Entrevista. Convocado, Felipe Anderson almeja ouro olímpico e seleção principal: "Meu grande sonho"

Em entrevista para a VAVEL Brasil, o jovem atleta da Lazio emitiu sua opinião sobre certos assuntos. Falou de Santos, Lazio, Muricy Ramalho, categorias de base, Stefano Pioli e outras coisas

Entrevista. Convocado, Felipe Anderson almeja ouro olímpico e seleção principal: "Meu grande sonho"
(Foto: Editoria de Arte/VAVEL)

Destaque na Lazio e camisa 10 da seleção brasileira desde a categoria Sub-20. A carreira de Felipe Anderson é marcada por títulos, golaços e agora pela convocação aos Jogos Olímpicos Rio 2016. Desde a época de Santos, desponta como um futuro prodígio e terá a responsabilidade de levar a seleção olímpica rumo ao ouro inédito.

Em entrevista para a VAVEL Brasil, o jovem atleta da Lazio emitiu sua opinião sobre certos assuntos. Falou de Santos, Lazio, Muricy Ramalho, categorias de base, Stefano Pioli e outras coisas. Sempre humilde e muito receptivo, deixou as melhores impressões. Confira!


VAVEL BRASIL: Para iniciar, vamos aos seu começo no futebol. É sabido por todos que você, já no Santos, pulou algumas etapas nas categorias de base - tanto que estreou no time profissional com apenas 17 anos. Sua formação foi completa? E quanto isto pesou ao chegar à equipe de cima?

FELIPE ANDERSON: Acredito que o fato de eu ter pulado algumas etapas se deve ao meu rendimento, ao que eu vinha mostrando. O Santos resolveu antecipar a minha subida e não vejo nada de errado nisso. Tive toda a formação que precisei. Acho que a pergunta teve a ver com o fato de eu não ter tido o desempenho nos profissionais que havia tido nas categorias de base, mas isso se deveu a uma série de outros fatores. Acho que faltou um pouco mais de suporte, de cuidado nessa minha subida para eu ter a tranquilidade que um menino de 17 anos precisa. No resto, aconteceu tudo da melhor forma possível.


VBR: Ainda falando de Santos, as públicas broncas de Muricy foram algo comum em sua estadia no clube. Visivelmente exageradas, pareciam mais atrapalhar do que ajudar. Na prática, era assim mesmo? Existia o medo de errar e, logo após, ouvir gritos?

FA: Não posso negar que o ideal seria ter tido um outro tratamento naquele momento, por toda pressão que já existia, pela minha idade e tudo mais. Mas não tenho nada contra o Muricy, nem creio que ele fazia isso no intuito de me prejudicar. Acho que ele via potencial em mim e queria que eu colocasse logo tudo para fora, mas eu precisava de um pouco mais de tempo e tranquilidade para isso.


VBR: O Brasil teve desempenho esdrúxulo no Sul-Americano sub-20 de 2013, no qual você era o camisa 10 e um dos pilares do conjunto tupiniquim. Aquele momento contribuiu em sua evolução, ajudou a moldar o Felipe Anderson que vemos hoje?

FA: Acho que aprendemos muito em todas as ocasiões, mas principalmente nas derrotas e dificuldades. Adquiri uma experiência muito grande com esse episódio. Ficou a frustração, mas também as lições que me tornaram mais forte para encarar o que vem por aí.


VBR: Logo ao chegar à Itália, depois de toda a festa, percebeu-se que você atuaria pelos flancos, e não mais centralizado. De trequartista à ponta, também ocorreu um período de adaptação neste sentido? E qual a sua posição preferida, onde acha que pode dar mais?

FA: Quem acompanha a minha carreira sabe que eu sempre joguei e ganhei destaque na base do Santos como meia armador, tanto é que, quando subi, me comparavam com o Ganso. Mas a realidade é que, depois que fui para os profissionais, nunca tive oportunidades nessa posição. Acho que os treinadores enxergavam mais potencial em mim jogando pelos flancos e tive que me adaptar à isso. Comecei esse processo no Santos e terminei ele aqui, na Lazio. Hoje já me sinto bem à vontade na posição, com mais senso de posicionamento e condição física. O Pioli me ajudou bastante me dando liberdade de movimentação, então acredito que a maneira que eu jogo hoje é a ideal para mim.

VBR: Após o ingresso de Stefano Pioli na Lazio, seu grau de confiança parece ter aumentado bastante. O técnico sempre te tratou como parte vital do projeto, e seu crescimento se tornou mais veloz após isto. É por aí, ter o direito de errar - e seguir importante - te fez tão bem?

FA: Futebol é confiança. Ele me passou isso, e eu comecei a arriscar mais. As coisas foram acontecendo, eu fui conseguindo fazer o que eu sei que posso e a partir daí só cresci. Antes, entrava nos jogos com medo de errar e sair. Hoje, os próprios jogadores me estimulam a tentar, falam que a minha criatividade é importante para a equipe, que eu tenho que arriscar. Isso tem sido fundamental para mim.


  
VBR: No auge de seus 23 anos, é inevitável não falar de seleção brasileira. Você acha que está realmente preparado para tal, que pode ser convocado? Ou o objetivo principal segue sendo a Olimpíada, em 2016?

FA: Meu objetivo principal é seguir fazendo um bom trabalho na Lazio. Acho que essa é a melhor maneira de conseguir as demais coisas que almejo,  logicamente entre elas estão a seleção brasileira. Quero muito ter a chance de trazer esse ouro inédito para o Brasil, e também sonho em chegar à seleção principal. Estou trabalhando sempre com esse objetivo em mente, o que é natural para qualquer um que deseja algo grandioso na carreira.


VBR: Extremamente questionado por toda a Bota, Claudio Lotito nunca consegue se manter tranquilo e alheio às polêmicas. Presidente laziale há mais de dez anos, os momentos de estabilidade são raros. Como é a relação dele e do diretor esportivo Igli Tare com os atletas?

FA: Posso falar do relacionamento que ele tem comigo, que é extremamente bom. Gosto muito dele e sei que ele tem um carinho especial por mim e que está feliz de me ver fazendo o que ele esperava quando me contratou.

VBR: Sua amizade com Keita, aparentemente, é uma das mais fortes do grupo. Contudo, sobretudo no início da temporada passada, havia forte disputa por posição. Como funciona isto, é algo que não entra em campo?

FA: Nunca entrou. Ele torce muito pelo meu sucesso, está muito feliz pelo que está acontecendo comigo e eu desejo tudo em dobro para ele. Keita é um grande jogador, que tem um futuro brilhante pela frente. Tenho certeza de que a hora dele vai chegar também. Somos grande amigos e ele é um cara que eu quero levar para a vida, independente do lugar que estejamos no futuro.


VBR: Para encerrar, gostaria de saber sobre seu futuro. Quais são seus planos pessoais? A Lazio está neles?

FA: Penso muito no presente para solidificar um bom futuro. Minhas metas nesse momento são manter o bom trabalho que tenho feito na Lazio e ganhar ainda mais notoriedade aqui. O que vai acontecer no futuro, somente Deus sabe, e eu entrego e confio isso a ele.