Análise: o que o Milan pode esperar do ídolo Gennaro Gattuso como treinador?

Velho conhecido dos rossoneri assume comando do time principal com poucos trabalhos no currículo

Análise: o que o Milan pode esperar do ídolo Gennaro Gattuso como treinador?
Gattuso durante seu segundo dia de treinamento da equipe principal, em Milanello (Foto: Divulgação/AC Milan)

Gennaro Gattuso é um dos personagens mais emblemáticos do futebol italiano nos anos 1990 e 2000. Com seus 1,77m de altura, o volante revelado pelo Perugia e que viveu seus melhores anos no Milan se destacava por conta da disposição, da virilidade e, em diversos momentos, até mesmo pela violência. Ainda assim, foi considerado um dos melhores de sua posição por boas temporadas na equipe rossonera. E está de volta, mas agora do lado de fora do campo. Sem tanta experiência, fica a dúvida: o que ele pode trazer para o time que acabou de despedir Vincenzo Montella?

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Depois de se aposentar, em 2013, pelo Sion, o 'Rino' assumiu o comando do próprio time, mas durou pouco. Na Suíça, ficou por menos de 15 partidas. Desde então, passou por Palermo, OFI Creta, atualmente na segunda divisão grega, Pisa e as categorias de base do Milan, de onde foi promovido para o time principal após a diretoria perder a paciência com os resultados ruins de Montella. Este texto traça uma breve análise dos trabalhos de Gattuso para que a torcida milanista possam ter noção do que ele representa.

A energia de Gattuso se repete fora dos gramados

Se o que falta ao time do Milan é um "choque" para deixar os jogadores ligados, esse é o tipo de coisa que o treinador pode providenciar de maneira quase que natural. Sempre foi sua principal característica e continua evidente, mesmo que Gennaro não entre mais em campo. Como dizem que uma imagem fala mais que mil palavras, um vídeo da "atuação" do italiano, quando era técnico do Pisa, pode mostrar melhor como deve ser seu comportamento do lado de fora (Atenção para o tapa logo no começo do vídeo).

Esse tipo de atitude pode cair bem com alguns jogadores, mas também existe a possibilidade de que acabe criando problemas dentro do vestiário para o genioso Gattuso, que já destilou palavrões em três línguas, quando no OFI-Creta, por não gostar de uma pergunta de um repórter, em dado momento. Resta saber como o ex-volante vai administrar seu grupo no Milan. Mas é certo que a Serie A ganha um personagem espetacular à beira do gramado.

Poucos trabalhos e resultados ruins: a carreira de Gattuso até o momento

O treinador Gennaro Gattuso acumula apenas 112 jogos dirigindo times principais até os dias de hoje, segundo informações do site Transfemarkt. Em seu primeiro trabalho, no Sion, foram apenas três partidas, como jogador-treinador. O italiano perdeu duas e empatou uma. Depois disso, foi contratado como treinador do Palermo e, mais uma vez, não durou muito.

Entre junho e setembro de 2013, foram mais oito jogos pelos rosaneri, na Serie B e na Copa Itália. Desta vez, sua primeira vitória, acompanhada de outros dois triunfos. O Rino ainda teve um empate e quatro derrotas, sendo demitido após a sexta rodada da segunda divisão italiana.

Nesse ponto, Gattuso passou quase um ano desempregado, antes de treinar o OFI-Creta, onde foi medíocre mais uma vez. Entre julho e dezembro de 2014, foram 17 jogos, com cinco vitórias, três empates e nove derrotas. O clube acabou terminando o Campeonato Grego na 17ª posição, a penúltima, e foi rebaixado.

Na temporada 2015/16, o ex-volante da Azzurra assumiu o Pisa, onde teve seu trabalho mais duradouro e viveu seus melhores momentos. Ele pegou o time na terceira divisão, conseguindo levar a equipe ao acesso à Serie B, tendo bom desempenho geral durante o ano. Variando muitas táticas (segundo o Transfermarkt, foram 11 diferentes esquemas), o Pisa venceu 21 vezes, empatou 14 e perdeu apenas seis partidas. Destaca-se a excelente defesa montada pelo técnico, que teve média de 0,76 gol sofrido por jogo.

Campanha do Pisa na Serie B teve rebaixamento como lanterna e melhor defesa do campeonato

A retranca não está errada, é isso mesmo que você leu. Em 2016/17, Gattuso permaneceu como técnico do Pisa durante toda a campanha do clube na Serie B. E atingiu resultados, digamos, impressionantes. Os números da temporada anterior foram praticamente invertidos: a equipe terminou a temporada com apenas seis vitórias, 21 empates e 16 derrotas. Ainda assim, a defesa montada pelo ídolo milanista teve média inferior a um gol sofrido por jogo: apenas 40 em 43 partidas.

Gattuso teve seu trabalho mais longo no Pisa, com resultados intrigantes (Foto: Tullio M. Puglia/Getty Images)
Gattuso teve seu trabalho mais longo no Pisa, com resultados intrigantes (Foto: Tullio M. Puglia/Getty Images)

A variação de táticas diminuiu e Gattuso escalava o Pisa num 4-3-3, majoritariamente, com variações para um 4-4-2 ou 3-4-3 em algumas partidas onde foi necessário. Entretanto, o time não marcava gols. O Pisa terminou a temporada na lanterna da Serie B, sendo rebaixado de volta à Lega Pro, com apenas 23 gols marcados, dez tentos atrás do segundo pior ataque da competição, que pertenceu ao Vicenza, antepenúltimo colocado da tabela.

Mesmo com a péssima campanha, o Pisa teve a melhor defesa de todos os 22 clubes da Serie B, sabe-se lá como. Com 36 gols sofridos nos 42 jogos do torneio, foi superior ao sistema defensivo da campeã SPAL (39 gols sofridos), que hoje disputa a elite italiana. Nesta temporada, o Pisa vai sendo segundo colocado em seu grupo na Serie C, ainda com uma defesa sólida, sofrendo apenas oito gols em 16 partidas. Herança do Rino? Talvez.

A conclusão que pode ser traçada é bem óbvia: Gattuso é nada mais que uma aposta da diretoria do Milan. Em um elenco com diversos jogadores que chegaram ao clube nesta temporada e ainda passam por processo de adaptação ao futebol italiano e aos rossoneri, o ex-jogador pode acelerar essa aclimatação e elevar os ânimos de seus comandados. Ainda assim, os resultados do mesmo como técnico não embasam sua chegada tão rapidamente a um time que busca voltar às eras de glórias quando, diga-se, Gattuso estava em campo.