na América Central. Seu destino foi o México. No Tijuana, time da cidade, Sand voltou a marcar gols. Após uma passagem apagada pela Espanha, Pepe marcou 12 em 34 oportunidades, mas não ergueu nenhuma taça.

De volta à terra do Tango

Após quase três anos fora da Argentina, Sand retornou ao seu país. Em 2012, acertou contrato com o Racing, de Avellaneda. Por lá marcara apenas dois gols em 21 jogos. O mais curioso, é que estes dois tentos foram em uma única partida. Essa diante do Independiente, também de Avellaneda. Os gols deram à vitória ao Racing na oportunidade.

Terminada a temporada, Pepe seguiu sua carreira para outro clube. Em 2013, no Tigre, clube da capital argentina, mais uma breve passagem. Em 12 partidas, apenas um gol. Este, justamente diante do Racing, seu ex-clube.

No ano de 2014, José Sand fora para o Argentinos Juniors. No clube de Buenos Aires, Pepe teve mais uma passagem apagada. Sete jogos e nenhuma bola dentro do gol. Em seu terceiro clube na temporada, Pepe rumou à cidade de Corrientes. No Boca Unidos, balançou às redes em quatro vezes em 16 oportunidades.

Em 2015 foi vestir a camisa do Club Atlético Aldosivi. No time de Mar del Plata  (Buenos Aires), o centroavante voltou a balançar as redes com mais frequência. Na capital, foram 31 partidas e 12 gols.

O retorno para se consolidar na história

(Foto: Gabriel Rossi/LatinContent/Getty Images)

Em Dezembro de 2015, José Gustavo Sand voltou ao Lanús. Oito anos após vestir a camisa grená pela primeira vez, o centroavante voltou ao clube com direito a apresentação no estádio La Fortaleza.  Desta vez, com 35, Sand firmou um ano e seis meses de contrato com a equipe, onde segue até hoje.

Desde sua volta, o jogador já conquistou três títulos com a camisa grená. O primeiro em 2016, quando erguera a taça de Campeão da 1ª divisão do Campeonato Argentino. Na mesma temporada, venceu a Copa Bicentenário, torneio comemorativo que reuniu os campeões da Liga Nacional de 2014 (Racing) e 2016 (Lanús) em partida única e campo neutro. Após a vitória por 1 a 0 em cima do clube de Avellaneda, Sand ergueu a taça de campeão.

Nesta temporada (2017), o jogador fora campeão da Supercopa da Argentina, competição que desde 2012 reuni o Campeão do Campeonato Argentino e o vencedor da Copa da Argentina. Em partida única, o Lanús venceu o River Plate, e José Sand levantou mais uma taça à frente do Lanús.

Além das conquistas junto da equipe, Pepe reuniu  títulos pessoais. Apesar de gols importantes para o rumo do time, o centroavante foi o artilheiro no título Nacional do clube. Hoje soma 68 jogos nesta segunda passagem pelo time grená e 48 gols.

Ao todo, José Gustavo Sand detém uma marca histórica. São 151 partidas, 107 gols e uma média de 0,70 gols por partida com a camisa grená nessas duas passagens. Além de quatro títulos nacionais e o fato de ter marcados dois dos quatro gols que levaram o clube à sua primeira final de Copa Libertadores. Hoje, Sand está no quadro dos maiores jogadores da história do Lanús.

Atualmente, o Lanús ocupa a 14ª posição do Campeonato Argentino, com 12 pontos. O atual campeão da Liga Nacional enfrentou no sábado (18) o Defensa y Justicia, pelo Argentino. Com time basicamente reserva, acabou derrotado por de 3 a 0. Este foi o último jogo antes da primeira partida da final da Copa Libertadores da América 2017, diante do Grêmio. A decisão está marcada para próxima quarta (22), às 21h45, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.