Ídolo do United, Nicky Butt destaca importância dada pelo clube aos atletas da base

Atual comandante das categorias de base dos Red Devils ressaltou que é essencial ter jogadores no elenco com o sangue da equipe e incentivá-los desde pequenos a seguirem rumo à carreira profissional

Ídolo do United, Nicky Butt destaca importância dada pelo clube aos atletas da base
Butt foi revelado pelo United em 1992 e fez 387 partidas pela equipe (Foto: Dave Thompson/Getty Images)

Mesmo sendo um dos clubes mais valiosos do planeta e com grandes investimentos todos os anos, o Manchester United também tem um extenso histórico de grandes atletas revelados em suas categorias de base. Desde os “Busby Babes” dos anos 1950, passando pela famosa “Classe de 1992” e vindo até os dias atuais, o clube sempre manteve como tradição utilizar no elenco jovens formados em Old Trafford.

Um estudo divulgado nesta sexta-feira (21) pela Press Association Sport confirmou que o United foi o time com mais jogadores da base utilizados na última temporada, com 10. Em entrevista sobre o assunto à Sky Sports, o comandante das categorias de base dos Red Devils, Nicky Butt, destacou que é necessário para o sucesso do elenco, além de realizar grandes contratações de jogadores consagrados, ter um olhar especial para os que estão subindo à equipe principal. Butt foi revelado como jogador pelo Manchester United em 1992 na famosa “Classe de 92” (ao lado de David Beckham, Paul Scholes, Ryan Giggs e os irmãos Phil e Gary Neville) e fez 387 jogos pela equipe principal.

Acho que o clube não deixaria ter uma equipe sem jogadores da casa. O clube sempre fez história em quebrar recordes de transferências e contratar os melhores jogadores do mundo, mas também é conhecido por desenvolver seus próprios jogadores que ajudem essas superestrelas e os ensinem sobre o clube, a área e a história. Acho que é importante ter isso. Os elencos que tiveram sucesso durante os anos, desde a época do Busby Babes, sempre tiveram pessoas que conheciam o clube e cresceram com ele em seu sangue”, afirmou Butt.

Rashford (esq.), Mitchell (centro) e Lingard (dir.): revelados no United e hoje no time profissional (Foto: John Peters/Manchester United)
Rashford (esq.), Mitchell (centro) e Lingard (dir.): revelados no United e hoje no time profissional (Foto: John Peters/Manchester United)

Parte do trabalho de Butt hoje é de convencer as famílias dos jovens que almejam ser jogadores de que o United é o melhor lugar para que eles possam se desenvolver. Para isso, o ex-volante utiliza exemplos do atual elenco do time, em especial o atacante Marcus Rashford e o meia Jesse Lingard – ambos chegaram em Old Trafford aos sete anos de idade e hoje são figurinhas carimbadas entre os profissionais.

É muito importante quando eu vou falar com as famílias poder olhar para as crianças e dizer ‘Marcus e Jesse estavam aqui em seus oito, nove anos’. E ainda posso olhar em seus olhos e dizer, ‘pode acontecer (virarem profissionais) porque eles estão fazendo isso agora’. Eles não sabem, mas tem um grande peso em seus ombros – tem que lidar com a equipe principal, a imprensa, as mídias sociais, os treinadores e compromissos internacionais, mas tem uma pequena coisa em suas costas que eu não acho que eles ainda percebem, que eles estão carregando o clube e uma tradição. Isso é enorme”, ressaltou.

Por fim, Butt deu um conselho para àqueles que chegaram ao time, mas ainda não tiveram muitas oportunidades. Dos 10 jogadores da base que o técnico José Mourinho utilizou na temporada 2016/17, seis deles – Timothy Fosu-Mensah, Josh Harrop, Scott McTominay, Demetri Mitchell, Joel Pereira e Angel Gomes, este último o primeiro jogador nascido em 2000 a jogar na Premier League – tiveram menos de 100 minutos em campo durante o ano.

Eles têm que voltar aos treinamentos e trabalhar duro. Esqueçam isso, aconteceu e foi ótimo. Eles têm que pensar que os pais amaram, eles mesmos amaram e tiveram algumas semanas jogando pela primeira equipe do Man United, mas que realisticamente ainda não estão no nível certo e precisam trabalhar duro para chegarem e ficarem. É normal jogar uma ou duas partidas, mas é ficando cinco, seis, sete ou oito anos que você é realmente um jogador”, complementou.

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